sábado, 5 de setembro de 2009

"O Brasil pós Lula"

Achei inteligente a propositura apresentada pelo PSB em seu programa recentemente divulgado em cadeia de rádio e TV. Não é um debate inédito, óbvio, mas é válido pelo reforço que faz da necessidade de se pensar o Brasil “pós Lula” (ou seja, o passo seguinte após os dois primeiros governos do presidente Lula, podemos ter outros). Ficou claro pelo programa, que o período que se avizinha deve ser mais radical, popular e pela esquerda. Isso foi o que entendi da mensagem midiática dos socialistas. Radical sim, radical é ir cada vez mais à raiz dos problemas e o deputado Ciro Gomes (ancora do programa) falou em aprofundar as mudanças em curso no país. Aprofundar é ir ar raiz, ou não? Quem pode fazer isso? Que forças? Que sujeitos políticos e representantes democráticos são capazes de simbolizar e representar esse aprofundamento?
Nas eleições de 2010 será escolhido aquele ou aquela que representará melhor essa “radicalização”. Ciro Gomes tem avançado para a esquerda, critica ferozmente o neoliberalismo e “bate de frente” com alguns dos seus representantes (principalmente o baronato paulista), domina a pauta política, econômica, social e a conjuntura internacional e nacional. Não pode ser desconsiderado (separando-o um pouco do PSB, partido de esquerda com força ideológica e social inquestionável) de maneira alguma em qualquer movimentação política que ocorra no país.

Alguns laços ainda mantidos por conta de relações políticas construídas ao longo da sua vida pública tiram de Ciro Gomes a condição de simbolizar e expressar no momento, o “avançar” cobrado legitimamente do “3º governo” do projeto iniciado pelos dois mandatos presidenciais do petista Lula. Governos estes que não foram frutos de uma obra de marketing eleitoral e muito menos de um pacto com as elites brasileiras, é conseqüência da luta histórica do nosso povo contra a arrogância, o autoritarismo, o mandonismo, a concentração de renda, saber e poder que a burguesia sempre submeteu nosso povo ao longo da nossa história. Lula encarna na atual quadra política brasileira e em sua presente correlação de forças e grau de conscientização em que se encontra o nosso povo, o melhor símbolo de representação democrática da lógica inversa de como o país havia sido governado até a sua eleição para presidência da república em 2002.

Simbolizar o avanço desse processo significa superar ainda mais o já reailzado até aqui, aprofundar o seu viés socializante. Inclusive superando com o avanço da cidadania algumas relações políticas necessárias até então. Se para o PT isso não é algo fácil, imagine para Ciro Gomes, a quem respeito e acredito na seriedade das suas intenções. Suas relações políticas com os resquícios e alguns entulhos neoliberais, que tentam prejudicar o avanço progressista do Brasil, dificultam sua investidura simbólica como o herdeiro de um processo que exige maior radicalidade progressista.

Caso avance mais ainda e rompa com esse passivo, terá mais respaldo para a defesa do que entendi ser a mensagem do PSB em seu programa de TV, ou seja, aprofundar pela esquerda o processo em curso no país aberto com a eleição de Lula em 2002 e sua reeleição em 2006. Caso contrário sua defesa não se torna consistente e será questionada legitimamente pela relação extremante estreita com os neoliberais empedernidos Tasso Jereissati e Aécio Neves.

Não existe neoliberalismo sem neoliberais. Tasso e Aécio não são neoliberais? O talentoso político cearense encontrará dificuldades em propor avanços progressistas (colocará inclusive seu partido em dificuldades) se manter as alianças com os que “o puxam” na direção contrária ao ambiente de progresso que já nos reportamos, fazendo um movimento de reação, contrário, portanto reacionário.

Rompendo publicamente e construindo na prática relações políticas com o bloco “histórico da esquerda” terá maior chances de se apresentar como uma forte opção para esse “aprofundamento”.

Um exemplo interessante dessa “ambigüidade” foi o processo eleitoral de 2008 em Fortaleza. O apoio dado pelo deputado Ciro Gomes a candidatura (apoiada pelo PSDB do senador tucano Tasso Jereissati) contrária a candidatura que aglutinava a base aliada progressista e de esquerda do governo Lula, a mesma que elegeu Cid Gomes em primeiro turno em 2006 derrotando os candidatos apoiados ou do partido de Tasso ao governo e ao senado. Essa contradição real retira-lhe a simbologia objetiva, condição necessária para Ciro Gomes representar essa “radicalização” urgente e necessária, pois correto está em afirmar que sem ela não terá consolidação o projeto democrático e popular que vivenciamos.

Rompendo com Tasso e Aécio, ambos do PSDB, Ciro Gomes se fortalece, vejo sinceridade em sua leitura do Brasil e o desejo de colaborar com o país onde o poder econômico e político ainda é muito marcado pelo peso das elites. Nada mais coerente e socializante que devolver o poder em todos os aspectos, ao seu legitimo dono, ou seja, o nosso povo. Mesmo Ciro Gomes fazendo essas rupturas necessárias ainda vejo “o terreno” mais favorável para uma candidatura do PT como simbolizadora do aprofundamento e a radicalização necessária para o acerto de contas do país com o seu povo. Não somente pela “ambigüidade” aqui descrita que ainda carrega o potencial presidenciável do PSB, mas pelo lastro social, político e o enraizamento indiscutível que o PT tem em um país continental como é o nosso.

É, portanto um candidato ou uma candidata do PT que simboliza o avanço mais a esquerda do que já construído até aqui. Sem sectarismo e hegemonismo. Diálogo, tolerância e construção coletiva são condições indispensáveis para a unidade das forças capazes (não será apenas um partido) de impulsionar e aprofundar o projeto democrático e popular. A tese aqui defendida é de um nome que solidifique esta unidade. Não estou convencido que duas candidaturas da base é uma tática que nos fortalece, é cedo, mas sou adepto da unidade do bloco já no primeiro turno.

Acho o debate e a movimentação das outras forças progressistas e de esquerdas válidas, respeitarmos sua força, dialogarmos com franqueza e estarmos abertos as novas possibilidades (seguindo uma linha de coerência) surpreendentes que às vezes a política nos apresenta não pode ser desconsiderada. O sectarismo tem sido rejeitado pelo nosso povo. Não adianta a “auto-proclamação” do tempo novo é preciso “por a mão na massa”.

O PSB corretamente acertou no que deva ser o mote das eleições do ano que vem. Findados os oito anos de governo Lula, “beleza”, avançamos muito, não há comparação dos nossos oito anos com nenhum outro período da nossa história, mas para as transformações terem sustentabilidade e efeito duradouro é inevitável o acerto de contas com as elites brasileiras ainda muito longe de estar concluso.

Esse discurso ganhará as massas que compreendem o avanço em curso e diferenciam Lula e o seu governo do período de domínio elitista seja neoliberal ou não, mas sente e sabe que ainda falta muito para construirmos um país justo, democrático e com mais igualdade social.

O debate é salutar e sai do campo de nomes para o embate programático. A pergunta é: quem tem lastro social, político e ideológico para cobrar a fatura da burguesia brasileira com mais altivez e força? Acho que só o próprio povo, quem tem mais capacidade de reorganizá-lo? O PT rebaixou o programa para chegar ao governo. Sem recuperar (o seu programa) ficará difícil transformar o apoio ao Lula em apoio ao seu projeto de poder. Para sermos honestos com a história e a leitura correta e dialética da conjuntura, e não se trata de “bairrismo partidário”. É o PT hoje pelos motivos aqui já citados (se assim desejar, se não fizer cometerá um erro crasso) a força social e política que mais “enraizamento” conseguiu e ainda pulsa (não é a única, óbvio) no seio do proletariado e dos excluídos do Brasil.

Essa é uma boa provocação para o PT, que acho se quiser continuar como o aglutinador desses desejos, terá que ratificar não só no programa mais em ações governamentais “mais radicais” o avanço do povo sobre as elites. Caso não compreenda isso será vitima das conseqüências expressas no repetido ditado já batido no mundo da política de que nela “não existe vácuo".

À direita com Serra, Tasso, Aécio, FHC e DEM e o centro (fisiologista e sempre auxiliar da elite brasileira com honrosas exceções) estão batendo cabeça e não são alternativas para o povo. A extrema esquerda e alguns quadros políticos (que merecem nosso respeito e não podem ser desconsiderados) que deixaram o PT, por algumas divergências pontuais, algumas delas com certo grau de justeza, mais insuficientes diante de uma aplicação programática que não traiu seus princípios fundantes para justificar uma ruptura, não me parecem se constituírem alternativa e possuírem lastros populares e ideológicos suficientes exigidos pela radicalidade necessária aqui expressa. Isso não quer dizer que o projeto em curso não precise de celeridade e de mais radicalização, é isso que estamos apontando de forma clara nesta missiva. Quem não compreender isso não tem a dimensão exata da disputa de hegemonia em curso no país. Se avançarmos, estaremos de fato reescrevendo a história do Brasil para este e os próximos séculos.

Legitimamente são PT, PSB, PCdoB e os setores democráticos e de centro esquerda (incluindo ai parte do PMDB e partidos menores) a coluna vertebral dessa construção. É indubitavelmente, não por hegemonismo ou vocação centralizadora, pelo contrário, acho que ampliamos demais o arco de alianças (o projeto sente, recua em sua originalidade) o PT a força sem demérito de nenhuma outra, o pólo aglutinador do processo. É necessário porem que o PT esteja convencido disso. Só haverá transformação duradoura e popular no país, se houver enfrentamento com os privilégios das elites brasileiras e o grau elevado de controle que ainda detém da maquina de estado onde a burocracia, a falta de controle social e a sua lenta democratização, são aliados e pilares da sua sustentação. Superar essa lógica é condição indispensável para avançar no projeto, caso contrário, corremos o risco de sermos apenas “um hiato progressista, no secular domínio das elites brasileiras” sobre o poder de estado e o nosso povo.

Não tratamos aqui do mundo “privado” onde a burguesia gerencia com quase nenhum controle social boa parte da vida do país, possuem o “poder” de vida e de morte sobre nosso povo. Esse domínio vai desde as comunicações, passando pela iniqüidade da divisão da terra, na educação, na produção, enfim nas condições mínimas de igualdade e dignidade merecidas por qualquer ser humano.

Construirmos alianças programáticas, superando a sustentação “meramente parlamentar” (que nenhuma força de esquerda está isenta) que nem sempre, mas geralmente pela gênese da nossa república se sustenta em um fisiologismo que amarra os avanços progressistas (vamos avançar no orçamento participativo, conselhos e controle social).

Vamos construir a unidade das forças progressistas, democráticas e socialistas, nossa força brota das ruas, dos campos, dos palanques democráticos e libertários, essas são nossas trincheiras. O povo clama por essas mudanças, profundas, avançadas e socializantes. Nosso povo já sofreu demais sob a batuta das elites é hora de tomar a “direção da barca”. Vamos conversando, construindo a unidade popular ela é decisiva. Nela cabem todos e todas (as multidões e indivíduos) que sonham com o encontro do Brasil como seu povo, como muitos que nos antecederam e em muitos casos de forma generosa entregaram suas vidas para ver o sonho brasileiro de democracia e igualdade se realizar. O contrário já não nos cabe. Nosso povo ta sabendo muito bem o que quer, com liberdade e democracia edificará em nosso país continente uma página importante da construção de um mundo novo, dando sua contribuição para a duradoura, livre, democrática, igualitária e fraterna, primavera dos povos.



quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Mídia, camelôs e ordenamento do espaço público.

O que me deixa intrigado é que a denúncia que geralmente é correta e legítima feita pela mídia em relação à ocupação irregular do espaço urbano não se equipara o tipo de cobertura dada às várias ações que existem por parte da prefeitura de disciplinar o espaço público. Durante o ordenamento, sempre se valoriza o privado em detrimento do coletivo com um forte apelo em nome do cidadão sem emprego formal “que precisa trabalhar e isso é melhor do que roubar”, alguém é contra um desempregado trabalhar? De fato o argumento é quase sempre legítimo e verdadeiro, apesar de em muitos casos os grandes usarem os pequenos “para escoar sua produção”. A verdade é que em uma ação de ordenamento é difícil, é muito difícil não nos solidarizarmos “com quem está sendo prejudicado”.

Entrevistas com transeuntes, turistas, camelôs, “proprietários” na beira mar, praças e outros logradouros públicos que se "solidarizam" com o “potencial prejudicado” durante uma ação disciplinadora do espaço público transbordam aos borbotões. A imagem nos emociona e choca, somos seres humanos. Mas naquele momento seria decisivo e educativo (papel da mídia) dizer: o que está sendo feito é correto. Não falo da violência (não coloquem palavras na minha boca) falo de disciplinar o espaço público para ricos e pobres. Separando as coisas, vivemos em uma sociedade dividida em classes. Portanto um governo quando protege o público, está defendendo o povo e por tanto está sendo coerente com seu programa progressista e de esquerda. Sem peso na consciência.

Não se trata de algo simples, mas vejo que a prefeitura tem agido. Mas quando se disciplina a mídia (não toda, é bom que se diga) geralmente, ajuda a deixar as coisas como estão, criando ou reforçando o clima do privado (e não do individuo) sobre o público. É sempre um momento difícil e dramático. Potencializar nas coberturas dessas ações sob o ângulo do legitimo sentimento de solidariedade não deva ser o único elemento de analise diante de toda a complexidade da questão.

Prestem atenção e observarão esse comportamento. A cobertura da ação do ordenamento e ações disciplinadoras geralmente supervaloriza a dramaticidade que às vezes uma ação como essa ganha. O privado acaba se sobrepondo a necessidade correta, cidadã e coletiva do disciplinamento do espaço público. O que é passado em geral depois de muita cobrança pelo ordenamento e quando o mesmo acontece é que o cidadão é "vitima de uma maldade que está sendo cometida". Quem quer um conflito? Quem quer machucar alguém? Seria desonesto dizer que essa é uma orientação da atual gestão. Infelizmente em alguns casos se chega a uma situação limite em que a fiscalização tem que agir. O adiar permanente e o argumento de que não houve diálogo às vezes servem par que tudo permaneça como está. Em muitos casos houve diálogo, houve muita conversa, mas se chegou a um impasse. Nesse casso não tem como o poder público não agir.

Essas ações quase sempre mexem com fortes emoções e envolve algum grau de 'conflito' sobre o qual atual gestão tem uma orientação clara. A integridade física e psicológica das pessoas deve ser respeitada por principio e nunca a violência deva ser o meio para se resolver os problemas sócias (essa é a visão arraigada na elite brasileira, arrogante, autoritária e violenta com os pobres). O que não evita que se tenha um carregado clima “passional" nesses momentos de ação disciplinadora. Para quem tem seriedade e sentimento de justiça e respeito à vida humana com os que fazem a atual gestão, sempre é um momento de decisão e ação que requer cuidado e atenção. Mas há muitas ações disciplinadoras. O capitalismo e suas nuances faz brotar todo dia uma serie de relações desiguais inevitáveis em uma cidade do nosso tamanho e no ritmo de crescimento em que se encontra, e isso não é retórica. (os problemas também não surgiu nos últimos cinco anos) Somos uma metrópole nordestina em um país de capitalismo tardio. Esse não é um problema só da nossa capital. Não uso isso como desculpa, apenas com um dado concreto de realidade. Houve uma omissão grave no passado e dizer que isso é desculpa é outro erro. O passivo de equívocos deve ser creditado sim a que os cometeu.

A cobertura dada à reação do “individuo privado" sobe o público é que me intriga, diante de tantas e corretas e legítimas cobranças pelo ordenamento na hora fatal de fazê-lo, o “mundo desaba” em quem tem (estado personificado no gestor) que cumprir esse anseio e a necessidade real de ordenamento urbano. Estou cansado de ver matérias onde se entrevista só o turista na beira-mar e os ambulantes em prantos, greves de fomes ajudando na passionalidade e "emocionalizando" o tema em questão. O que quero dizer, a cobrança feita pela própria mídia e setores médios da cidade não corresponde a seu posicionamento quando acontece uma ação disciplinadora e de organização do espaço público.

Durante uma operação de ordenamento e disciplinamento do espaço público, setores médios, os mesmos que são entrevistados antes das ações e exigem de forma imediata inclusive ações duras e às vezes violenta com os "que sujam o espaço” (observo inclusive certa dose de preconceito), são os mesmos que no calor dos acontecimentos são entrevistados e na celebre frase ‘eles não estão fazendo nada, deixa o povo trabalhar”, acabam corroborando com o desordenamento do espaço público.

Posso está errado, mas é o que tenho visto, não em toda mídia, mas em parte dela. É fundamental saber que o público é para todos, ações disciplinadoras devem ser apoiadas da mesma forma que se é feita a cobrança por ela. Evitar conflitos e violência não significa deixar de agir e isso inevitavelmente gera algum grau de conflito que se não violento, (que vejo a prefeitura evitar, e ninguém de sã consciência pode dizer que a atual gestão tem usado de violência) um conflito emocional ou de atritos de “baixa intensidade” muitas vezes inevitável. Não ser violento não significa não ser enérgico e isso faz parte da condição disciplinadora do estado. Serve para pobres e ricos. O público não pode ser submetido à lógica do privado, público é público. Óbvio que os ricos ocuparam ao longo de décadas os espaços públicos de forma irregular e absurda, para sermos justos com a omissão de grande parte da mídia e do poder público por eles secularmente controlado. Eles (os poderosos e ricos) não podem ser comparados com o camelô da Praça da Lagoinha ou da Beira-mar. Tratar “igualmente os desiguais” é um erro, no entanto o ordenamento que tem que levar em conta os problemas sociais, não podendo mesmo assim deixar que o público, axiomático em si (do povo) perca espaço para o privado seja ele por interesses legítimos ou escusos. O espaço público não pode ser (se for o caso) ocupado sem ordenamento seja por quem for. Isso para mim é uma noção básica de urbanismo e cidadania.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cidade universitária que abrigará a Unilab será construída em Redenção

Entre lideranças comunitárias, membros do governo municipal e políticos locais, os representantes da comissão de implantação da Unilab e o deputado Eudes Xavier explicaram ao povo de Redenção que a ida da Unilab para Baturité é provisória. 28/08/2009

A comunidade da cidade de Redenção estava preocupada com o fato de a Unilab iniciar seus trabalhos na cidade de Baturité. Alem de alavancar a economia e a cultura da cidade, Redenção quer ter o prestígio de receber uma Universidade Internacional. Segundo os técnicos do Ministério da Educação e os engenheiros responsáveis pela obra, Baturité foi escolhida para receber a Universidade Luso-Afro-Brasileira somente provisoriamente. Isso porque o local possui as condições de adequação e infraestrutura necessárias para seu bom funcionamento sem que haja queda de produtividade. A instituição deve funcionar num antigo convento jesuíta e em outros equipamentos públicos federais, como é o caso do CEFET.

O Deputado e os representantes da comissão explicaram que isso está acontecendo porque as obras ainda estão em processo de licitação, devendo iniciar-se assim que concluída essa fase. Por outro lado, o processo de seleção dos primeiros 350 alunos já foi definido e deve acontecer ainda este ano. Serão 35 estudantes de cada um dos oito países de língua portuguesa, sendo o restante das vagas reservadas a brasileiros. Da mesma forma, o processo de seleção pública para a contratação de funcionários e professores ocorrerá até novembro e os profissionais serão escolhidos por uma banca examinadora internacional.

Eudes Xavier, que estava acompanhado de dois estudantes de Guiné-Bissau, convidados para visitar Redenção, disse compreender a apreensão dos moradores da cidade, mas reafirmou a importância de garantir a estrutura que a comunidade luso-africana merece. O deputado também ressaltou o caráter internacional da Universidade e falou da necessidade de manter o rigor universitário, que segundo ele precisa ser respeitado para que a instituição tenha sucesso em seu intuito de ensinar e aprender. “Tudo está sendo feito com muito cuidado”, disse. “É uma fase de adaptação ainda. A sede da Unilab será uma verdadeira cidade universitária”.

Reforma eleitoral tá é difícil.

CCJ do Senado deve definir reforma eleitoral amanhã

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado adiou mais uma vez a votação do projeto de reforma eleitoral. Os senadores devem se reunir na noite desta terça-feira (1º) para discutir o assunto e, amanhã (2) de manhã, uma nova reunião deverá, finalmente, definir a questão.

Desde o último adiamento da votação da matéria, na reunião da semana passada, mais de 70 novas emendas foram apresentadas. O líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), autor do pedido de adiamento, argumentou que não se pode votar a proposta sem discutir a fundo o assunto. “Acho impossível votar hoje. Sequer conheço o parecer do relator das emendas”, disse.

Os senadores correm contra o tempo para aprovar a matéria. É preciso que ela seja votada antes do dia 3 de outubro, para já valer nas eleições de 2010. Depois de aprovada no Senado, ainda precisa passar pela Câmara para que os deputados analisem as alterações feitas no texto pelos senadores.

Alguns pontos causam dúvida entre os parlamentares. Entre eles, o que regulamenta a campanha pela internet. Os senadores incluíram no texto proposta que permite campanha em sites de notícias, mas há dúvidas quanto ao procedimento em portais de notícias nacionais. O critério para a propaganda deve ser isonômico e todos os candidatos devem ter condições de pagar pela propaganda.

Além disso, Mercadante sugeriu que fosse feita a “regionalização do IP do computador” para evitar que internautas de um estado sejam bombardeados com propagandas de candidatos de outro.

Outro ponto que precisa ser discutido, segundo Mercadante, é o que trata de cassação de políticos. Para ele, o processo de cassação deve ser concluído em, no máximo, dois anos para que, conforme prevê a Constituição, um novo governante seja escolhido por eleição direta

Discurso na íntegra de Lula no lançamento do marco regulatório do Pré-sal.

Veja a íntegra do discurso de Lula:

"Minha querida companheira Marisa Letícia,
Excelentíssimo senhor presidente do Senado, José Sarney,
Excelentíssimo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer,
Ministra Dilma Roussef, ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República; ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, em nome dos quais cumprimento todos os ministros aqui presentes,
Quero cumprimentar todos os governadores que vieram ao lançamento do pré-sal,
Quero cumprimentar as autoridades dos Superiores Tribunais aqui de Brasília,
Quero cumprimentar os nossos amigos senadores e deputados que estão presentes,
Quero cumprimentar os membros do corpo diplomático,
Quero cumprimentar os prefeitos aqui presentes,
Em nome dos empresários eu gostaria de cumprimentar o nosso companheiro José Sérgio Gabrielli, presidente da nossa gloriosa Petrobras,
E o Luciano Coutinho, presidente do BNDES,

Minhas amigas e meus amigos,

Hoje é um dia histórico.

O governo está enviando ao Congresso Nacional sua proposta do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no chamado pré-sal.

Estou seguro de que, nos próximos meses, os deputados e senadores, recolhendo também as contribuições de governadores e prefeitos, aperfeiçoarão as propostas do governo, trabalhando com responsabilidade, espírito público, compromisso com o país e, sobretudo, muita visão de futuro.

Estou seguro também de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos.

Porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e especialistas. Nem é tampouco um tema que deva ficar restrito somente ao parlamento. Ao contrário, ele interessa a todos e depende de todos.

Por isso mesmo, quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate. Trabalhadores, donas de casa, lavradores, empresários, intelectuais, cientistas, estudantes, servidores públicos, todos podem e devem contribuir para que tomemos as melhores decisões.

Minhas amigas e meus amigos,

O chamado pré-sal contém jazidas gigantescas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura.

Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo.

Trata-se de uma das maiores descobertas de petróleo de todos os tempos. E em condições extremamente importantes: as reservas encontram-se num país de grandes dimensões, de grande população e de abundantes recursos naturais. Um país que conta com um regime político estável e instituições democráticas em pleno funcionamento. Um país pacífico que faz questão de viver em paz com seus vizinhos. Um país que possui uma economia sofisticada, com um parque industrial diversificado, uma agropecuária de ponta e um setor de serviços moderno. Um país que, tendo dado passos importantes na superação das desigualdades sociais, encontrou seu caminho e está maduro para dar um salto no desenvolvimento.

Como já disse em outra oportunidade, o pré-sal é uma dádiva de Deus. Sua riqueza, bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo.

Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios. Se não tomarmos as decisões acertadas, aquilo que é um bilhete premiado pode transformar-se em fonte de enormes problemas. países pobres que descobriram muito petróleo, mas não resolveram bem essa questão, continuaram pobres.

Outros caíram na tentação do dinheiro fácil e rápido. Passaram a exportar a toque de caixa todo o óleo que podiam e foram inundados por moedas estrangeiras. Resultado: quebraram suas indústrias e desorganizaram suas economias. E, assim, o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição.

Para evitar esse risco, desde o primeiro instante, determinei à comissão de ministros que preparou o marco regulatório do pré-sal que trabalhasse em cima de três diretrizes básicas.

Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro.

A segunda diretriz é de que o Brasil não quer e não vai se transformar num mero exportador de óleo cru. Ao contrário, vamos agregar valor ao petróleo aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos gerar empregos brasileiros e construir uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e dos serviços necessários à exploração do pré-sal.

A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.

Ao examinar os projetos de lei que estamos enviando hoje ao Congresso, depois de tanto trabalho e estudo, vejo com satisfação que eles estão em perfeita sintonia com essas diretrizes.

Minhas amigas e meus amigos,

Uma mudança importante no marco regulatório será a adoção do modelo de partilha de produção no pré-sal e em outras áreas de potencial e características semelhantes. É uma mudança absolutamente necessária e justificada.

Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.

Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.

Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.

Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil. Tinha dificuldades de captação externa e não contava com recursos próprios para bancar os investimentos. Nessa época, é bom lembrar – e a Dilma já falou – o preço do barril do petróleo estava em torno de US$ 19.

Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente. Em primeiro lugar, os países e os povos descobriram na recente crise financeira internacional que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos. O papel do Estado, como regulador e fiscalizador, voltou, portanto, a ser muito valorizado.

A economia do Brasil vive também um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, nosso crescimento foi superior a 5%. Nesse período, o país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu de 11,7% para 8%, em 2008. Hoje, as taxas de juros atuais são as menores de muitas décadas em nosso país.

Não só pagamos a dívida externa pública, como acumulamos reservas superiores a US$ 215 bilhões. E mais: reduzimos de modo consistente a miséria e as desigualdades sociais. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza e 2 milhões ingressaram... e 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.

O fato é que hoje temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia que foi testada na mais grave crise internacional desde 1929 e saiu-se muito bem na prova. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz, a voz do Brasil, é ouvida lá fora com muita atenção e com muito respeito.

Meus queridos companheiros e companheiras,

Desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Os recursos da empresa destinados à pesquisa e ao desenvolvimento deram um salto de US$ 201 milhões, em 2003, para R$ 960 milhões, em 2008.

A companhia voltou a investir, aumentou a produção, abriu concursos para contratação de funcionários, encomendou plataformas, modernizou e ampliou refinarias, além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar também na era de biocombustíveis.
Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras. E a companhia – estimulada, recuperada e bem comandada – reagiu de forma impressionante.

Resultado: a Petrobras vive hoje um momento singular. É o orgulho do país. É a maior empresa do Brasil. É a quarta maior companhia do mundo ocidental. Entre as grandes petroleiras mundiais, é a segunda em valor de mercado. É um exemplo em tecnologia de ponta. Descobriu as reservas do pré-sal, um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de muito orgulho os brasileiros. É uma empresa com crédito e autoridade internacionais. Tanto que, nos últimos meses, levantou cerca de US$ 31 bilhões em empréstimos. Seus investimentos previstos até 2013 somam US$ 174 bilhões.

E ainda para ajudar, para completar, o preço do barril de petróleo oscila hoje em torno de US$ 65, mais do triplo do que em 1997.

Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo.

Minhas amigas e meus amigos,

Também não há termos de comparação entre as áreas que vinham sendo exploradas até agora e as áreas do pré-sal.

No pré-sal, os riscos exploratórios são baixíssimos. A taxa de sucesso dos poços operados pela Petrobras na área é de 87%, sendo que nos blocos situados na Bacia de Santos ela é de 100%. Foram 13 poços perfurados. E nos 13 comprovou-se a existência de grandes quantidades de óleo e gás, com excelentes perspectivas de viabilidade econômica.

Nessas circunstâncias, seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade.

No modelo de concessões, a União, proprietária do subsolo, permite que as companhias privadas procurem petróleo, mediante o pagamento de uma taxa chamada bônus de assinatura. Se elas encontrarem óleo ou gás, podem extraí-lo e comercializá-lo como quiserem. São donas do petróleo arrancado das entranhas da terra, porque, a partir da boca do poço, a União perde os direitos de propriedade, recebendo apenas uma parcela pequena da renda do petróleo, na forma de royalties e participações especiais.

Já no modelo de partilha, que prevalece em todo o mundo em áreas de baixo risco exploratório e grande rentabilidade, a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás mesmo depois de sua extração. Nesse modelo, o Estado não transfere toda a propriedade do óleo para grupos privados, mas fecha contratos para a exploração e a produção em determinada área – diretamente com a Petrobras ou, mediante licitação, no caso de outras companhias.

No modelo de partilha, as empresas são remuneradas com uma parcela do óleo extraído, suficiente para cobrir seus custos e investimentos e ainda proporcionar uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. Já o Estado fica com a maior parte dos lucros da exploração e produção de petróleo, parte esta bem superior ao que recebe hoje no regime de concessão. A regra do modelo de partilha é clara: nas licitações, vence a empresa que oferecer a maior parcela do lucro da operação para o Estado e para o povo brasileiro.

Amigas e amigos,

Como no modelo de partilha a maior parte do petróleo, mesmo depois de extraído, continuará a pertencer ao Estado, ela controlará o processo de produção. Assim, ela poderá definir claramente o ritmo de extração, calibrando-o de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado. Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa.

Além disso, poderemos produzir petróleo nas condições que mais convêm ao país. E desse modo poderemos aproveitar a riqueza do petróleo, que Deus nos deu, para produzir mais riqueza ainda com o nosso trabalho.

Dessa forma, consolidaremos uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, promoveremos a expansão da nossa indústria naval e converteremos o Brasil num dos maiores pólos mundiais da indústria petroquímica do mundo.

Trabalhando com essa perspectiva, encomendaremos – e produziremos aqui dentro – milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros.

Minhas amigas e meus amigos,

Para gerir os contratos de partilha e os contratos de comercialização de petróleo e gás, zelando pelos interesses do Estado e do povo brasileiro, estamos criando uma nova empresa estatal na área do petróleo, a Petrosal.

Ela não concorrerá com a Petrobras, já que não participará da prospecção ou da exploração de petróleo e gás. Sua missão é inteiramente diferente. A nova estatal será, isso sim, a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando a execução dos contratos firmados na área do pré-sal.

Será uma empresa enxuta, com corpo técnico altamente qualificado, formado por profissionais com experiência comprovada. Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera.
Minhas amigas e meus amigos,

Se vocês estão cansados, imaginem eu. Outra novidade importante é a criação do Fundo Social. Ele será responsável pela administração da renda do petróleo e pela sua aplicação em investimentos seguros e de boa rentabilidade, tanto no Brasil como no exterior.

De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro.

De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros.

Assim, a renda gerada pela produção do pré-sal será administrada de forma planejada e inteligente. E seu ingresso na economia nacional será dosado de modo a fortalecê-la e a impulsioná-la, jamais a desorganizá-la.
Minhas amigas e meus amigos,

Não poderia deixar de prestar aqui uma sincera homenagem à Petrobras, a sua diretoria e a todo o seu corpo de funcionários.

A descoberta do pré-sal, que coloca o Brasil num novo patamar no cenário mundial, não foi fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Ao contrário, ela só foi possível graças ao talento, à competência e à determinação da Petrobras. E também, é claro, graças ao revigoramento da empresa nos últimos anos, à recuperação da sua autoestima e aos investimentos crescentes em pesquisa e prospecção.

Poucas empresas no mundo têm hoje a experiência da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. E nenhuma empresa petrolífera conhece e é capaz de obter resultados tão expressivos em nossa plataforma submarina como ela. Trata-se de um ativo, de um patrimônio de enorme valor, que deve ser bem e de forma extraordinária aproveitado.

Por isso mesmo, a Petrobras terá um status especial no marco regulatório do pré-sal. Será a única empresa operadora nessa província. Outras empresas poderão ter participação, inclusive majoritária, nos consórcios que explorarão os blocos contratados. Mas a operação – vale dizer, a exploração, o desenvolvimento, a produção e a desativação das instalações – estará sempre a cargo da nossa querida e orgulhos Petrobras.

Além disso, as reservas do pré-sal, que pertencem ao Estado e ao povo brasileiro, oferecem uma excelente oportunidade para que a União fortaleça a Petrobras para enfrentar os novos desafios. Nesse sentido, estamos enviando projeto de lei ao Congresso Nacional autorizando a União a promover aumento de capital da companhia. O valor total do aumento de capital será aquilo que a ministra Dilma já falou, de até cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo, obviamente, relativos às jazidas contíguas às áreas que a empresa já detém no pré-sal.

Nos termos da lei, os acionistas minoritários que desejarem participar dessa chamada de capital poderão adquirir ações da companhia, o que contribuirá para reforçar economicamente nossa maior empresa nesse momento decisivo.

Se os acionistas minoritários não exercerem integralmente seus direitos de opção, a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras.

Minhas amigas e meus amigos,

Nesse momento em que o Brasil discute o melhor caminho para se tornar um grande produtor mundial de petróleo, quero render minhas homenagens a todos os brasileiros que lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.

Em primeiro lugar, homenageio os que acreditaram quando era mais fácil descrer. E não deram ouvidos às aves de mau agouro que, durante décadas, apregoaram aos quatro ventos que o Brasil não tinha petróleo. Foram, por isso, chamados de fanáticos e maníacos. Ainda bem que houve fanáticos que nos ensinaram a duvidar dos preconceitos e a ter fé em nossas próprias forças.

Rendo minha homenagem também aos que se insurgiram contra a ladainha que proclamava que, mesmo que o Brasil tivesse petróleo, não teria competência para explorá-lo. E que deveria deixar essa tarefa para o capital estrangeiro. Muitos foram tachados de lunáticos, prisioneiros de uma idéia fixa, como o grande e saudoso Monteiro Lobato, porque teimaram em lutar para que o Brasil explorasse suas riquezas. Benditos lunáticos que ensinaram o país a enxergar longe, em tempos de escuridão, e iluminaram os caminhos dos que vieram depois.

Rendo minha homenagem ainda aos que saíram às ruas em todo o país na campanha do “O Petróleo é nosso”, levando o presidente Getúlio Vargas a instituir o monopólio estatal do petróleo e a criar a Petrobras. Foi uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos.

Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.

Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.

É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.

Muito obrigado, companheiros."

Nossa homenagem a Revolução dos Cravos e a primavera.

Lula: com regras para o pré-sal, Brasil já pode olhar o futuro com mais confiança

Em cerimônia histórica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (31) as regras para a exploração das mega-reservas de petróleo do pré-sal.

As leis previstas no marco regulatório desenvolvido pelo governo, e que terão de ser aprovadas no Congresso, garantem o controle do Brasil sobre as riquezas e a criação de um fundo que irá destinar os lucros do pré-sal para a educação, a ciência e tecnologia, a previdência e programas sociais.

O marco também prevê a criação de uma nova empresa pública, a Petrosal, que vai defender os interesses da União nos empreendimentos petrolíferos em parceria com a iniciativa privada.

Clique aqui para ver a apresentação do modelo em power point.

Passaporte para o futuro
No discurso de apresentação da proposta, Lula atacou aqueles que chamavam a Petrobras de dinossauro e diz que a estatal "sobreviveu à extinção".

"Benditos amigos e companheiros do dinossauro que sobreviveu a extinção, deu a volta por cima e descobriu no pré-sal o passaporte para o nosso futuro", afirmou Lula.

O presidente aproveitou a ocasião para atacar o governo anterior e reforçar que agora as condições do país e do mundo são diferentes de 1997 (quando a Petrobras perdeu o monopólio da exploração de petróleo) e que o Estado terá uma participação maior no setor.

"É como se houvesse uma mão invisível, não a do mercado, mas outra bem mais sábia e permanente, a mão do povo", disse o presidente.

Em 1997, disse Lula, "altas personalidades chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro, mais precisamente o último dinossauro a ser desmantelado". Ele lembrou que, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, chegou-se a cogitar mudar o nome da estatal para Petrobax. "Sabe lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro", disse Lula.

O presidente afirmou que a maior participação do Estado na Petrobras marca o fim de "pensamentos subalternos". "O país deixa para trás o complexo de inferioridade, como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para nosso futuro".

Operação
A proposta prevê que a Petrobras opere todos os blocos do pré-sal, ainda que outras empresas possam participar da exploração, inclusive sendo majoritárias.

"A Petrobras será a única operadora. Outras empresas podem ter participação, inclusive majoritária nos consórcios. Mas a operação, o desenvolvimento (...) estarão sempre a cargo da nossa querida Petrobras", disse Lula.

A empresa operadora é a responsável pela condução das atividades de exploração de produção, providenciando tecnologia, pessoal e recursos materiais, afirmou a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) durante o evento.

"O operador tem informações estratégicas e desenvolve tecnologia específica para a exploração e produção", afirmou a ministra.

Pela proposta do governo, a Petrobras operará todos os blocos do pré-sal que ainda não foram licitados e terá uma participação de pelo menos 30% em cada um deles.

Para fazer os investimentos necessários, a estatal receberá um aporte de capital do governo, limitado até o preço de 5 bilhões de barris de petróleo.

Nesse caso, se os acionistas minoritários não exercerem integralmente o direito de comprar ações na mesma proporção que a União, a participação deles no capital total da empresa diminuirá. "Se os minoritários não exercerem seu direito a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras", afirmou o presidente.

Tasso não será reeleito senador em 2010.

Veja os motivos em: www.twitter.com/antonioptfs

Salvador Allende. Presente

Dilma: Fundo social do pré-sal vai combater a pobreza e alavancar educação

O fundo social, cuja criação está prevista no marco regulatório do pré-sal, apresentado hoje (31) pelo governo, tem o objetivo de financiar prioritariamente o combate à pobreza e o incentivo à educação, segundo afirmou a ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff. O fundo é um dos projetos de lei que o governo encaminhou ao Congresso Nacional.

“Com isso, queremos evitar a maldição do petróleo, que é a manutenção da pobreza em países com grande produção”, disse Dilma.

O fundo será criado para administrar e distribuir os recursos advindos do petróleo. As atividades prioritárias a serem financiadas por ele serão o combate à pobreza, o incentivo à educação, à cultura, à sustentabilidade ambiental e à inovação científica e tecnológica. Os recursos do fundo serão orçados e fiscalizados pelo Congresso.

De acordo com a ministra, um dos projetos enviados ao Congresso cria o modelo de contrato de partilha para a exploração do óleo de águas profundas, a ser adotado nas áreas que ainda não são objeto de concessão. “Teremos no Brasil o modelo misto, com contratos de partilha e também de concessão, como ocorre em vários outros países produtores de petróleo”.

No contrato de partilha, diferentemente do contrato de concessão vigente hoje, a empresa contratada empreenderá por sua conta e risco todas as operações exploratórias e será reembolsada pelo governo em óleo e gás. A Petrobras será a operadora que irá conduzir as atividades e providenciar a tecnologia, pessoal e recursos materiais necessários. A estatal também terá pelo menos 30% de participação no bloco.

De acordo com Dilma, o critério para a escolha da empresa será um só: o percentual de óleo para a União.Outro projeto de lei criará a empresa subsidiária da Petrobras, a Petrosal, que representar a União nos consórcios e comitês operacionais que serão montados com representantes das duas partes. O objetivo da nova empresa será “diminuir a assimetria” de interesses entre a União e as empresas prestadoras de serviços, explicou a ministra.