segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sol de Primavera

Composição: Beto Guedes e Ronaldo Bastos

Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez...

Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar...

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer...

Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de có
Só nos resta aprender
Aprender...

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha trazer...

Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cór
Só nos resta aprender
Aprender...

CUT e FUP defendem monopólio e fundo para gerir recursos do pré-sal

A CUT e sua Federação Única dos Petroleiros (FUP) já apresentaram ao governo federal a proposta que elaboraram para uma nova lei do petróleo, que inclui novas regras para a exploração, comercialização e uso dos resultados das jazidas da camada pré-sal.

Para a CUT e a FUP, é necessário o fim dos leilões das jazidas, de forma que a exploração fique por conta da Petrobrás. As entidades defendem o retorno do monopólio estatal. Os recursos provenientes da comercialização do petróleo e do gás que existem na camada pré-sal devem ser destinados prioritariamente para políticas públicas que combatam as desigualdades sociais - educação, saúde, previdência, segurança e pesquisa, entre outras.

Para gerir esses recursos e cuidar de sua destinação, a CUT e a FUP defendem também a criação de um fundo social soberano, com gestão tripartite, incluindo portanto a participação de representantes dos trabalhadores.

Veja a íntegra da proposta da CUT acessando o endereço

http://www.fup.org.br/downloads/anteprojeto_nova_lei.pdf

Matéria no Fantástico. Belchior foi encontrado.

CARTA DE FÃ.

ONDE ESTÁ O RAPAZ LATINO AMERICANO QUE CANTA A PALO SECO E TEM MEDO DE AVIÃO? SEU DESAPARECIMENTO NO FANTÁSTICO NOTICIADO, SUA FOTOGRAFIA 3X4 NUM CARTAZ DE PROCURADO... SEU CARRO ABANDONADO... PARECE MELODRAMA, ALUCINAÇÃO! ELE DEVE ESTAR BRINCANDO COM A VIDA, RINDO DA DIVINA COMÉDIA HUMANA DANDO UM PASSEIO COM SUA VELHA ROUPA COLORIDA, PROCURANDO GALOS NOITES E QUINTAIS OU FUGINDO PRA CUIDAR DO HOMEM CANSADO DE VIVER COMO NOSSOS PAIS. ESPERO QUE VOCÊ AINDA NÃO TENHA ENCONTRADO ELIS, POIS LI NUM MONÓLOGO DAS GRANDEZAS DO BRASIL QUE NÃO HÁ NADA COMO VIVER EM UM “PAÍS FELIZ”. CONHEÇO MEU LUGAR, MAS ONDE QUER QUE VOCÊ ESTEJA ESPERO QUE NÃO RECEBA NOTÍCIAS DE TERRA CIVILIZADA. O TEMPO ANDOU MEXENDO COM A GENTE E NÃO HÁ MAIS NADA. ERA UMA VEZ UM HOMEM E O SEU TEMPO... A NÃO SER A SUA GERAÇÃO, QUE TUDO MAIS VÁ PARA O CÉU... POIS NESTA TERRA BRASILEIRAMENTE LINDA, NA MÍDIA SÓ TEM PICARETA, MICARETA E CRÉU. MAS TENTE DOMAR SEU CORAÇÃO SELVAGEM, BRADAR SEU LAMENTO MARGINAL BEM SUCEDIDO TOCANDO POR MÚSICA SEM SER VENDIDO. POIS NAS ONDAS ALTERNATIVAS E ESTAÇÕES PARALELAS, AINDA SE PODEM OUVIR RARAMENTE COISAS INTELIGENTES E BELAS E SE QUISER VOLTAR, ATÉ MAIS VER, ATE AMANHÃ... NA HORA DO ALMOÇO OU DEPOIS DAS SEIS PARA QUE TODOS JUNTOS POSSAMOS CANTAR TUDO OUTRA VEZ.

Flávio Teixeira

Tirado das mensagens de leitores do jornal O Povo que comentaram o "desaparecimento" de Belchior. Achei espetacular. Bárbaro

Tempo, tempo, tempo, tempo...........

domingo, 30 de agosto de 2009

Arte Final.

Belchior

Desculpe qualquer coisa, passe outro dia
Agora eu estou por fora. Volto logo.

Não perturbe. Pra vocês eu não estou
Sessão de nostalgia, isto e La com minha tia, isto e La com minha tia.
Alô, presente, estou chegando, alô futuro, já vou.
Alô, presente, estou chegando, alô futuro, já vou.
Ora! Ora! Até vocês que ouvi dizer,
São gente quase honesta
Até vocês os reis da festa
ora, essa, não confiam mais em mim!
Me tratam como tratam mulher, preto...
Todos entramos no gueto
Quando a coisa entrou no ar.
Mas, pegue leve, não empurre, seja breve.
Conheço o meu lugar

Dancei, sei que dancei, dancei meu bem
Mas, vem que ainda tem.

Dancei, sei que dancei, dancei meu bem
Mas, vem que ainda tem.

E então, my friends?
Bastou vender a minha alma ao diabo
E lá vem vocês seguindo o mau exemplo
Entrando numas de vender a própria mãe
Alguém se atreve a ir comigo além do shopping center? hein? hein?
Ah! Donde estona Los estudiantes?
Os rapazes latinos -americanos?
Os aventureiros? os anarquistas? os artistas?
Os sem destino? os rebeldes experimentadores?
Os benditos? malditos? os renegados? os sonhadores?
Esperávamos os alquimistas, e lá vem os arrivistas
os consumistas, os mercadores
minas, homens não ha mais?
Entre o céu e a terra não ha mais nada que sex, drugs and
rock 'n' roll?
Por que o adeus as armas
Ahhh! não perguntes por quem os sinos dobram
eles dobram por ti.
Ora, senhoras, ora senhores
uma boa noite lustrada de néon pra vocês
o último a sair apague a luz do aeroporto
e, ainda que mal me pergunte
-a saída será mesmo o aeroporto?

Belchior foi encontrado.

O meu lugar é onde você quer que ele seja não quero o que a cabeça pensa quero o que alma deseja

Não foi muita surpresa para mim, essa “incerta” como disse que faria o próprio Belchior a “um amigo seu” (e acho que não era o analista) divulgada amplamente na mídia desde o domingo 23 de agosto. O nosso genial cantor, compositor, poeta, calígrafo, dentre outras peripécias “rapaz latino americano,” não de caso pensado, sem exigir de mente tão irônica e irreverente, “cortante como uma faca” bom comportamento, na verdade não desapareceu e sim apareceu.

Até que fim. Ufa! Justiça seja ou sendo feita?A matéria foi gerada pela sua ausência óbvia da “alucinação do dia-a-dia” marcada por centenas de shows (para o nosso deleite), vida agitada e intensamente produtiva. Diante desse “procura-se” quase que desesperado do nosso “abandonador, réu confesso de lares” me atrevo a escrever sobre seu aparecimento e nunca paradeiro. Alguém se atreveu a ir além do “shopping Center” ou procurá-lo no “escuro do cinema”?

Não me atreverei a localizá-lo, “neste presente instante”, pois “não gosto que me sigam” já disse certa vez nosso rebelde e com muita causa “lido e corrido” que foi e é nos cabarés da vida, no “vivenciar o sol e não o dia ou a lua e não à noite”. Não nos preocupemos “o anjo do senhor de quem nos fala o livro santo não o convidou para uma cerveja”. Quero nestas linhas mal traçadas, pelo menos colaborar mui humildemente, pois “conheço o meu lugar” a não deixar que eles “cantem vitória e levem flores para cova do inimigo”. Ajudar na retratação “do nosso marginal bem sucedido” é o mínimo que posso fazer com Belchior. Voz vinda da alma que nos antecipou em seu lirismo único, sofisticado, simples, profundo, elegante, filosófico e “cantado pelo povo” “o cheiro da nova estação” sem nunca querer ser “voz única do que é novo”.

Por dever de ofício e ao propor ao então vereador professor Pinheiro hoje nosso vice-governador, que solicitasse a Augusta Câmara Municipal de Fortaleza que outorgasse o título de seu cidadão ao nosso rapaz “latino-americano” me “aproximei de Belchior”. Como admirador profundo da sua produção cultural e não como fã. Já ouvi irônica e dura resposta a uma “carta” de alguém que assim se reivindicou. Acho justo, portanto ajudar, não no “procura-se” ao Sr. Antonio Carlos Gomes Belchior Fonteneles Fernandes, mas no fazê-lo presente em quem ou aonde não o encontrávamos e deveria estar.

Preconceito, desconhecimento ou pelo tratamento “quase honesto” dado pela nossa grande mídia, enfim, de fato havia para sermos justos, uma injustiça a obra extraordinária do cearense Belchior, reparada por caminhos não muito floridos por “Ypês” ou “gente jovem, consciente reunida” na matéria de um desse domingos em um programa de variedades da maior emissora de TV do país. Foi na base de certo sensacionalismo apelativo peculiar a nossa mídia, “cumprindo o seu dever, defendendo seu amor e nossas vidas”. Por caminhos tortos, talvez tenha se escrito realmente certo. Vamos aguardar um pouco mais.

Juntando sonhos, sons, abraços e canções, estou atrevidamente com um projeto de escrever uma biografia do rebelde em questão nesta missiva. Sem dúvida "procura-se" ou “encontra-se” Belchior será um capítulo muito especial deste livro, de muitas aventuras, lirismo, poesia e genialidade.

Nada de caso pensado, bater perna no mundo faz parte da alma libertada conquistadas por artistas e experimentadores. De alguma maneira, por caminhos inesperados o “sumiço” o reconduziu para "ilustres desconhecedores" ao patamar de onde nunca saiu para quem o acompanha. Sua produção artística, sem comparar “com um ou outro” gênio da nossa MPB (“quem dera fosse eu, um Chico, um Gil, um Caetano cantaria todo ufano os anais da Guerra Civil”). Cada um com seu canto, no "seu espaço e canto".

Belchior está (e de fato esse reconhecimento o é devido) no seleto grupo dos maiores cantores, compositores, poetas e intelectuais da língua portuguesa e do mundo latino. Chico, Gil e Caetano, extraordinários e não menos geniais explodiram durante o auge da ditadura. Belchior um pouco depois, nos seus estertores a volta do exílio e a abertura. Não há descrição mais profunda deste tempo com cheiro de “coisas novas” e algumas velhas ameaças autoritárias, no seio do que “novo que sempre vem”.

Os antecessores foram legitimamente sem exageros (tentei explicar um dos motivos acima) mitificados e cultuados, devidamente por justiça permaneceram na mídia por vários motivos, para além do desqualificante “souberam cavar mais espaço”. Justiça com eles. Inegavelmente “bárbaros”. Injustiça com o nosso querido e não menos “bárbaro goliardo” sobralense (teria nascido em Coreáu? “Pouco me importa, não eu não sou do sertão dos esquecidos”), literalmente cidadão do mundo.

A sensação de muitos era revelada na pergunta feita a mim e a muitos que acompanham a carreira de Belchior, ele parou de produzir? Só tem esse pouco mais de 30 clássicos (como se fosse pouco diante do massacre do “lixil cultural S.A”). Nunca em tempo algum., Belchior não para, recordista disparado de shows no país, musicou divinamente em tempo recente 33 poemas de Drummond, compôs “bossa em palavrões” uma obra de arte, passeou na MPB de Marina a Chico Buarque, Roberto Carlos em “Vício Elegante” (pioneiro em regravar “bregas cults” com Aparências, bem antes de Caetano revisar Fernando Mendes).

Boicote, preconceito, mas que estamos nos referindo a um gênio e de uma obra genial que não deixa nada a desejar aos aqui citados e tantos outros, não podemos ter dúvida. Sem comparar qual é o melhor, ou escolher o “número um” em um mundo de bilhões (lógica individualista que sustenta essa coisa absurda chamada capitalismo). Isso não existe, não falo aqui de preferências e sim de coerência, justiça e reconhecimento (coisas raras nesses dias de gente “sem pão e daqui a pouco sem circo”). Acho que para um setor de classe média virou “cult” e passou a ser “chiq”, mesmo sem conhecê-los profundamente, falar superficialmente e dizer que gosta dos gênios Chico, Caetano e Gil. O simbolismo verdadeiro de resistência a ditadura, a qualidade inegável de suas obras, a ocupação da mídia, tudo isso é legitimo e justifica a maior visibilidade do trio. O “desaparecimento” de Belchior foi injustificado. Bom ter “aparecido”, ‘viver o humor das praças cheias de pessoas” para inaugurar a vida inteiramente livre e triunfante.

Belchior filosoficamente canta a “solidão das pessoas nessas capitais”, as coisas mais profundas desse país, a volta do exílio, “flores de um “68” não realizado, a abertura política, o país que se avizinhava pós-ditadura, o sexo (Sensual), imortalizada por Ney Matogrosso. Conhecem? Os dramas dos retirantes, da juventude, dos indígenas, os dramas nas grandes cidades, o homossexualismo (De primeira grandeza), os dramas e as paixões populares e a violência da noite e a barbaridade neoliberal (Bahiuno) com 500 de quê? Tudo novo e fantasticamente elaborado com a colaboração dos gênios da literatura universal e da alma portuguesa. Por favor, não me venha com o simplório e já batido “ele não tem produzido nada novo”. Já pensou. De fato ele não é xodó da grande mídia que hoje diz e dita o que é “novo e bom”. Estamos em maus lençóis. É melhor ser “fora da lei e procurado” mesmo.

A outro fator importante em que acho residir um pouco de não ser Belchior um dos “queridinhos” dos donos da nossa mídia por democratizar-se permanentemente. O “rapaz latino” continuou áspero com a “ordem”, sem parentes importantes e sempre lembrando “a inexistência dos sertões”. Os outros também, mas bem menos. De todos de maior expressão do que chamamos de MPB ele continuou nas letras e na forma de agir rebelde, quase um alternativo cantando bem menos nas maiores e mais caras "casas de espetáculos" do Brasil e muito mais em "primeiros de maio", presídios, pequenos festivais de músicas, calouradas ou em cima de uma “Kombi” em Sobral.

Continuar “com o pé na estrada”, a ausência de superprodução e a manutenção de shows públicos ou a preços populares, em qualquer “buraco” para alguns incautos o tirou a aura de gênio, para uma legião incontável de fãs o tornou mesmo que ele não tenha a intenção (acho que talvez não tenha tido mesmo) o ultimo bastião dos que não “passaram a viver e ser os mesmos que os seus pais,” uma espécie de ultimo rebelde da MPB. Acho isso fantástico. Como vive no capitalismo vende sua força de trabalho ganha seu dinheiro, se desgasta inevitavelmente “com um ou com outro” pela mistura inevitável dos negócios com artista. Infelizmente tem que ter a parte comercial e dinheiro tem a “pintura do diabo”. Talvez bater duro e insistentemente em alguns daqueles mais radicais contemporâneos de sua geração, que iriam mudar o mundo numa fração de segundos e logo, logo preferiram “vender a alma ao diabo”, “voltando pra casa para contar o seu vil metal”, tenha custado muito caro ao nosso rapaz latino-americano.

Portanto Belchior foi encontrado, ou melhor, reencontrado ainda “canta e requebra’ nos palcos pelo Brasil e no mundo afora em uma performance única , lírica, poética, popular e filosófica ao mesmo tempo. O Brasil que tanto canta em sua tropicalidade e vigor poético volta-se para ele, procura-o e o reencontra, como eterno estudante, pronto para novas “loucuras, chicletes e som”, com a “voz ativa”, sabendo “de que lado nasce o sol” pra viver “tudo outra vez” e restabelecendo seu lugar no pathernon dos grandes nomes da Musica Popular Brasileira. E não esqueçamos “as lágrimas dos jovens são fortes como um segredo podem fazer renascer um mau antigo”. Pois: “A voz resiste. A fala insiste: você me ouvirá. A voz resiste. A fala insiste: quem viver verá”.

Belchior foi encontrado.

Segundo o fantástico Belchior está em um lugarejo no Uruguai. Traremos mais informações assim que a matéria for divulgada. Já pude indentificar a pessoa que estava presente no lugarejo na "manchete" da matéria. Mais detalhes daqui a pouco.

Mauricio Dias: Uma imprensa antidemocrática

A imprensa brasileira tem sido adversária histórica das instituições representativas do País.” Essa frase, um dos mais duros veredictos já feitos sobre a imprensa brasileira, é de Wanderley Guilherme dos Santos, professor aposentado de teoria política da UFRJ, fundador do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj) da Universidade Candido Mendes, e consagrado pela Universidade Autônoma do México, em 2005, um dos cinco mais importantes cientistas políticos da América Latina.

Ela é parte do começo de uma conversa em torno da histórica tendência golpista da imprensa brasileira, que começa assim: “Com o fim da Segunda Guerra Mundial terminou também o Estado Novo brasileiro, ditadura civil que se iniciara em 1937. No mundo todo, mas em particular no Brasil, as elites políticas tradicionais se viram acompanhadas por um eleitorado em torno de 7 milhões, mais de dez vezes superior ao da Primeira República, e um movimento sindical legalizado e participante de algumas estruturas estatais, como os institutos de pensões e aposentadorias dos trabalhadores urbanos”.

Segundo ele, a imprensa brasileira “sem embargo da retórica democrática”, tornou-se a principal adversária das instituições representativas.

“A exemplo de toda a imprensa, denominada grande, latino-americana, “jamais hesitou em apoiar todas as tentativas de golpe de Estado, quando estas significavam a derrubada de presidentes populares ou o fechamento de congressos de inclinação mais democrática”, denuncia Wanderley Guilherme.

“No Brasil – prossegue –, não existe um só jornal de grande circulação que se posicione a favor dos respectivos congressos nacionais, nas esparsas ocasiões em que estes parecem funcionar.”

Por outro lado, ele anota que “toda vez que a direita recrudesce nas urnas, sempre encontra a simpatia midiática”.

“No Brasil, o único período em que o governo contou com o respaldo de algum jornal de certa respeitabilidade foi durante o segundo governo Vargas, com a Última Hora. Não houve um único jornal popular, de grande circulação no Brasil, durante esse período”, diz Wanderley Guilherme.

Última Hora também foi o único reduto jornalístico contra o golpe de 1964, que toda a mídia apoiou. Sem qualquer constrangimento.

Conceitualmente, ele lembra, a imprensa, além de ser um instrumento de difusão de informação e análise, é um ator político “na medida em que forma opinião, agenda demandas e que, eventualmente, beneficia ou cria obstáculos para governos”.

Wanderley Guilherme comenta: “A imprensa brasileira exerce, e tem todo o direito, de ter opinião e preferências políticas. No Brasil, no entanto, ela diz que apenas retrata a realidade. É falso. Há muito da realidade que não está na imprensa e há muito do que está na imprensa que não está na realidade”.

Não é novidade no mundo democrático. Novidade, como explica Wanderley Guilherme, é presumir e passar a impressão de que isso não acontece.

“A imprensa brasileira não tolera a ideia de governos independentes, autônomos em relação às suas campanhas. Isso implica um caminho de duas mãos. Significa que ela terá de sobreviver sem os governos. Então, é preciso que os governos precisem dela”, conclui.

É um retrato do momento que o Brasil atravessa no alvorecer do século XXI.

Mauricio Dias é colunista da revista CartaCapital, onde este artigo foi publicado originalmente

Ditadura nunca mais. Que o povo tome cada vez mais a direção da barca.




















30 Anos da Anistia.
Viva o povo brasileiro.

26 anos da CUT. Viva a classe trabalhadora.












Parabéns a classe trabalhadora brasileira pelo aniversário da sua mais combativa e representativa central sindical. Viva a Central Única dos Trabalhadores em seus 26 anos comemorados nesta sexta-feira dia 28 de agosto.

Divino, musical dirigido por Patricia Pilar. Waldick Soriano

Governo anuncia novo marco regulatório do petróleo na segunda-feira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia na próxima segunda-feira (31), em Brasília, as regras de exploração do petróleo na camada pré-sal. A proposta, a ser encaminhada ao Congresso, é um marco histórico, pois prioriza o interesse nacional na administração dos recursos que advirão das mega jazidas descobertas pela Petrobras.

Entre outras medidas, propõe-se a criação de um Fundo Soberano para assegurar recursos para o sistema público de saúde, educação, previdência e outras iniciativas sociais. O texto inclui a definição da participação da Petrobras e do governo em cada bloco de óleo, a criação de uma estatal para gerir as reservas e uma nova sistemática para a distribuição de royalties a estados e municípios na área do pré-sal.

Durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, nesta semana, o presidente Lula disse que enxerga o pré-sal como uma possibilidade de futuro. Segundo ele, em 15 ou 20 anos o Brasil pode ser outro País, industrializado e socialmente justo, com a melhoria de vida da grande maioria dos brasileiros. Lula acrescentou que isso só acontecerá com a criação de oportunidades para as pessoas. Para ele, o dinheiro originado da exploração e canalizado para o fundo vai tirar o povo da miséria na qual se encontra.

Na análise de parlamentares do PT, o fundo vai assegurar o fim das desigualdades sociais e regionais no País, superando históricos problemas. Segundo o líder da bancada do PT, Cândido Vaccarezza (SP), o novo marco regulatório para a gestão das gigantescas reservas de petróleo vai garantir ao País um salto de desenvolvimento econômico. “O Brasil vai ter um novo posicionamento no cenário internacional. Daremos um passo a mais na caminhada para colocar o Brasil entre as grandes potências mundiais”, afirmou Vaccarezza.

Na opinião do ex-presidente da Câmara , o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), a descoberta do pré-sal propiciou uma oportunidade de se garantir um futuro melhor para o Brasil. “A Câmara e o Senado terão a importante tarefa de aprovar a nova regulamentação da exploração dos recursos petrolíferos. Em minha opinião, o processo terá que ter como referência o sentido estratégico dos recursos do pré-sal para a nação brasileira”, comentou.

Astro vagabundo. Fagner e Fausto Nilo

Velha estampa na parede, a toalha do jantar
Na fumaça um anjo negro vai chegar
Por traz da veneziana, a cigana me falar
Que um inferno monstruoso vai entrar

Mas se o astro vagabundo
na verdade vai chegar
Não quero ver o fim do mundo
Vou dormir em seu jardim

Veja a belíssima montagem no You Tube em:
www.youtube.com/watch?v=HIlFAwV-3CE

Anistia inconclusa

Hoje, há 30 anos: a Anistia inconclusa

O belo edifício que abriga o Arquivo Nacional, no Campo de Santana, no Rio, recebeu um expressivo grupo de pessoas, vindas de diferentes regiões do país, no último dia 22 de agosto, para marcar a data da aprovação da Lei 6.683/79. A lei que concedeu Anistia aos perseguidos políticos e produziu uma excrescência jurídica: os denominados “crimes conexos”. Essa pérola de criatividade terá brotado da cabeça de algum rábula que se movimentava nas dobras do arbítrio e foi oferecida ao último ditador, para assegurar a impunidade aos torturadores que serviram durante anos ao Regime. Desde então essa sombra se projeta sobre a memória do país.

Trinta anos depois, ouvimos no pátio interno do Arquivo Nacional a palavra da sociedade, dos familiares dos mortos e desaparecidos políticos e, pela boca do Ministro da Justiça, Tarso Genro, a palavra do Estado brasileiro. A alguns dos argumentos levantados, com brilho, pelo Ministro da Justiça, quero agregar outros.

“Terá havido um pacto para que se aprovasse a Lei de Anistia?” Os pactos supõem igualdade de condições. Em 1979, a sociedade brasileira ensaiava os primeiros passos para recobrar sua força e sua relevância depois de dez anos de terror. O único pacto possível era entre a corda e o pescoço... Não houve pacto. Houve a imposição do édito de um regime que antevia sua derrota e tratava de chegar a tempo de salvar a pele dos seus verdugos. Esse argumento é uma fraude.

“Não podemos reabrir feridas”, dizem os que defendem a impunidade. Cabem duas perguntas: “Quem foi ferido”? E “Essas feridas foram fechadas”? Quem prestará contas pela tortura dos opositores políticos, convertida em método rotineiro de interrogatórios? Pelos assassinatos, pelos desaparecimentos, pelas tentativas de fuga, pelos atropelamentos, pelos suicídios? Em uma frase, os defensores da tese de apagar a memória, nos convidam alegremente: vamos esquecer toda a brutalidade que nós cometemos contra vocês... e nós os perdoaremos por isso.”

“São revanchistas aqueles que desejam rever a lei da Anistia, abrir todos os arquivos”. Nós, que defendemos a abertura de todos os arquivos e julgamento dos torturadores, não defendemos que eles sejam torturados. Somos contra a tortura. Reivindicamos com a sociedade brasileira que eles sejam processados e julgados. Como foram processados, julgados e condenados, os que se levantaram contra o regime. Não somos, portanto, revanchistas.

“A Anistia foi recíproca”. Aqui recorro ao argumento da advogada Eny Raimundo Moreira, defensora de presos políticos e ex-presidente do Comitê Brasileiro pela Anistia, do Rio de Janeiro: só quem foi processado e condenado por algum delito pode ser anistiado. Nenhum torturador, nenhum delegado de polícia acusado pelo crime de tortura de presos políticos foi levado a qualquer tribunal por essa razão, no Brasil. Infelizmente.

Por fim, não é demais lembrar, a propósito dos trinta anos da publicação da Lei 6.683 de 28 de agosto de 1979, a afirmação do Dr. Marco Antônio Rodrigues Barbosa: “A tortura é um crime hediondo, não é ato político nem contingência histórica e afeta toda a humanidade, na medida em que a condição humana é violentada na pessoa submetida a esse crime. Quando alguém é torturado, somos todos atingidos duplamente: em nossa humanidade e em nossa cidadania. A prática da tortura é inaceitável e seus executores deverão ser punidos a qualquer tempo.”

A democracia brasileira deve a si mesma esse exercício de compreender e incorporar os anos da Ditadura Militar, com as perseguições, a brutalidade, a delação, o medo, a tortura, os assassinatos, os desaparecimentos de perseguidos políticos, o exílio, o rosário de horrores perpetrados pelo estado ditatorial à exata dimensão histórica que lhe cabe: uma realidade incontestável que deitará sua sombra sobre a face futura do Brasil, até que seja resgatada.
Pedro Tierra é poeta. Autor do livro Poemas do Povo da Noite, escrito na prisão e reeditado pela Editora da Fundação Perseu Abramo e Editora Publ!sher Brasil, por ocasião dos 30 anos da Anistia.

sábado, 29 de agosto de 2009

Montagem interessante. Homenagem ao Comandante Che Guevara com o auxílio luxuoso de Belchior.

Belchior foi localizado.

"Belchior apareceu".

O meu lugar é onde você quer que ele seja não quero o que a cabeça pensa quero o que alma deseja

Não foi muita surpresa para mim, essa “incerta” como disse que faria o próprio Belchior a “um amigo seu” (e acho que não era o analista) divulgada amplamente na mídia desde o domingo 23 de agosto. O nosso genial cantor, compositor, poeta, calígrafo, dentre outras peripécias “rapaz latino americano,” não de caso pensado, sem exigir de mente tão irônica e irreverente, “cortante como uma faca” bom comportamento, na verdade não desapareceu e sim apareceu.

Até que fim. Ufa! Justiça seja ou sendo feita?A matéria foi gerada pela sua ausência óbvia da “alucinação do dia-a-dia” marcada por centenas de shows (para o nosso deleite), vida agitada e intensamente produtiva. Diante desse “procura-se” quase que desesperado do nosso “abandonador, réu confesso de lares” me atrevo a escrever sobre seu aparecimento e nunca paradeiro. Alguém se atreveu a ir além do “shopping Center” ou procurá-lo no “escuro do cinema”?

Não me atreverei a localizá-lo, “neste presente instante”, pois “não gosto que me sigam” já disse certa vez nosso rebelde e com muita causa “lido e corrido” que foi e é nos cabarés da vida, no “vivenciar o sol e não o dia ou a lua e não à noite”. Não nos preocupemos “o anjo do senhor de quem nos fala o livro santo não o convidou para uma cerveja”. Quero nestas linhas mal traçadas, pelo menos colaborar mui humildemente, pois “conheço o meu lugar” a não deixar que eles “cantem vitória e levem flores para cova do inimigo”. Ajudar na retratação “do nosso marginal bem sucedido” é o mínimo que posso fazer com Belchior. Voz vinda da alma que nos antecipou em seu lirismo único, sofisticado, simples, profundo, elegante, filosófico e “cantado pelo povo” “o cheiro da nova estação” sem nunca querer ser “voz única do que é novo”.

Por dever de ofício e ao propor ao então vereador professor Pinheiro hoje nosso vice-governador, que solicitasse a Augusta Câmara Municipal de Fortaleza que outorgasse o título de seu cidadão ao nosso rapaz “latino-americano” me “aproximei de Belchior”. Como admirador profundo da sua produção cultural e não como fã. Já ouvi irônica e dura resposta a uma “carta” de alguém que assim se reivindicou. Acho justo, portanto ajudar, não no “procura-se” ao Sr. Antonio Carlos Gomes Belchior Fonteneles Fernandes, mas no fazê-lo presente em quem ou aonde não o encontrávamos e deveria estar.

Preconceito, desconhecimento ou pelo tratamento “quase honesto” dado pela nossa grande mídia, enfim, de fato havia para sermos justos, uma injustiça a obra extraordinária do cearense Belchior, reparada por caminhos não muito floridos por “Ypês” ou “gente jovem, consciente reunida” na matéria de um desse domingos em um programa de variedades da maior emissora de TV do país. Foi na base de certo sensacionalismo apelativo peculiar a nossa mídia, “cumprindo o seu dever, defendendo seu amor e nossas vidas”. Por caminhos tortos, talvez tenha se escrito realmente certo. Vamos aguardar um pouco mais.

Juntando sonhos, sons, abraços e canções, estou atrevidamente com um projeto de escrever uma biografia do rebelde em questão nesta missiva. Sem dúvida "procura-se" ou “encontra-se” Belchior será um capítulo muito especial deste livro, de muitas aventuras, lirismo, poesia e genialidade.

Nada de caso pensado, bater perna no mundo faz parte da alma libertada conquistadas por artistas e experimentadores. De alguma maneira, por caminhos inesperados o “sumiço” o reconduziu para "ilustres desconhecedores" ao patamar de onde nunca saiu para quem o acompanha. Sua produção artística, sem comparar “com um ou outro” gênio da nossa MPB (“quem dera fosse eu, um Chico, um Gil, um Caetano cantaria todo ufano os anais da Guerra Civil”). Cada um com seu canto, no "seu espaço e canto".

Belchior está (e de fato esse reconhecimento o é devido) no seleto grupo dos maiores cantores, compositores, poetas e intelectuais da língua portuguesa e do mundo latino. Chico, Gil e Caetano, extraordinários e não menos geniais explodiram durante o auge da ditadura. Belchior um pouco depois, nos seus estertores a volta do exílio e a abertura. Não há descrição mais profunda deste tempo com cheiro de “coisas novas” e algumas velhas ameaças autoritárias, no seio do que “novo que sempre vem”.

Os antecessores foram legitimamente sem exageros (tentei explicar um dos motivos acima) mitificados e cultuados, devidamente por justiça permaneceram na mídia por vários motivos, para além do desqualificante “souberam cavar mais espaço”. Justiça com eles. Inegavelmente “bárbaros”. Injustiça com o nosso querido e não menos “bárbaro goliardo” sobralense (teria nascido em Coreáu? “Pouco me importa, não eu não sou do sertão dos esquecidos”), literalmente cidadão do mundo.

A sensação de muitos era revelada na pergunta feita a mim e a muitos que acompanham a carreira de Belchior, ele parou de produzir? Só tem esse pouco mais de 30 clássicos (como se fosse pouco diante do massacre do “lixil cultural S.A”). Nunca em tempo algum., Belchior não para, recordista disparado de shows no país, musicou divinamente em tempo recente 33 poemas de Drummond, compôs “bossa em palavrões” uma obra de arte, passeou na MPB de Marina a Chico Buarque, Roberto Carlos em “Vício Elegante” (pioneiro em regravar “bregas cults” com Aparências, bem antes de Caetano revisar Fernando Mendes).

Boicote, preconceito, mas que estamos nos referindo a um gênio e de uma obra genial que não deixa nada a desejar aos aqui citados e tantos outros, não podemos ter dúvida. Sem comparar qual é o melhor, ou escolher o “número um” em um mundo de bilhões (lógica individualista que sustenta essa coisa absurda chamada capitalismo). Isso não existe, não falo aqui de preferências e sim de coerência, justiça e reconhecimento (coisas raras nesses dias de gente “sem pão e daqui a pouco sem circo”). Acho que para um setor de classe média virou “cult” e passou a ser “chiq”, mesmo sem conhecê-los profundamente, falar superficialmente e dizer que gosta dos gênios Chico, Caetano e Gil. O simbolismo verdadeiro de resistência a ditadura, a qualidade inegável de suas obras, a ocupação da mídia, tudo isso é legitimo e justifica a maior visibilidade do trio. O “desaparecimento” de Belchior foi injustificado. Bom ter “aparecido”, ‘viver o humor das praças cheias de pessoas” para inaugurar a vida inteiramente livre e triunfante.

Belchior filosoficamente canta a “solidão das pessoas nessas capitais”, as coisas mais profundas desse país, a volta do exílio, “flores de um “68” não realizado, a abertura política, o país que se avizinhava pós-ditadura, o sexo (Sensual), imortalizada por Ney Matogrosso. Conhecem? Os dramas dos retirantes, da juventude, dos indígenas, os dramas nas grandes cidades, o homossexualismo (De primeira grandeza), os dramas e as paixões populares e a violência da noite e a barbaridade neoliberal (Bahiuno) com 500 de quê? Tudo novo e fantasticamente elaborado com a colaboração dos gênios da literatura universal e da alma portuguesa. Por favor, não me venha com o simplório e já batido “ele não tem produzido nada novo”. Já pensou. De fato ele não é xodó da grande mídia que hoje diz e dita o que é “novo e bom”. Estamos em maus lençóis. É melhor ser “fora da lei e procurado” mesmo.

A outro fator importante em que acho residir um pouco de não ser Belchior um dos “queridinhos” dos donos da nossa mídia por democratizar-se permanentemente. O “rapaz latino” continuou áspero com a “ordem”, sem parentes importantes e sempre lembrando “a inexistência dos sertões”. Os outros também, mas bem menos. De todos de maior expressão do que chamamos de MPB ele continuou nas letras e na forma de agir rebelde, quase um alternativo cantando bem menos nas maiores e mais caras "casas de espetáculos" do Brasil e muito mais em "primeiros de maio", presídios, pequenos festivais de músicas, calouradas ou em cima de uma “Kombi” em Sobral.

Continuar “com o pé na estrada”, a ausência de superprodução e a manutenção de shows públicos ou a preços populares, em qualquer “buraco” para alguns incautos o tirou a aura de gênio, para uma legião incontável de fãs o tornou mesmo que ele não tenha a intenção (acho que talvez não tenha tido mesmo) o ultimo bastião dos que não “passaram a viver e ser os mesmos que os seus pais,” uma espécie de ultimo rebelde da MPB. Acho isso fantástico. Como vive no capitalismo vende sua força de trabalho ganha seu dinheiro, se desgasta inevitavelmente “com um ou com outro” pela mistura inevitável dos negócios com artista. Infelizmente tem que ter a parte comercial e dinheiro tem a “pintura do diabo”. Talvez bater duro e insistentemente em alguns daqueles mais radicais contemporâneos de sua geração, que iriam mudar o mundo numa fração de segundos e logo, logo preferiram “vender a alma ao diabo”, “voltando pra casa para contar o seu vil metal”, tenha custado muito caro ao nosso rapaz latino-americano.

Portanto Belchior foi encontrado, ou melhor, reencontrado ainda “canta e requebra’ nos palcos pelo Brasil e no mundo afora em uma performance única , lírica, poética, popular e filosófica ao mesmo tempo. O Brasil que tanto canta em sua tropicalidade e vigor poético volta-se para ele, procura-o e o reencontra, como eterno estudante, pronto para novas “loucuras, chicletes e som”, com a “voz ativa”, sabendo “de que lado nasce o sol” pra viver “tudo outra vez” e restabelecendo seu lugar no pathernon dos grandes nomes da Musica Popular Brasileira. E não esqueçamos “as lágrimas dos jovens são fortes como um segredo podem fazer renascer um mau antigo”. Pois: “A voz resiste. A fala insiste: você me ouvirá. A voz resiste. A fala insiste: quem viver verá”.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Lula cobra garantias jurídicas da Colômbia de que bases não afetarão a região

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso pacificador durante sua participação na reunião extraordinária da União das Nações Sul-americanas (Unasul) nesta sexta-feira (28) e pediu "garantias jurídicas" de que o convênio militar que a Colômbia assinou com os Estados Unidos não afetará a região. "Respeitamos o acordo, mas queremos nos resguardar", afirmou o presidente, que insistiu na necessidade de que os países da região possam "ter a segurança" de contar com instrumentos jurídicos que garantam que o acordo "é específico para o território colombiano".

"Podemos propor a Rafael (presidente do Equador, Rafael Correa) uma pequena reunião que poderia discutir a respeito da paz no continente. Nunca falamos sobre isso e, às vezes, escutamos que a tensão na região aumentou e isso me preocupa", afirmou Lula. "Ninguém nunca deu nada de presente para mim quando eu era sindicalista e ninguém vai dar nada de presente à Unasul. A solução dos nossos problemas está dentro de nosso continente, não fora", opinou.

O presidente Lula lamentou a ausência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que não se encontrava na sala de reuniões no momento de seu discurso e lhe mandou um recado: "é uma pena que o companheiro Chávez não esteja presente porque creio que poderíamos discutir uma política de paz no continente entre Uribe (Álvaro Uribe, presidente da Colômbia), Correa e Chávez". Segundo ele, estes países precisam se reunir "para definir claramente os parâmetros que permitam transmitir ao mundo uma imagem de que realmente queremos paz, democracia e desenvolvimento social e, por isso, o povo votou em nós".

"Não está (no acordo), mas também não é proibido, o que não é proibido é permitido, temos que ter cuidado com isso", afirmou. "Ter cuidado e tomar sopa não fazem mal a ninguém", brincou o governante. Lula disse que ainda aguarda uma resposta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a sua proposta de convocar uma reunião com os membros da Unasul para debater o tema. Ele destacou a importância de "provocar uma boa discussão com Obama para discutir qual é o papel dos EUA para a América Latina", mas admitiu que "é difícil que um presidente em começo de mandato tenha o controle de tudo".

O presidente, que se mostrou partidário de convocar o Conselho de Defesa Sul-americano para fazer um "estudo real" sobre a situação das fronteiras dos 12 membros da Unasul, admitiu que a soberania nacional "é algo sagrado", mas pediu que Uribe reflita sobre a eficácia da via militar para combater o narcotráfico em seu país. Para ele, se realmente existem bases estrangeiras estabelecidas no país desde então e isto não foi suficiente para solucionar o problema do narcotráfico, seria necessário repensar o recurso à estratégia militar.

"O que queremos é que quando o companheiro Uribe tenta mostrar que as bases (dos EUA) já existem na Colômbia desde 1952, eu queria dizer de maneira muito carinhosa, se as bases americanas estão na Colômbia desde 1952 e ainda não há soluções ao problema deveríamos pensar em outra coisa que pudéssemos fazer em conjunto para resolver os problemas", ressaltou. "Uma decisão da Unasul é uma garantia institucional coletiva de nosso continente de que poderíamos solucionar este problema se nos abríssemos à discussão com toda a verdade absoluta deste problema", ressaltou.

Lula admitiu que os traficantes de drogas utilizam as fronteiras dos países do Cone Sul, mas lembrou que "os grandes consumidores não estão" na região. "Seria extremamente importante que o mundo rico, além de querer combater o narcotráfico em nossas fronteiras, o combatesse dentro das suas fronteiras", defendeu.

Ele também expressou preocupação com as consequências do acordo para áreas vulneráveis para a América do Sul, como a Amazônia. "Às vezes, me dá a impressão de que a Amazônia é dos países ricos e que eles querem decidir a política na Amazônia", denunciou.

Lula propôs a seus parceiros "construir um melhor padrão de relação" e disse que a única forma de evitar conflitos precipitados é conter as palavras. "Cada um de nós deve chegar às portas destas reuniões com a decisão de se queremos construir um clima de paz ou um clima de guerra", afirmou.

Que coisa linda. Minha Herança: uma flor. Para minha companheira Isabel e para todos e todas capazes de amar. E espero ser o mundo todo.

Projeto de deputados petistas restabelece monopólio do petróleo

O deputado Fernando Marroni (PT-RS) apresentou nesta quinta-feira (27) projeto de lei (5891/09) que reestatiza a Petrobras e restabelece o monopólio estatal do petróleo. A proposição incorpora o que vinha sendo defendido pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e movimentos sociais. Outros 17 parlamentares do PT subscrevem a proposta.

Segundo Marroni, o projeto resgata a soberania e garante a alocação de recursos para um fundo soberano. Esse fundo assegurará recursos para o sistema público de saúde, educação, previdência e outras iniciativas. “Esse fundo vai assegurar o fim das desigualdades sociais e regionais no País”, argumenta o parlamentar.

Nos próximos dias o projeto será encaminhado às comissões permanentes para debate sobre a sua constitucionalidade e pertinência do mérito. “Defendo incondicionalmente a Petrobras. O projeto representa o pensamento dos trabalhadores que querem uma empresa cada vez mais forte em nosso País”, declarou Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) .

Segundo a FUP, nos últimos dez anos foram leiloados mais de 500 blocos de petróleo para 72 grupos econômicos, metade multinacionais. Os leilões ocorreram com base na atual lei do petróleo 9.478/97, aprovada no governo FHC. “Não podemos permitir que as riquezas do pré-sal tenham o mesmo destino”, alertou o coordenador da FUP, João Antônio Moraes.

Para a entidade, o projeto resgata os principais pontos da lei 2004/53, que criou a Petrobras e estabeleceu o monopólio da União sobre o setor e contempla outras reivindicações históricas dos trabalhadores.

Os outros parlamentares do PT que assinaram a proposição: Carlos Santana (PT/RJ) ; Fátima Bezerra (PT/RN) ; Francisco Praciano (PT/AM) ; João Paulo Cunha (PT/SP) ; José Leonardo Monteiro (PT/MG) ; Joseph Bandeiro (PT/BA) ; Luiz Bassuma (PT/BA) ; Luiz Sérgio (PT/RJ) ; Marcos Maia (PT/RS) ; Paulo Rocha (PT/PA) ; Reginaldo Lopes (PT/MG) ; Sérgio Barradas Carneiro (PT/BA) ; Vander Loubet (PT/MS) ; Vicentinho (PT/SP) ; Washington Luiz (PT/MA) ; Emília Fernandes (PT/RS).

Liderança PT/Câmara (www.informes.org.br)

A luta continua, diz ex-guerrilheiro do Araguaia

Ex-combatente da Guerrilha do Araguaia, Michéias Gomes de Almeida, 71, mais conhecido como Zezinho do Araguaia, diz que para ele a luta continua. "Para mim a guerrilha ainda não acabou. A guerrilha só vai acabar quando houver respeito ao ser humano, quando houver liberdade para as pessoas", afirmou.

Ele conta que viveu cerca de 33 anos na clandestinidade após fugir da região da guerrilha, em 1975. Neste período, Almeida afirma ter utilizado mais de 80 codinomes e chegou a casar com o nome de Antônio Pereira de Oliveira, por medo de ser reconhecido.

Somente agora, mais de 30 anos depois, o ex-guerrilheiro comemora a mudança do nome na certidão de casamento. Ele diz que fará outra cerimônia de casamento, agora com o nome real. A festa ainda não tem data para acontecer.

Para Almeida, não é possível dizer que a guerrilha do Araguaia acabou enquanto a história do período não estiver esclarecida e os corpos identificados. "'O meu esforço está concentrado em identificar os que já estão exumados."

Ele reclama da demora em identificar os corpos retirados em 2001 pela expedição que participou. "Existem corpos para serem identificados e agora estão buscando mais corpos para a coleção da não identificação."

Segundo o ex-combatente, foram resgatados na época seis corpos e uma cabeça, que teriam sido retirados com nome de um cemitério da região. Ele defende que a identificação, nesses casos, não dependeria de DNA.

“O primeiro a identificar a Maria Lúcia [Petit] foi [o médico legista] Badan Palhares, e não foi por DNA. Por que cargas d'água querem identificar apenas por DNA, que representa 4% de todas as identificações realizadas no mundo, porque desconsiderar outros métodos?", questiona. Ele afirma que a guerrilheira foi identificada por pertences que estavam com ela.

Almeida diz que manter os corpos sem identificação seria mais um crime, agora contra os familiares dos desaparecidos. "Quem são essas pessoas responsáveis por essa tortura com os familiares? É uma pergunta, porque vilipêndio é crime, e isso não é outra coisa, é vilipêndio", afirma.

"Aquelas famílias morreram sem ver seus entes queridos exumados e com identificação", comenta, ao dizer que acompanhou com tristeza a redução, ao longo do tempo, no número de famílias que acompanhavam as buscas.

Para Almeida, a questão não é somente encontrar os ex-guerrilheiros, mas sim todos os que participaram da batalha. "Quando eu ando procurando os meus companheiros, estou buscando também achar onde estão enterrados os soldados e os camponeses. Porque as famílias deles sofrem tanto quanto as famílias dos guerrilheiros", afirmou.

Almeida afirma que é preciso mais inteligência e novas formas de combate para elucidar este período da história e na luta pela punição dos responsáveis por crimes de tortura e assassinato.

"Nós fomos para a luta armada porque não tínhamos outra opção. Agora, eu tenho a obrigação e o dever de sugerir alternativas. Nós estamos perdendo tempo e temos que ter um pouco mais de perspicácia nessa luta."

Na opinião do ex-combatente, também é importante ouvir o depoimento de todas as pessoas ligadas ao período, o que significaria a verdadeira abertura de arquivos. "Aqueles que estão aqui, que participaram de todas as etapas, soldados, estudantes, operários, esses são os verdadeiros arquivos."

Para ele, os depoimentos facilitariam as buscas, além de revelar naturalmente informações que estariam até hoje ocultas. "Os arquivos que estão nos armários perderão valor quando as testemunhas falarem sobre o assunto e isso abriria os arquivos que estão no armário sem pressão."

Ainda tem quem ache exagero, divulgar e aplaudir a genialidade poética, lírica e artistica de Belchior?


Elis imortaliza uma das maiores canções da nossa MPB. E tem muito mais obras primas de Bechior imortalizadas por Roberto Carlos, Erasmo, Elba Ramalho, Antonio Marcos, Zé Ramalho, Jair Rodrigues, Los Hemanos, Engenheiros do Havai, Fagner, Ednarno, Jessé, Toquinho, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Vanusa, Osvaldo Montenegro e muito mais.

Emir Sader: Estado, governo, partidos, democracia

O Estado brasileiro é hoje mais forte, não porque menos democrático, mas porque muito mais democrático, mais integrador, mais provedor de direitos, mais reconhecido no exterior e dentro do Brasil...Dispõe de mais pessoal e mais qualificado, melhor remunerado, depois de ter passado pela sua demonização, pela desqualificação do servidor público e diminuição pelas políticas de Estado mínimo do governo da tucanalhada-demoníaca.

por Emir Sader

A campanha eleitoral da oposição - tendo sua comissão de frente nas empresas privadas da mídia - concentra seu foco de supostas denúncias em um tema central: o governo confundiria o Estado com o governo, apropriando-se do Estado em função dos partidos que o apóiam. O jornal da família Frias chegou a colocar como manchete na sua primeira página que “O governo se reserva tal porcentagem do pré-sal”, como se se tratasse de uma apropriação por parte de governo de receitas de um projeto de enorme transcendência, que mobiliza grande quantidade de recursos, para seu proveito, em lugar de fazê-lo para o Estado brasileiro.

Confusão faz essa imprensa despreparada teoóricamente e mesquinha politicamente, ao não se dar conta de como os destinos do Estado brasileiro estão em jogo na repartição dos recursos do pré-sal, não se tratando apenas de um problema de um governo de turno. Mas quando se trata de manter de pé campanha sistemática de acusações a um governo que, apesar disso ou talvez até mesmo também por isso, goza de mais de 80% de apoio da população, vale de tudo, pelo próprio desespero de não ver refletir nas pesquisas de opinião, o tempo, os espaços e o papel gasto na até aqui inglória luta contra o governo.

Para começar: o Estado brasileiro, no governo Lula, é muito mais democrático do que antes, em qualquer outro governo. Em primeiro lugar, porque atende as reivindicações de um numero incomparavelmente maior de pessoas do que qualquer outro governo. Atende seus direitos a emprego formal, a acesso a bens fundamentais, a escola, a habitação, a saneamento básico, a créditos, a energia elétrica, entre outros direitos elementares, mas que foram sempre negados à maioria da população.

Como conseqüência, o Estado integra a setores majoritários do povo, que nunca antes tinham se sentido participantes do Estado, do que é expressão o fato de mais de 80% da população apoiar o governo, não ocasionalmente, no momento de um plano econômico qualquer – como em momentos do Plano Cruzado do governo Sarney ou do Plano Real do governo FHC – mas estavelmente, no sétimo ano do governo, quando FHC tinha apenas 18% de apoio e Sarney algo similar.

O Estado dispõe de mais pessoal e mais qualificado, melhor remunerado, depois de ter passado pela sua demonização, pela desqualificação do servidor público e diminuição pelas políticas de Estado mínimo do governo da tucanalhada-demoníaca.

As empresas estatais são mais fortes e mais eficientes hoje. Tome-se o exemplo da Petrobrás no governo atual, em comparação com ao que tinha sido reduzida – “Petrobrax” – no governo FHC. Os levantamentos do IPEA revelam como o serviço publico é mais eficiente que as empresas privadas, como mostra da melhoria do Estado no governo atual.

A diminuição significativa do superávit fiscal, o freio nos processos de privatização – que previam a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Eletrobras, nos acordos assinados com o FMI na última das três crises com que o governo FHC vitimizou o Brasil fortaleceram o Estado.

Ao contrário dos governos tucanos, como o de Serra, que seguiu adiante as privatizações e, não fosse o Banco do Brasil ter comprado a Nossa Caixa, a teria vendido ao capital privado, como os tucanos tinham feito com o Banespa vendido a um banco estrangeiro, o Santander.

O Estado brasileiro é muito mais forte, porque muito mais respeitado no exterior, tanto na América Latina, como no conjunto do mundo, como se vê pelo prestígio de Lula, em comparação com a penosa imagem projetada por FHC e seus tristes ministros de Relações Exteriores.

O Estado é mais forte porque recuperou sua capacidade de indução do crescimento econômico, como se viu muito claramente na capacidade do governo e dos bancos públicos de promover a recuperação econômica do país na atual crise, muito maior do que qualquer uma que o governo FHC tenha vivido e, no entanto, o Brasil sai dela mais forte, ao contrário das anteriores, em que – como no caso da crise de 1999 – o país saiu enfraquecido – com as taxas de juros próximas de 50%, com o desemprego em níveis altíssimos, com um descontrole inflacionário, com um aumento exponencial da divida pública, com uma recessão de que somente o governo Lula pôde fazer com que saíssemos da crise.

O Estado é mais forte justamente porque o governo não confundiu governo e Estado. O governo é um instrumento de fortalecimento do Estado, mediante políticas de interesse nacional – como as políticas sociais, educativas, culturais, econômicas, a política externa independente, entre tantas outras – e não para atender interesses privados – como as escandalosas privatizações de FHC, que dilapidaram o patrimônio público ou como a privataria educacional que promoveu as faculdades e universidades privadas em detrimento da educação publica, universal e gratuita.

O Estado é mais forte, porque arrecada mais e melhor, canalizando recursos para o crescimento econômico e as políticas sociais. Porque diminuiu as taxas de juros, diminuindo a remuneração ao capital especulativo e a transferência de renda ao capital financeiro.

Assim, o Estado brasileiro é mais forte, não porque menos democrático, mas porque muito mais democrático, mais integrador, mais provedor de direitos, mais reconhecido no exterior e dentro do Brasil.

O Estado governa com os partidos que apóiam o governo Lula, um governo submetido pelos dois maiores plebiscitos públicos – as eleições de 2002 e 2006 -, em que, mesmo tendo a ditadura das empresas privadas da mídia contra, contou com o imenso apoio popular, que só cresceu desde então. Governa, portanto, com a delegação da grande maioria do povo. A oposição queria que ele governasse, como no governo FHC, com representantes diretos do grande capital, dos bancos, das corporações privadas, da mídia oligárquica, do capital estrangeiro.

Os governos estaduais dos outros partidos – como o de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul – foram sistematicamente sabotados pelo governo FHC, ao contrário do governo Lula, que compartilha os recursos federais com governos da oposição, como os governos tucanos de São Paulo e de Minas Gerais, com governadores pré-candidatos à presidência pela oposição ao governo.

O Estado é mais forte no Brasil no governo Lula, a democracia é mais forte, porque o governo as promove como seus objetivos centrais. Passado o circo midiático, fica claro que foram os tucanalhas-demoníacos, que debilitaram o papel de controle tributário, favorecendo a sonegação fiscal como nunca no Brasil.

Um Estado forte é um Estado democrático, reconhecido e apoiado pela grande maioria da população. É um Estado que implementa políticas de caráter nacional, de interesse público, promovendo a prioridade das questões sociais e não a ditadura econômico-financeira de Malan-FHC-Serra.

O Brasil precisa ser mais democrático e não menos, como quer a oposição, adepta do Estado mínimo e dos cortes dos direitos sociais. O Brasil precisa reformar profundamente o Estado, não como quer a oposição, para deixar mais espaços para o mercado, mas para torná-lo efetivamente um Estado de todos e para todos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O PT frente a crise do Senado

Apresentamos aqui uma proposta de avaliação dos acontecimentos recentes no Senado que tiveram como resultado um importante desgaste do PT frente a opinião pública democrática. Como somos parte da direção e assumimos nossas responsabilidades, com essa avaliação não buscamos “culpados” nem “inocentes”, mas tirar lições para melhorar nossa intervenção partidária na luta política em curso.

Para já deixar claro, de início, não estamos confundindo opinião pública com opinião “publicada”. Boa parte dessa, como sabemos, tem atuado sistematicamente com o objetivo de desmoralizar o PT e viabilizar uma alternativa de direita na sucessão de Lula. De outro lado, estamos, sim, falando da opinião de setores democráticos atentos à política, que consideram necessário mudar o funcionamento do Congresso e, agora em especial, do Senado. Ao nosso ver, o desgaste do PT frente a esses setores aconteceu porque o PT não conseguiu apresentar uma posição alternativa aos dois blocos conservadores que se formaram em torno à continuidade ou não de Sarney na presidência da “Casa”. E com isso, o PT ficou submetido ao jogo liberal que exclui mudanças significativas na forma e no conteúdo do parlamento no Brasil.

Para nós, o posicionamento do PT deveria compreender:

a) o enfrentamento do objetivo explícito da oposição liberal de derrotar o setor do PMDB que mantem relação de apoio ao governo e colocar no seu lugar, no comando do Senado, o PSDB. Com isso a oposição liberal obteria um posto importante para fustigar o governo e, adicionalmente, buscaria usar esse posto para perfilar o PMDB com a sua candidatura presidencial. O PT adotou uma posição realista necessária, mas essa posição mostrou-se insuficiente para a luta política em curso no Brasil;

b) por isso mesmo, nossa posição deveria – e poderia – cumprir outro objetivo igualmente central: fazer avançar a luta pela reforma política, em especial naquilo que implica o Senado. Isso era – e continua sendo – possível porque as denúncias de privilégios “senhoriais” atingem não apenas o Senador Sarney mas praticamente toda a instituição.

Porque não colocamos em discussão o funcionamento de conjunto do Senado?

Além disso, também era – e continua sendo – possível demonstrar o caráter conservador do Senado com seu poder revisor sobre as decisões da Câmara dos Deputados. Essa situação, clara hoje para toda a nação, atualiza um debate presente no PT desde há muito tempo, inclusive com projetos de lei, que apresentam propostas concretas de reforma do Senado.

Por que não colocar isso em debate público? Há algum impedimento para que o PT acrescente à sua tática essa dimensão fundamental?

Pensamos que não nos dois casos.

E porque não fizemos?

A explicação está muito mais na auto-limitação política que o PT tem adotado desde que assumiu o governo federal. Se é claro que o PT deve defender o governo e adotar as táticas necessárias para encaminhar essa posição, daí não se pode deduzir uma omissão na luta política democrática em nosso país. Caso contrário, condições defensivas tendem a se impor e a cobrar desgastes desnecessários ao partido.

Essa postura tem custado um enorme atraso na democratização das instituições, porque o PT é a grande força política que pode liderar a luta pela reforma democrática do Estado com participação popular. Não há força que substitua o PT nessa tarefa central. E a credibilidade desta força na sociedade para encarar esta luta precisa ser preservada e cultivada a cada passo.

É sobre isso que devemos refletir.

Nossa tese ao debate interno da renovação das direções do PT intitula-se, significativamente, “Por um PT com voz firme e ativa”. Nela insistimos na necessidade de combinar três movimentos na formulação da ação partidária.

O primeiro é a defesa do nosso governo, o que, obviamente, é fundamental para avançar na luta pelo desenvolvimento em conjunto com a luta contra a desigualdade e a exclusão social. A continuidade desse projeto depende de construir maioria na sociedade para essa agenda – o que tem sido um processo vitorioso e tem se expressado no enorme apoio ao Presidente Lula. Depende também, por óbvio, de derrotar a frente de direita que se organiza para fazer o Brasil voltar aos tempos do neoliberalismo. Sem programa para o Brasil, a frente de direita tem se dedicado à exploração de pontos fracos da nossa estratégia política, sendo um deles a dependência de alianças com setores conservadores e de uma governabilidade estritamente parlamentar.

O segundo movimento programático que destacamos em nossa tese é aprofundar a luta pela igualdade social e pela sustentabilidade ambiental dentro do projeto de desenvolvimento para o Brasil.

A terceira frente – que fica realçada pela crise do Senado – é justamente a reforma política e a ampliação da participação popular. Entendemos que essas conquistas têm impacto direto no rumo de alianças mais coerentes com o nosso programa. Entendemos que há base social para isso. A ampla inclusão social promovida pelo nosso governo tem um enorme potencial democrático. Mas ela só se completa com a democracia política. E é preciso conquistá-la plenamente.

O Congresso, e o Senado em especial, tem ficado de fora destas grandes mudanças no Brasil. As tentativas de reformá-lo por dentro, apenas pela via legislativa, mostraram-se inócuas. Por isso, o nosso Terceiro Congresso apontou o caminho da Constituinte Exclusiva para a reforma política, só conquistável por um forte movimento político com participação popular. É preciso incluir essa questão do Congresso na agenda democrática da sociedade, na agenda de hoje a 2010. Nossa plataforma para eleger Dilma, para ampliar a presença nos governos estaduais e crescer nossa representação parlamentar deve destacar decisivamente essa meta.

E, para nós, essa meta é indissociável da conquista da democracia participativa em uma nova etapa de governo nacional do PT. Já avançamos muito no diálogo entre governo e movimentos sociais (criminalizados na era FHC e nos governos atuais do PSDB); avançamos na democratização das políticas públicas. É hora de avançar na esfera da participação pública na definição dos temas nacionais, como o Orçamento (onde o PT desenvolveu experiências vitoriosas de orçamento participativo).

Essas teses buscam retomar o protagonismo político do PT. E buscam realizar esse avanço em um marco de debate plural, de unidade partidária, e de presença na luta política em cada conjuntura.

Eloi Pietá e Carlos Henrique Árabe, membros do Diretório Nacional do PT

Comissão rejeita união estável entre casais gays

BRASÍLIA - A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara aprovou nesta quarta-feira uma nova versão do projeto de lei que regulamenta a união estável. O texto exclui do reconhecimento jurídico os casais homossexuais. A proposta ainda passará por duas outras comissões antes de ser votada em plenário e seguir para o Senado.
O projeto foi alterado pelo deputado José Linhares (PP-CE), que considera que a entidade familiar é necessariamente composta por um homem e uma mulher. Linhares, que é padre, avalia que a polêmica continuará, mas torce para que as relações homoafetivas fiquem fora da lei. Para ele, não há rejeição da realidade, mas a fixação de regras.
- Quem tem direitos adquiridos não irá perdê-los. Um homem que vive com seu companheiro, por exemplo, poderá continuar e será respeitado. Mas eles ficam lá, não teriam legitimidade jurídica - disse.
- Essas relações não constituem a célula natural de uma família. O ser humano depende da presença afetiva de uma mulher e um homem. O pai e a mãe são figuras basilares da nossa existência. Não existe um pai mulher ou uma mãe homem.
Linhares removeu do texto o conceito do "divórcio de fato" (separação por mais de cinco anos). A nova proposta revoga explicitamente a lei 8.971/94, que exige a convivência de cinco anos para o reconhecimento da relação, alvo de controvérsia jurídica.

"Toda forma de amar e amor vale a pena". Viva a união estável de quem assim quiser























Imagem do longa metragem onde o ator Rodrigo Santoro interpreta um homessual ao Lado de Jim Carrrey. O filme é I Love You Philip Morris. Abaixo o preconceito.

Mantega: Acusação de servidores ligados à Lina é balela para esconder ineficiência

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira (26) que é uma "balela" dizer que a Secretaria da Receita Federal não estaria fiscalizando os grandes contribuintes.

"É uma balela dizer que não estamos fiscalizando os grandes contribuintes. Há mais de 10 anos existe um programa de fiscalização de grandes contribuintes que foi reforçado ao meu comando", disse ele a jornalistas. "É uma desculpa para encobrir ineficiência", acrescentou.

Mantega disse ainda que pediu para que fosse reforçada a equipe que fiscaliza os bancos do país que, segundo ele, estava "carente".

Servidores ligados à ex-secretária Lina Vieira pediram demissão alegando que governo estaria tentanto reduzir a discalização sobre grandes contribuintes, supostamente iniciada por ela - informação que foi desmentida não só por Mantega como também pelo ex-secretário do governo FHC, Everardo Macial.

Mantega disse nesta quarta-feira que os servidores já seriam substituídos, porque, segundo ele, isso é "normal" quando há troca no comando.

O ministro da Fazenda disse ainda que, caso estes servidores que foram exonerados de seus cargos de confiança "vazem" informações consideradas "sigilosas", que eles serão responsabilizados. "Se houver vazamento de informações sigilosas, serão responsabilizados. É um crime. Terá consequências severas", afirmou.

Mantega negou ainda que haja uma crise instalada na Receita Federal, órgão responsável por arrecadar tributos e fiscalizar contribuintes. "Está tudo na normalidade. A Receita Federal está funcionando sim. Está se criando uma idéia de que há confusão. Mas está funcionando na normalidade", disse o ministro.


O PMDB pediu com gosto.

O PMDB fez uma pauta de exigências um tanto quanto que extensa no plano político nacional ao PT. Achei muito longa e apetitosa. Não acho que o PMDB esteja com pouco espaço. Pelo contrário. Sei e reconheço, é um grande partido, importante na sustentação do governo Lula, mas que foi um pouco exagerada a pedida foi, isso foi.

Aconteceu em 27 de agosto. Um dos momentos mais extraordinários da nossa história.


















Brizola inspeciona metralhadora em Porto Alegre

Os ministros militares vetam a posse de Jango na presidência. Leonel Brizola, gov. do RS, afirma que garante a posse "a bala, se for preciso". O min. da Guerra manda depô-lo, mas o comando do 3º Exército desobedece. Começa a Campanha da Legalidade, com centro no RS.

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Genoino defende o PT e critica macartismo da mídia

O deputado José Genoino (PT-SP) criticou nesta quarta-feira (26) editorialistas e articulistas de parte da mídia por estarem provocando um “debate macartista” a respeito da posição do PT na crise que envolve o Senado. O parlamentar desafiou esses setores da mídia a efetuarem um debate sobre reforma política, que inclua itens como o papel revisor e uma mudança estrutural do Senado, além de uma reforma administrativa na Câmara.

Mas o debate, alertou, não deve ser pelo caminho da demonização das pessoas. “ Muitos demonizam a política para não fazer a reforma estrutural. “Nós queremos fazer uma reforma estrutural e temos clareza de que é uma necessidade — e esse é um compromisso do nosso partido”.

Segundo disse, o novo protagonismo internacional do Brasil e os avanços econômicos e sociais internos incomodam muita gente, provocam “ódio na velha e na nova oposição partidária e, principalmente, em segmentos da mídia”.

Genoino rebateu a tese de articulistas de que o presidente Lula estaria “tratorando” o PT. “Esses críticos não entendem que nós construímos uma maioria política para disputar a eleição e que há os sujeitos políticos. Não existe Lula sem PT e nem PT sem Lula. São duas faces da mesma moeda e do mesmo projeto, movimento social, governo”, disse. Segundo Genoino, esses analistas não entendem a história de 29 anos de construção do PT.

Ao se referir à posição do partido de votar pelo arquivamento das representações em relação ao presidente do senado, José Sarney (PMDB-AP) e ao senador Arthur Virgilio (PSDB-AM), Genoino declarou: “O que estava em jogo no Senado era o domínio político daquela Casa para ali se construir um bunker de oposição ao governo do presidente Lula”, disse Genoino.

Genoino assinalou o projeto estratégico de esquerda do PT, com suas propostas e projeto de futuro, bem como os avanços que o Brasil tem alcançado desde 2003, com o governo Lula. “ O PT tem um projeto, que pode ser muito bem simbolizado pelo lema: "Mais Brasil para mais brasileiros", que é o que estamos realizando no governo Lula”

AVANÇOS- O vice-lider da bancada do PT citou vários dados que atestam os avanços do País e o acerto do governo do PT e aliados na condução do enfrentamento dos reflexos da crise internacional iniciada no ano passado. Lembrou que, para 2010, projetam-se crescimento da economia para 2010 da ordem de 4%; que se somam a outros indicadores positivos: inflação abaixo de 4,5%; juros de um dígito; ausência de dívida externa; reservas recordes; redução significativa da dívida interna; ampliação do investimento para 13,2% na massa salarial; queda de 8,7% para 8% do desemprego; aumento de 4% do consumo das famílias; aumento de 8% nas vendas do varejo; aumento real de 10% no salário-mínimo; 13 milhões de aposentados com aumento real dos benefícios; 12 milhões de beneficiados pelo Programa Bolsa Família.

“Estamos mudando o Brasil, é o projeto do PT, que dirige a economia com competência e garante gestão das estatais com competência”, afirmou Genoino. Citou o êxito do Banco do Brasil, da Petrobras, da CEF, BNDES, entre outras empresas oficiais. “Estão aí a revitalização da universidade pública, a criação de universidades federais, a realização de concursos públicos, as escolas técnicas, os investimentos na área da saúde”, assinalou.

Genoino frisou que a gestão empreendida pelo governo do PT tem caráter republicano, rechaçando assim acusações da oposição e de parte da mídia sobre um suposto “aparelhamento” da máquina pública. “ A Receita Federal tem autonomia. E olhem bem, pasmem, quando a Lina Vieira (ex-secretária da Receita) foi indicada,disseram que o PT estava aparelhando, agora ela saiu, foi demitida, estão dizendo que o PT quer aparelhar”, declarou o parlamentar.

Ele ainda citou o importante papel do Brasil na integração sul-americana, na relação com os países emergentes e nas negociações, autônomas, com os países desenvolvidos. Genoino observou que o Brasil tem participado ativamente do processo de reestruturação das instituições multilaterais. A presença do Brasil dá orgulho, é uma presença afirmativa, é uma presença que dá o papel protagonista”, completou.

Alianças

José Genoino apontou também incongruências da mídia e da oposição, que antes criticavam o PT por não fazer alianças e, agora, condena o partido por adotar essa prática.

“As alianças são meios. São necessárias para que na democracia exista maioria política no Congresso e na sociedade, além de serem um meio para viabilizar os projetos estratégicos e as políticas públicas essenciais. Foi assim que votamos na Câmara as medidas necessárias para enfrentar a crise, assim como também votamos no Senado Federal”, afirmou.

Ele estocou a oposição também por estar se omitindo em relação às tratativas do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de tentar conseguir um terceiro mandato. “A imprensa (brasileira) está calada, não tem editorial, e a oposição também está calada”. Segundo Genoino, se a iniciativa fosse tomada pelos presidentes Rafael Correia (Equador) ou Evo Morales (Bolívia), “haveria aqui estardalhaço de crítica, o que ficou conhecido como populismo autoritário”.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Estou ou não um pouco mais gordo na charge?

Me deixaram um pouco gordinho, mas tudo bem. A prefeita é forte mesmo

Marcio Pochmann defende jornada de 12 horas semanais.

Enquanto nesta terça (25) pela manhã, na Câmara dos Deputados, trabalhadores e empresários não se coadunavam em torno da proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicadas (Ipea), Marcio Pochmann, surpreendia uma pequena plateia de professores e estudantes no Campus da Universidade de Brasília (UnB) com a seguinte afirmação: “Não há mais razão para se trabalhar mais do que 12 horas por semana.”

O economista participou do seminário da Comissão UnB 50 anos de Brasília que debateu o tema “Como será o trabalho no século XXI?”. Ele, que prevê uma jornada de quatro e apenas três dias por semana, diz que as condições para isso já estão colocadas.

Pochamann explicou que há o chamado excedente imaterial gerado pelo trabalho intelectual. “As pessoas não trabalham oito horas por dia, elas trabalham 24 horas, porque estão plugadas o tempo todo, gerando conhecimento que está sendo absorvido pelas empresas”, diz um trecho da palestra divulgada em matéria da Agência UnB.

Com o contingente maior de pessoas produzindo num ambiente de trabalho onde o setor de serviço é hegemônico - no Brasil 70% dos postos de trabalho já estão no setor contra um índice de 90% no mundo -, a redução da jornada passa a ser uma realidade.

O presidente do Ipea só alerta para o fato de que o trabalhador ainda não põe na sua conta o excedente imaterial, isto é, as horas em que permanece na empresa pensando como melhorar o serviço. Como isso ainda não é medido, a empresa se apropria.

Segundo Pochamann, no campo educacional, a situação também terá que ser diferente. “A escola será para a vida toda, e vai ensinar para a vida, não para o trabalho (...) Temos que abandonar a escola utilitarista”, destacou Pochamann.

Pensamento utópico

Segundo a Agência UnB, Pochmann reconhece que essas propostas talvez representem um sonho utópico, que nunca se realizará. “Mas destaca que tudo isso são decisões políticas, que dependem da vontade da sociedade organizada para acontecer. E lembra que o Brasil, infelizmente, está no caminho contrário.”

“Estamos cada vez mais ignorantes. De cada dez jovens com 18 a 24 anos de idade, apenas um está estudando”, diz Pochmann, criticando a ida cedo ao mercado de trabalho por causa da falta de condições da família em manter os jovens na escola.

Pelos cálculos do economista, existem estudante com jornada de 16 horas, isso levando em conta as oito horas no emprego, quatro na faculdade e quatro para o deslocamento. “É uma jornada de trabalho igual a dos operários do século XIX. Como é que alguém vai ter tempo de ainda abrir um livro? Estudar e trabalhar não combina.”

Lula: Só há crise política porque não houve colapso econômico

"Agora intentam, artificialmente, substituir o colapso econômico que não aconteceu por uma crise política que só a eles interessa e a ninguém mais nesta nação", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento no ABC Paulista. Sem citar nomes, Lula defendeu ponto por ponto sua política econômica, inclusive as expressões "espetáculo do crescimento" e "marolinha", e alfinetou a imprensa brasileira".

Mantega: com recuperação econômica, Brasil terá novo ciclo de desenvolvimento

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou nesta segunda-feira (24) sua avaliação de que a economia brasileira está deixando a crise de forma antecipada e previu que o Brasil deve terminar o ano com de 600 mil a 800 mil novos empregos.

Em uma exposição sobre como o país enfrentou a crise econômica global, o ministro reafirmou que a economia brasileira estava bem preparada antes do abalo global e que por esse motivo o país é um dos primeiros a exibir uma recuperação.

"O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Já estamos deixando para trás os índices negativos de crescimento", afirmou Mantega durante abertura de um seminário econômico.

"Já estamos no limiar de um novo ciclo de desenvolvimento. Tivemos um ciclo de 2003 a 2008 e estamos preparados para outro", disse o ministro, acrescentando que apenas 32% da população brasileira sentiram os efeitos da crise.

De acordo com o ministro, a inflação este ano ficará abaixo do centro da meta do Banco Central, que é de 4,5% e tem margem de tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Ele também afirmou que déficit nominal no final do ano será de 2,2% ou 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Mantega disse ainda que o Brasil está entre os países que menos precisaram gastar em pacotes de estímulo econômico para sair da crise e citou o volume das reservas internacionais para exemplificar a recuperação da economia. Segundo ele, o país entrou na crise com US$ 250 bilhões em reservas internacionais e este mês chegou a US$ 213,7 bilhões.

O ministro também voltou a creditar a expansão do crédito por parte dos bancos públicos como fator importante para ajudar o país a sair da crise, na contramão dos bancos privados, que, segundo o ministro, "foram conservadores" na oferta de crédito.

"Se não fossem os bancos públicos, a recuperação da economia brasileira teria sido muito mais demorada", afirmou.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

“Belchior apareceu”

O meu lugar é onde você quer que ele seja não quero o que a cabeça pensa quero o que alma deseja


Não foi muita surpresa para mim, essa “incerta” como disse que faria o próprio Belchior a “um amigo seu” (e acho que não era o analista) divulgada amplamente na mídia desde o domingo 23 de agosto. O nosso genial cantor, compositor, poeta, calígrafo, dentre outras peripécias “rapaz latino americano,” não de caso pensado, sem exigir de mente tão irônica e irreverente, “cortante como uma faca” bom comportamento, na verdade não desapareceu e sim apareceu.

Até que fim. Ufa! Justiça seja ou sendo feita?A matéria foi gerada pela sua ausência óbvia da “alucinação do dia-a-dia” marcada por centenas de shows (para o nosso deleite), vida agitada e intensamente produtiva. Diante desse “procura-se” quase que desesperado do nosso “abandonador, réu confesso de lares” me atrevo a escrever sobre seu aparecimento e nunca paradeiro. Alguém se atreveu a ir além do “shopping Center” ou procurá-lo no “escuro do cinema”?

Não me atreverei a localizá-lo, “neste presente instante”, pois “não gosto que me sigam” já disse certa vez nosso rebelde e com muita causa “lido e corrido” que foi e é nos cabarés da vida, no “vivenciar o sol e não o dia ou a lua e não à noite”. Não nos preocupemos “o anjo do senhor de quem nos fala o livro santo não o convidou para uma cerveja”. Quero nestas linhas mal traçadas, pelo menos colaborar mui humildemente, pois “conheço o meu lugar” a não deixar que eles “cantem vitória e levem flores para cova do inimigo”. Ajudar na retratação “do nosso marginal bem sucedido” é o mínimo que posso fazer com Belchior. Voz vinda da alma que nos antecipou em seu lirismo único, sofisticado, simples, profundo, elegante, filosófico e “cantado pelo povo” “o cheiro da nova estação” sem nunca querer ser “voz única do que é novo”.

Por dever de ofício e ao propor ao então vereador professor Pinheiro hoje nosso vice-governador, que solicitasse a Augusta Câmara Municipal de Fortaleza que outorgasse o título de seu cidadão ao nosso rapaz “latino-americano” me “aproximei de Belchior”. Como admirador profundo da sua produção cultural e não como fã. Já ouvi irônica e dura resposta a uma “carta” de alguém que assim se reivindicou. Acho justo, portanto ajudar, não no “procura-se” ao Sr. Antonio Carlos Gomes Belchior Fonteneles Fernandes, mas no fazê-lo presente em quem ou aonde não o encontrávamos e deveria estar.

Preconceito, desconhecimento ou pelo tratamento “quase honesto” dado pela nossa grande mídia, enfim, de fato havia para sermos justos, uma injustiça a obra extraordinária do cearense Belchior, reparada por caminhos não muito floridos por “Ypês” ou “gente jovem, consciente reunida” na matéria de um desse domingos em um programa de variedades da maior emissora de TV do país. Foi na base de certo sensacionalismo apelativo peculiar a nossa mídia, “cumprindo o seu dever, defendendo seu amor e nossas vidas”. Por caminhos tortos, talvez tenha se escrito realmente certo. Vamos aguardar um pouco mais.

Juntando sonhos, sons, abraços e canções, estou atrevidamente com um projeto de escrever uma biografia do rebelde em questão nesta missiva. Sem dúvida "procura-se" ou “encontra-se” Belchior será um capítulo muito especial deste livro, de muitas aventuras, lirismo, poesia e genialidade.

Nada de caso pensado, bater perna no mundo faz parte da alma libertada conquistadas por artistas e experimentadores. De alguma maneira, por caminhos inesperados o “sumiço” o reconduziu para "ilustres desconhecedores" ao patamar de onde nunca saiu para quem o acompanha. Sua produção artística, sem comparar “com um ou outro” gênio da nossa MPB (“quem dera fosse eu, um Chico, um Gil, um Caetano cantaria todo ufano os anais da Guerra Civil”). Cada um com seu canto, no "seu espaço e canto".

Belchior está (e de fato esse reconhecimento o é devido) no seleto grupo dos maiores cantores, compositores, poetas e intelectuais da língua portuguesa e do mundo latino. Chico, Gil e Caetano, extraordinários e não menos geniais explodiram durante o auge da ditadura. Belchior um pouco depois, nos seus estertores a volta do exílio e a abertura. Não há descrição mais profunda deste tempo com cheiro de “coisas novas” e algumas velhas ameaças autoritárias, no seio do que “novo que sempre vem”. Os antecessores foram legitimamente sem exageros (tentei explicar um dos motivos acima) mitificados e cultuados, devidamente por justiça permaneceram na mídia por vários motivos, para além do desqualificante “souberam cavar mais espaço”. Justiça com eles. Inegavelmente “bárbaros”. Injustiça com o nosso querido e não menos “bárbaro goliardo” sobralense (teria nascido em Coreáu? “Pouco me importa, não eu não sou do sertão dos esquecidos”), literalmente cidadão do mundo.

A sensação de muitos era revelada na pergunta feita a mim e a muitos que acompanham a carreira de Belchior, ele parou de produzir? Só tem esse pouco mais de 30 clássicos (como se fosse pouco diante do massacre do “lixil cultural S.A”). Nunca em tempo algum., Belchior não para, recordista disparado de shows no país, musicou divinamente em tempo recente 33 poemas de Drummond, compôs “bossa em palavrões” uma obra de arte, passeou na MPB de Marina a Chico Buarque, Roberto Carlos em “Vício Elegante” (pioneiro em regravar “bregas cults” com Aparências, bem antes de Caetano revisar Fernando Mendes).

Boicote, preconceito, mas que estamos nos referindo a um gênio e de uma obra genial que não deixa nada a desejar aos aqui citados e tantos outros, não podemos ter dúvida. Sem comparar qual é o melhor, ou escolher o “número um” em um mundo de bilhões (lógica individualista que sustenta essa coisa absurda chamada capitalismo). Isso não existe, não falo aqui de preferências e sim de coerência, justiça e reconhecimento (coisas raras nesses dias de gente “sem pão e daqui a pouco sem circo”. Acho que para um setor de classe média virou “cult” e passou a ser “chiq”, mesmo sem conhecê-los profundamente, falar superficialmente e dizer que gosta dos gênios Chico, Caetano e Gil. O simbolismo verdadeiro de resistência a ditadura, a qualidade inegável de suas obras, a ocupação da mídia, tudo isso é legitimo e justifica a maior visibilidade do trio. O “desaparecimento” de Belchior foi injustificado. Bom ter “aparecido”, ‘viver o humor das praças cheias de pessoas” para inaugurar a vida inteiramente livre e triunfante.

Belchior filosoficamente canta a “solidão das pessoas nessas capitais”, as coisas mais profundas desse país, a volta do exílio, “flores de um “68” não realizado, a abertura política, o país que se avizinhava pós-ditadura, o sexo (Sensual), imortalizada por Ney Matogrosso. Conhecem? Os dramas dos retirantes, da juventude, dos indígenas, os dramas nas grandes cidades, o homossexualismo (De primeira grandeza), os dramas e as paixões populares e a violência da noite e a barbaridade neoliberal (Bahiuno) com 500 de quê? Tudo novo e fantasticamente elaborado com a colaboração dos gênios da literatura universal e da alma portuguesa. Por favor, não me venha com o simplório e já batido “ele não tem produzido nada novo”. Já pensou. De fato ele não é xodó da grande mídia que hoje diz e dita o que é “novo e bom”. Estamos em maus lençóis. É melhor ser “fora da lei e procurado” mesmo.

A outro fator importante em que acho residir um pouco de não ser Belchior um dos “queridinhos” dos donos da nossa mídia por democratizar-se permanentemente. O “rapaz latino” continuou áspero com a “ordem”, sem parentes importantes e sempre lembrando “a inexistência dos sertões”. Os outros também, mas bem menos. De todos de maior expressão do que chamamos de MPB ele continuou nas letras e na forma de agir rebelde, quase um alternativo cantando bem menos nas maiores e mais caras "casas de espetáculos" do Brasil e muito mais em "primeiros de maio", presídios, pequenos festivais de músicas, calouradas ou em cima de uma “Kombi” em Sobral.

Continuar “com o pé na estrada”, a ausência de superprodução e a manutenção de shows públicos ou a preços populares, em qualquer “buraco” para alguns incautos o tirou a aura de gênio, para uma legião incontável de fãs o tornou mesmo que ele não tenha a intenção (acho que talvez não tenha tido mesmo) o ultimo bastião dos que não “passaram a viver e ser os mesmos que os seus pais,” uma espécie de ultimo rebelde da MPB. Acho isso fantástico. Como vive no capitalismo vende sua força de trabalho ganha seu dinheiro, se desgasta inevitavelmente “com um ou com outro” pela mistura inevitável dos negócios com artista. Infelizmente tem que ter a parte comercial e dinheiro tem a “pintura do diabo”. Talvez bater duro e insistentemente em alguns daqueles mais radicais contemporâneos de sua geração, que iriam mudar o mundo numa fração de segundos e logo, logo preferiram “vender a alma ao diabo”, “voltando pra casa para contar o seu vil metal”, tenha custado muito caro ao nosso rapaz latino-americano.

Portanto Belchior foi encontrado, ou melhor, reencontrado ainda “canta e requebra’ nos palcos pelo Brasil e no mundo afora em uma performance única , lírica, poética, popular e filosófica ao mesmo tempo. O Brasil que tanto canta em sua tropicalidade e vigor poético volta-se para ele, procura-o e o reencontra, como eterno estudante, pronto para novas “loucuras, chicletes e som”, com a “voz ativa”, sabendo “de que lado nasce o sol” pra viver “tudo outra vez” e restabelecendo seu lugar no pathernon dos grandes nomes da Musica Popular Brasileira. E não esqueçamos “as lágrimas dos jovens são fortes como um segredo podem fazer renascer um mau antigo”. Pois: “A voz resiste. A fala insiste: você me ouvirá. A voz resiste. A fala insiste: quem viver verá”.