segunda-feira, 29 de março de 2010
Novo endereço do nosso blog.
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terça-feira, 23 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
Sarkozy sofre derrota acachapante na França
Os franceses confirmaram neste domingo seu voto contra a direita no poder, liderada pelo presidente Nicolas Sarkozy, no segundo turno das eleições regionais, última votação na França antes das presidenciais de 2012, segundo as projeções dos institutos de pesquisa.
A neofascista Frente Nacional recebeu 8,7% dos votos em nível nacional, o que permitirá um bom número de deputados provinciais ao partido liderado por Jean Marie Le Pen.
Estes resultados confirmam o voto contra o governo Sarkozy, que enfrenta no momento o menor índice de popularidade desde o início do mandato.
A direita manteve a Alsácia, seu bastião no leste da França, e venceu na ilha de Reunión, no oceano Índico.
Mas com a vitória na Córsega, a oposição passa a controlar 21 das 22 regiões metropolitanas da França.
"Estas eleições confirmam o sucesso da esquerda. Não soubemos convencer", disse o primeiro-ministro francês, François Fillon, após tomar conhecimento das projeções.
"Assumo minha parte da responsabilidade e amanhã conversarei com o presidente", lastimou Fillon.
Grande abstenção
Após tais resultados na última eleição antes das presidenciais na França, em 2012, Sarkozy deverá proceder com uma ampla reforma ministerial.
O líder da UMP, Xavier Bertrand, também reconheceu a ampla vitória da oposição: "a esquerda ganhou estas eleições, precisamos admitir isto".
Jean Francois Copé, presidente do bloco governista de senadores, classificou o resultado de "derrota real".
A primeira secretária nacional do PS, Martine Aubry, disse a Sarkozy, nesta noite, que "mude profundamente de política".
"Os franceses falaram, é preciso ouvi-los", declarou a líder do PS no discurso de vitória, durante a apuração dos votos.
O prefeito de Paris, Bertrand Delanoe, do PS, considera que o resultado foi "muito negativo" para o governo, que "precisa corrigir sua política".
Uma das grandes vitoriosas deste domingo foi Ségolène Royal, do PS, que em sua região de Poitou Charente, no centro do país, obteve mais de 60% dos votos, o que lhe habilita a se apresentar novamente como candidata à presidência.
Segundo Ségolène, estes resultados "mostraram o papel de trampolim das regiões contra a ineficiência". A socialista prometeu "fazer todo o possível para transformar esta esperança em ação".
O índice de abstenção, estimado em entre 47,5% e 49%, foi inferior ao registrado no primeiro turno, de domingo passado (53,6%), e este aumento de participação permitiu à direita evitar um desastre maior.
No total, 43,5 milhões de franceses foram convocados para eleger neste domingo 1.839 deputados provinciais para um mandato de quatro anos.
domingo, 21 de março de 2010
Hegemonia ocidental contra ditadores. Anna Malm*
Lula em Israel e os sionistas da mídia
Noblat omite e estimula a cizânia
O blogueiro oficial da Globo, Ricardo Noblat, foi um dos primeiros a alardear que “Lula provoca incidente diplomático em Israel”. A sua fonte foi o ministério das Relações de Israel, dirigido por um direitista convicto, que condenou o “desrespeito o protocolo do país”. Para instigar a cizânia, ele ainda noticiou que “Lula pretende depositar flores no túmulo de Yasser Arafat”, mas deixou de informar que também homenagearia as vítimas do holocausto. Diante das críticas que recebeu em seu blog, o irritadiço Noblat ainda desqualificou os seus leitores, tratando-os de “levianos”.
A “informação” de Noblat e de outros veículos foi totalmente tendenciosa. O governo brasileiro não cometeu “gafes” em Israel, apenas rejeitou uma manobra da diplomacia sionista, que incluiu a visita à tumba de Théodor Herzl sem prévia consulta. A mídia colonizada preferiu mentir. Nem sequer informou que vários chefes de Estado, inclusive o francês Nicolas Sarkozy, também já se recusaram a visitar o túmulo do “pai do sionismo”. A mídia evitou até criticar o gesto grosseiro de Avigdor Lieberman, ministro das Relações Exteriores, que boicotou a comitiva brasileira.
A “dupla moral” da mídia colonizada
No afã de combater a política externa brasileira, principalmente num ano eleitoral, a mídia venal preferiu ouvir raivosos sionistas, defensores do “holocausto palestino”. Ela deu pouco destaque ao contundente discurso de Lula, feito em pleno parlamento israelense, o Knesset, em defesa da criação do Estado Palestino, “independente, soberano, coeso e economicamente viável… Temos urgência em ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia. Recusamos o mito de que estão fadados ao conflito, de que seus filhos estão condenados à irracionalidade da guerra”.
O atual bombardeio revela toda a hipocrisia da mídia colonizada. Ela prega “direitos humanos” em Cuba, mas silencia diante dos crimes dos EUA e do seu satélite no Oriente Médio. Segundo o jornalista Breno Altman, do sítio Opera Mundi, a imprensa padece de “dupla moral” ao satanizar Cuba e ao não informar que Israel “é um dos países com maior número de presos políticos no mundo, cerca de onze mil detentos, incluindo crianças, a maioria sem julgamento… Mais de 800 mil palestinos foram aprisionados desde 1948. As detenções atingiram também autoridades palestinas: 39 deputados e nove ministros foram seqüestrados desde junho de 2006”.
O lobby sionista nas redações
Breno lembra que “naquele país a tortura foi legitimada por uma decisão da Corte Suprema, que autorizou a utilização de ‘táticas dolorosas de interrogatório de presos sob custódia do governo’” e que Israel desrespeitou todas as decisões da ONU sobre partilhas dos territórios. “Mais de 750 mil palestinos foram expulsos de seu país desde então. Israel demoliu número superior a 20 mil casas de cidadãos não-judeus apenas entre 1967 e 2009. Construiu, a partir de 2004, um muro com 700 quilômetros de extensão, que isolou 160 mil famílias palestinas, colocando as mãos em 85% dos recursos hídricos das áreas que compõem a atual Autoridade Palestina”.
Diante destes fatos inquestionáveis, nada justifica as “gafes” de alguns colunistas. É sabido que os lobbies sionistas freqüentam assiduamente as redações de vários veículos, mas os jornalistas deveriam ter mais de dignidade e ética profissional no trato deste delicado tema. Daí a justificada indignação de Breno Altman contra a “dupla moral” dos meios de comunicação e dos políticos conservadores. “Nada se ouve tampouco de alguns personagens presumidamente progressistas, sempre tão céleres quando se trata de apontar o dedo acusador contra a revolução cubana”.
Marcha Mundial das Mulheres. Viva a emancipação e a luta das mulheres.

A cidade foi a última pela qual passou a 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), antes de terminar na praça Charles Miller, diante do estádio do Pacaembu, com um grande ato político.
Por dez dias, companheiras de diversas etnias e de todos os estados do País percorreram mais de 100 km no Estado paulista passando por Campinas, Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí, Várzea Paulista, Cajamar, Jordanésia e Perus.
Com o tema “Seguiremos em marcha até que sejamos todas livres”, a mobilização construída por entidades como a CUT, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), celebrou os 10 anos da Marcha e debateu os eixos que compõem a ação: autonomia econômica das mulheres, o acesso a bens comuns e serviços públicos, a paz e a desmilitarização e o fim da violência contra as mulheres.
Um sol forte recebeu a imensa onda lilás organizada em duas gigantescas filas indianas. Pelas vias principais de Osasco, elas entregavam panfletos explicando a origem e a motivação da passeata e tratavam de cada bandeira de luta. “O machismo é a causa da violência contra nós. Queremos políticas públicas para coibir essa prática e o fim da impunidade”, afirmou Sônia Coelho, militante da MMM, que em sua intervenção também defendeu a legalização da prática do aborto “como último recurso daquela mulher que não pode ou não deseja ter um filho em determinado momento da vida.”
Munidas de bandeiras, cartazes, cabos de vassoura transformados em baquetas e latas e tambores fazendo as vezes de instrumentos musicais, elas encerraram a primeira parte do trajeto na estação Comandante Sampaio, rumo à Barra Funda, de onde partiriam para o Pacaembu.
Uma composição exclusivamente destinada às marchantes aguardava enquanto passavam pelas catracas. Antes de prosseguir a viagem, a maquinista Andréia Melo contou o preconceito que enfrenta quase que diariamente no exercício da profissão. “Já ouvi diversas vezes passageiros dizendo “por que não vai pilotar fogão?”, ainda mais quando há atraso, isso quando não falam “tinha que ser mulher” ao ver que sou eu a maquinista”, explica ela, responsável por transportar uma média de 10 mil pessoas diariamente.
Por volta das 16h30, as manifestantes, separadas por estados nos vagões, partiram rumo à última parada. Pouco antes das 17h, de mãos dadas elas subiram as escadas da estação Barra Funda. Nesse trecho, companheiras que não puderam fazer parte da caminhada se uniram à batalha e outras ganharam visibilidade.
A chegada à praça Charles Miller foi emocionante. Muitas se abraçavam e a sempre citada comissão de cozinha pode cantar o grito de guerra: “comida é o coração, sem comida não há revolução”.
Direto do Rio Grande do Norte, a assistente social Cláudia Lopes coordenou uma equipe de voluntárias composta por 80 mulheres fixas e outras 20 que se revezavam na preparação dos alimentos. A cada café da manhã, almoço e jantar, a correria era imensa para preparar duas mil refeições. “Volto para casa com a sensação de tarefa cumprida”, comentou.
Os números da manifestação deixam clara a grandiosidade da passeata: além das 100 mulheres que cozinharam, outras 200 cuidaram da limpeza, inclusive nos alojamentos, e mais 60 eram responsáveis por oferecer todo o suporte necessário. Foram consumidas cinco toneladas e meia de legumes, seis toneladas de carne, duas toneladas de arroz, uma tonelada de feijão e 200 quilos de farinha de mandioca. Na estrada, foram 50 mil copos de água e no alojamento, 200 mil litros.
Nos discursos em cima do carro de som, as lideranças apontavam que a próxima missão será difundir tudo que aprenderam nos locais onde viviam.
“O ideal de que seguiremos em marcha até todas sejamos livres deve virar realidade em nossas vidas e reverberar nos espaços onde vivemos”, lembrou Bernadete Monteiro, da executiva nacional da Marcha Mundial de Mulheres.
“Nossos temas não são das mulheres apenas, mas de todos que querem construir uma sociedade livre e com justiça social”, disse Etelvina Maccioli, representando o MST e a Via Campesina.
Em nome das indígenas das tribos Macuxi, Cariri, Pataxó Hãhãhãe, Tupinambá e Baré, presentes na marcha, Iranilde 'Olga' Barbosa, destacou a importância da jornada no embate diário. “São nas nossas bases, onde somos violentas e onde a população indígena vê seus direitos serem desrespeitados, que o combate recomeça. Em 2005, quando participei da 2ª ação internacional, conseguimos fortalecer a luta e espero que o mesmo aconteça agora.”
Secretária de Meio Ambiente da CUT e também representante da Contag, Carmen Foro, ressaltou que o movimento feminista sai fortalecido. “Deixamos nossas casas e nossos afazeres porque acreditamos que podemos mudar o mundo. Vamos seguir em marcha até que tenhamos o fim da violência, a reforma agrária para fortalecer a agricultura familiar, a divisão sexual do trabalho, salário justo e para que todas tenham direito a decidir sobre o próprio corpo. Cada uma de nós voltará para o lugar onde vive e construirá um feminismo mais forte.”
A Secretária da Mulher Trabalhadora, Rosane Silva, afirmou que a mudança exige unidade. “Nesses 10 dias mostramos que somos capazes não apenas de organizar as mulheres, mas também a classe trabalhadora e promover a transformação do mundo para um modelo feminista e socialista. Porém, sozinhas não vamos chegar a lutar algum e por isso a CUT compõe desde o início a Marcha Mundial de Mulheres. Acreditamos em um outro modelo de desenvolvimento mais justo, solidário e igualitário.”
A seguir, a Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Sônia Auxiliadora, lembrou da relação dos movimentos sociais com o poder público paulista. “Foi muito importante a luta ter passado pelas cidades de um Estado marcado pelo neoliberalismo, pelo capitalismo e pela falta de diálogo. Vivemos numa sociedade muito diversificada e ao mesmo tempo, extremamente desigual. Por isso, a CUT tem lutado para que o lugar da mulher não seja atrás de um fogão, mas sim na política e no movimento sindical.”
Coordenadora nacional da MMM, Nalu Faria, mostrou a satisfação com a comemoração no ano do centenário da declaração do Dia Internacional da Mulher. “Estamos muito orgulhosas porque celebramos de forma digna os 100 anos do 8 de março e resgatamos o passado de nossas antepassadas socialistas. Nos 10 anos da Marcha, quisemos construir um campo de movimento das mulheres onde coubessem todas e consolidamos esse desejo, além de exercer uma visão crítica ao modelo opressor do racismo, do patriarcado, do machismo, da homofobia, da lesbofobia e do desrespeito ao meio ambiente”, afirmou.
Por fim, da mesma forma que Rosane, ela também enalteceu a necessidade de aproximar todos os defensores da liberdade no mundo. “Neste 18 de março, mais 50 países estão encerrando esse movimento internacional e uma de nossas bandeiras é a defesa da soberania dos povos. A verdadeira integração regional entre Caribe e a América Latina só acontecerá quando houver a soberania da mulher. Enquanto existir uma única oprimida, violentada ou explorada, seguiremos em marcha.”
(retirada do site da CUT: www.cut.org.br)
Dilma descarta "salto alto" e compara governos
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, disse, neste sábado (20), em Santa Catarina, que está satisfeita com os resultados das últimas pesquisas, mas destacou que o "salto alto" não a fará avançar na disputa pela Presidência. Ela ressaltou que as comparações entre o governo Lula e os anteriores serão "inevitáveis" durante a campanha.
Na última sexta, em entrevista na qual assumiu pela primeira vez que será candidato, Serra afirmou apostar em um "confronto de biografias" durante a campanha e avaliou que população fará "um juízo mais pessoal a respeito dos candidatos". A declaração soou como uma sinalização de que ele teme o confronto de projetos e serviços prestados à população.
Sem fugir a esse debate, Dilma enumerou várias ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o programa "Bolsa Família" e o "Minha Casa, Minha Vida". A ministra da Casa Civil participou neste sábado do 4º Congresso Estadual do PT em Santa Catarina. O evento duraria o dia todo no município de São José, na região da Grande Florianópolis.
Na atividade, Dilma Rousseff falou sobre o "desempenho exemplar" do governo Lula, especialmente em relação à baixa da inflação e à garantia de sustentabilidade que o Brasil teve durante a crise financeira.
Ao comentar depois seu rápido crescimento nas pesquisas, Dilma procurou evitar o salto alto, afirmando que não iria comentar uma possível vitória em primeiro turno. "Não comentamos pesquisa porque muita água ainda vai rolar debaixo desta ponte. De salto alto ninguém sobe em pesquisa. Colocamos um tênis e ganhamos fôlego para brigar", ponderou.
"Quem é mulher sabe como é difícil subir um morro com salto alto. Imagina uma corrida presidencial. Não dá certo e o risco de tropeçar é grande", afirmou, bem humorada.
A pré-candidata foi muito assediada desde o seu desembarque de helicóptero num hotel de São José, cidade da região metropolitana de Florianópolis. Abordada sobre possibilidades de coalizão com o PMDB em Santa Catarina a pré-candidata deixou claro que o PT nunca escondeu a importância que dá a uma coligação com os peemedebistas em todo o Brasil.
"Vemos com bons olhos a aliança com o PMDB. Mas, serão alianças construídas sem imposições. Vamos governar o País considerando os processos de coalizão como uma forma de governabilidade", afirmou.
Sobre o fato de o presidente Lula ter perdido as eleições anteriores no Estado, a ministra fez questão de enfatizar que o Brasil vive outro momento. "Nosso País nunca esteve tão bem e nunca gerou tanto emprego. As cidades nunca tiveram tantos benefícios. Há um conjunto de realizações. Mas, é o povo que vai decidir", disse.
Ao final da entrevista coletiva, Dilma relembrou os tempos de militância durante o período de Ditadura Militar. "Sabemos que a democracia não só é possível como a construímos em nosso governo", finalizou. Após a conversa com jornalistas, a pré-candidata participou junto com os militantes do PT Estadual da festa de 30 anos do partido.
Na presença da ministra, que visita a cidade em caráter extra-oficial, o diretório estadual do PT catarinense homologou a pré-candidatura da senadora Ideli Salvatti ao governo do Estado.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Quando perguntarem pela Fortaleza Bela não tenham medo de dizer a verdade.
A mudança de rumo na polítca cearense.
A “era Tasso” fez com que milhares de irmãos e irmãs deixassem o interior sem perspectiva de emprego e qualidade de vida, em direção à capital que acolheu a todos sem nenhuma estrutura básica e proteção necessária para uma metrópole do nosso porte.
Foi a rejeição ao modelo elitista, concentrador de renda e neoliberal, combinado com as mudanças de rumos no país com a eleição do presidente Lula/PT que formou o ambiente da vitória de Luizianne em aliança com o PSB. O povo identificou-se com a ousadia de uma jovem militante de esquerda, socialista e radical; na correção que o termo merece.
Tentando se refazer do susto e subestimando a força do povo, a elite apostou na inexperiência da jovem geração de esquerda em conduzir uma máquina pesada e feita para não servir ao povo que era a estrutura administrativa da capital cearense. Apostou no caos, no desgaste por inércia da gestão Fortaleza Bela, além de uma forte utilização de ações deseducativas na mídia e um modelo de oposição desqualificado e despolitizado.
Para surpresa de alguns e principalmente da nossa elite, não se repete em Fortaleza o ocorrido em meados dos anos 80. Ou seja, a não consolidação da primeira experiência de esquerda na gestão municipal, cujo sucesso poderia ter evitado a longevidade do período neoliberal em terras patativenses, tornando-se um pólo alternativo à lógica do “estado mínimo” em sua versão local.
O administração Fortaleza Bela inova no modo de governar a cidade, inverte prioridades, chama o povo para participar da construção de uma cidade mas justa e democrática. O Orçamento Participativo é uma realidade, o diálogo permanente com os movimentos sociais é uma marca. Assim como o fortalecimento do controle social dos conselhos, com realização de conferências, encontros, congressos que define com ampla participação popular as ações prioritárias que ajudam a minimizar os efeitos desagregadores do capitalismo em uma população de mais de dois milhões e quinhentos mil habitantes.
Temas nunca tratados tornam-se prioridades e políticas públicas por significarem a relação cotidiana das pessoas com a cidade em oposição à lógica tradicional e elitista da segregação, do preconceito e da criação de duas cidades, uma para os ricos, outra para os pobres. Juventude, negros, mulheres, idosos, crianças, portadores de necessidades especiais passaram a ser tratados como merecem e hoje colaboram com a construção desta vanguardista e importante metrópole brasileira.
Cuca, transporte escolar (inédito), Hospital da Mulher, contratação de médicos para o PSF, mais guardas municipais, mais professores, aumento real de salário, 13 planos de cargos e salários dando dignidade aos servidores públicos. Postos de saúde abertos em três turnos, mais cultura, esporte e lazer em toda a cidade, passagem de ônibus de sistema integrado mais barata do país, ousada política habitacional, diminuição das áreas de risco, mais atenção aos idosos. Reforma do PV, Transfor e tantas outras ações que seguem na contramão da tese do “estado mínimo” e concentrador de renda que quase levou o país à bancarrota.
Portanto, fatos como vitória de Luizianne/PT, a vitoriosa primeira gestão Fortaleza Bela, a reeleição em primeiro turno em 2008, a aliança programática e com a base progressista aliada do governo Lula e a atual consolidação da segunda gestão, alteraram a rota de como as elites pensaram em conduzir o estado do Ceará. A esquerda cresceu no Estado o PT governa, alem da capital, mais 14 importantes cidades.
O governo Cid (transição ainda inconclusa do neoliberalismo para um outro modelo de desenvolvimento) é fruto do deslocamento de setores que até participaram em alguns momentos do projeto anterior mas, de maneira louvável, deslocaram-se para o campo democrático e popular, apoiando o governo Lula.
É importante percebermos que estamos iniciando uma transição da “era Tasso” para este novo modelo. Essa transição será mais acentuada na medida em que consolidarmos as forças de esquerda elegendo a candidata do PT à presidência, indicando o vice-governador e elegendo dois senadores da base aliada do governo Lula, sendo um do PT, o nosso pré-candidato e companheiro ministro José Pimentel. Além disso, mantermos nosso engajamento com as lutas anticapitalistas, nossas alianças prioritárias com os movimentos sociais e a classe trabalhadora.
Sentindo-se novamente ameaçado, o tassismo tenta virar a transição em curso no Ceará à direita, ao neoliberalismo. Neste cenário, é nosso papel fortalecer o PT, nossas administrações e, em especial, consolidar o projeto Fortaleza Bela, continuarmos construindo dias mais democráticos e populares; desejo maior da nossa gente.
Portanto, é hora de ganharmos novamente ruas e praças na defesa do nosso projeto de sociedade. Hora de nos mantermos firmes na luta, movidos pelo sentimento mais revolucionário que pode existir: o amor pelas pessoas e o desejo de que todos e todas sejam plenamente livres.
Antonio Carlos de Freitas Souza
Vice-presidente PT-Ceará
quinta-feira, 18 de março de 2010
Mais uma do Emir
O que sabem os leitores dos diários brasileiros sobre Cuba? O que
sabem os telespectadores brasileiros sobre Cuba? O que sabem os
ouvintes de rádio brasileiros sobre Cuba? O que saberia o povo
brasileiro sobre Cuba, se dependesse da mídia brasileira?
O que mais os jornalistas da imprensa mercantil adoram é concordar com
seus patrões. Podem exorbitar na linguagem, para badalar os que pagam
seu salários. Sabem que atacar ao PT é o que mais agrada a seus
patrões, porque é quem mais os perturba e os afeta. Vale até dar
espaco para qualquer mercenário publicar calúnias contra o Lula, para,
depois jogá-lo de volta na lata do lixo.
No circo dessa imprensa recentemente realizado em São Paulo, os
relatos dizem que os donos das empresas – Frias, Marinhos – tinham
intervenções mais discretas, – ninguem duvida das suas posiçõoes de
ultra-direita -, mas seus empregados se exibiam competindo sobre quem
fazia a declaração mais extremista, mais retumbante, sabendo que
seriam recolhidas pela mídia, mas sobretudo buscando sorrisinho no
rosto dos patrões e, quem sabe, uns zerinhos a mais no contracheque no
fim do mês.
Quem foi informado pela imprensa que há quase 50 anos Cuba já terminou
com o analfabetismo, que mais recentemente, com a participação direta
dos seus educadores, o analfabetismo foi erradicado na Venezuela, na
Bolívia e no Equador? Que empresa jornalística noiticiou? Quais
mandaram repórteres para saber como países pobres ou menos
desenvolvidos conseguiram o que mais desenvolvidos como os EUA ou
mesmo o Brasil, a Argentina, o México, náo conseguiram?
Mandaram repórteres saber como funciona naquela ilha do Caribe, pouco
desenvolvida economicamente, o sistema educacional e de saúde
universal e gratuito para todos? Se perguntaram sobre a comparação
feita por Michael Moore no seu filme "Sicko" sobre os sistemas de
saúde – em particular o brutalmente mercantilizado dos EUA e o público
e gratuito de Cuba?
Essas empresas privadas da mídia fizeram reportagens sobre a Escola
Latinoamericana de Medicina que, em Cuba, já formou mais de cinco
gerações de médicos de todos os países da América Latina e inclusive
dos EUA, gratuitamente, na melhor medicina social do mundo? Foi
despertada a curiosidade de algum jornalista, econômico, educativo ou
não, sobre o fato de que Cuba, passando por grandes dificuldades
econômicas – como suas empresas não deixam de noticiar – não fechou
nenhuma vaga nem nas suas escolas tradicionais, nem na Escola
Latinoamericana de Medicina, nem fechou nenhum leito em hospitais?
Se dependesse dessas empresas, se trataria de um regime “decrépito”,
governado por dois irmãos há mais de 50 anos, um verdadeiro “goulag
tropical”, uma ilha transformada em prisão.
Alguém tentou explicar como é possivel conviver esse tipo de sociedade
igualitária com a base naval de Guantánamo? Se noticiam regularmente
as barbaridades que ocorrem lá, onde presos sob simples suspeita, são
interrogados e torturados – conforme tantas testemunhas que a imprensa
se nega em publicar – em condições fora de qualquer jurisdição
internacional?
Noticiam que, como disse Raul Castro, sim, se tortura naquela ilha, se
prende, se julga e se condena da forma mais arbitrária possível,
detidos em masmorras, como animais, mas isso se passa sob
responsabilidade norteamericana, desse mesmo governo que protesta por
uma greve de fome de uma pessoa que – apesar da ignorância de
cronistas da família Frias – não é um preso, mas está livre, na sua
casa?
Perguntam-se por que a maior potência imperial do mundo, derrotada por
essa pequena ilha, ainda hoje tem um pedaco do seu territorio?
Escandalizam-se, dizendo que se “passou dos limites”, quando constatam
que isso se dá há mais de um século, sob os olhos complacentes da
“comunidade internacional”, modelo de “civilização”, agentes do
colonialismo, da escravidão, da pirataria, do imperialismo, das duas
grandes guerras mundiais, do fascismo?
Comparam a “indignação” atual dos jornais dos seus patrões com o que
disseram ou calaram sobre Abu-Graieb? Sobre os “falsos positivos”
(sabem do que se trata?) na Colômbia? Sobre a invasao e os massacres
no Panamá, por tropas norteamericanas, que sequestraram e levaram para
ser julgado em Miami seu ex-aliado e então presidente eleito do país,
Noriega, cujos 30 anos foram completamente desconhecidos pela
imprensa? Falam do muro que os EUA construíram na fronteira com o
México, onde morre todos os anos mais gente do que em todo tempo de
existência do muro de Berlim? A ocupação brutal da Palestina, o cerco
que ainda segue a Gaza, é tema de seus espacos jornalisticos ou melhor
calar para que os cada vez menos leitores, telespectadores e ouvintes
possam se recordar do que realmente é barbarie, mas que cometida pela
“civilizada” Israel – que ademais conta com empresas que anunciam
regularmente nos orgãos dessas empresas – deve ser escondida? Que
protestos fizeram os empregados da empresa que emprestou seus carros
para que atuassem os servicos repressivos da ditadura, disfarçaados de
jornalistas, para sequestrar, torturar, fuzilar e fazer opositores
desaparecerem? Disseram que isso “passou de todos os limites” ou
ficaram calados, para não perder seus empregos?
Mas morreu um preso em Cuba. Que horror! Que oportunidade para bajular
os seus patrões, mostrando indignação contra um país de esquerda! Que
bom poder reafirmar diante deles que se se foi algum dia de esquerda,
foi um resfriado, pego por más convivências, em lugares que não
frequentam mais; já estão curados, vacinados, nunca mais pegarão esse
vírus. (Um empregado da família Frias, casado com uma tucana,
orgulha-se de ter ido a todos os Foruns Econômicos de Davos e a nenhum
Fórum Social Mundial.
Ali pôde conhecer ricaços e entrevistá-los, antes que estivessem
envoldidos em escândalos, quebrassem ou fossem para a prisão. Cada um
tem seu gosto, mas não dá para posar como “progressista”, escolhendo
Davos a Porto Alegre.)
Não conhecem Cuba, promovem a mentira do silêncio, para poder difamar
Cuba. Não dizem o que era na época da ditadura de Batista e em que se
transformou hoje. Não dizem que os problemas que têm a ilha é porque
não quer fazer o que fez o darling dessa midia, FHC, impondo duro
ajuste fiscal para equilibrar as finanças públicas, privatizando,
favorecendo o grande capital, financeirizando a economia e o Estado.
Cuba busca manter os direitos universais a toda sua população, para o
que trata de desenvolver um modelo econômico que não faça com que o
povo pague as dificuldades da economia. Mentem silenciando sobre o
fato de que, em Cuba, não há ninguem abandonado nas ruas, de que todos
podem contar com o apoio do Estado cubano, um Estado que nunca se
rendeu ao FMI.
Cuba é a sociedade mais igualitária do mundo, a mais solidária, um
país soberano, assediado pelo mais longo bloqueio que a história
conheceu, de quase 50 anos, pela maior potência econômica e militar da
história. Cuba é vítima privilegiada da imprensa saudosa do Bush,
porque se é possivel uma sociedade igualitária, solidária, mesmo que
pobre, que maior acusação pode haver contra a sociedade do egoísmo, do
consumismo, da mercantilizacao, em que tudo tem preço, tudo se vende,
tudo se compra?
Como disse Celso Amorim, o Ministro de Relações Exteriores do Brasil:
os que querem contribuir a resolver a situação de Cuba tem uma fórmula
muito simples – terminem com o bloqueio contra a ilha. Terminem com
Guantanamo como base de terrorismo internacional, terminem com o
bloqueio informativo, dêem aos cubanos o mesmo direito que dão
diariamente aos opositores ao regime – o do expor o que pensam.
Relatem as verdades de Cuba no lugar das mentiras, do silêncio e da
covardia.
Diante de situações como essa, a razão e a atualidade de José Martí:
“Há de haver no mundo certa quantidade de decoro,
como há de haver certa quantidade de luz.
Quando há muitos homens sem decoro, há sempre outros
que têm em si o decoro de muitos homens.
Estes são os que se rebelam com força terrível
contra os que roubam aos povos sua liberdade,
que é roubar-lhes seu decoro.
Nesses homens vão milhares de homens,
vai um povo inteiro,
vai a dignidade humana…
domingo, 7 de março de 2010
Extraordinario discurso de Marcos Rolim em referência ao "8 de Março".
Sr. Presidente,
Sras. Deputadas. Srs.Deputados.
Transcorre amanhã o Dia Internacional da Mulher, homenagem que se universalizou em lembrança ao martírio das operárias americanas queimadas quando da ocupação de uma fábrica em 1857. A data em si evoca a dor, mas, também, a resistência e o heroísmo. Veremos, Sr. Presidente, como uma história das mulheres só pode ser compreendida quando situada nesta dupla dimensão, épica e trágica a um só tempo: marcada pelo sofrimento, é verdade, mas construída com a determinação inflexível de quem se sabe sujeito e age como tal.
Começamos pela recusa de todas as iniciativas de enquadramento feminino nos marcos deste ou daquele padrão politico, cultural, estético ou moral. O homem dominador, antes de tudo, não permite às mulheres a honra de individualizá-las. É preciso, por esta ótica, tratá-las como um coletivo amorfo a quem se atribui qualidades intrínsecas e defeitos perenes. Falamos, então, com um suspeito distanciamento, da "mulher" que existiria em todas as mulheres e somos capazes de nos precaver frente a sua indiscutível "frivolidade" ou mesmo nos armar até os dentes para a ameaça que paira sobre nossa "honra" a qual - admite-se ainda em nossos respeitáveis tribunais - pode ser lavada com sangue. E como somos cuidadosos com as mulheres... Com as que dividimos nosso cotidiano, cuidamos
para que não se percam no horizonte vertiginoso do trabalho e da esfera pública; as preferimos, via de regra, em casa, no universo emocionante das tarefas de Penélope pois, pensamos, cabe a Ulisses o destino de viajar pelo mundo. E, quantas vezes, de forma piegas, soubemos "valorizar" este mundo da repetição que se constrói da pia ao tanque, da cama à tábua de passar?
Sim somos sensíveis e cuidadosos. Zelamos pelo destino de todas as mulheres louvando, por exemplo, os atributos naturais que 1hes permitem a maternidade. Nossa criatividade não tem limites e, ironicamente, inventamos ditos nada populares: "Ser mãe é padecer no paraíso" repetimos, como quem consola e, ao mesmo tempo, condena. E com p nossas filhas, por acaso nosso cuidado é menor? Não as pretendemos eternamente crianças longe do sexo e perto da etiqueta? Agrada-nos imaginá-las Joana D’Arc, Maria Quitéria e Anita Garibaldi ou as preferimos domadas prisioneiras passando de pai a marido com nosso real consentimento?
Sim, nossos cuidados são vários e incansáveis. Frente àquelas que desejamos, cuidamos em possuí-las já com o olhar e, súbito, somos selvagens esfomeados antecipando estratégias de abate. E se nossas presas resistem, imaginamos que esta é a forma específica e natural da inevitável "entrega"; por via das dúvidas, carregamos cá conosco nossas bordunas como derradeiro argumento. E, por toda esta conduta, se sorrimos ao falar das mulheres, não podemos esconder os cadáveres que trazemos entre os dentes.
Sim, Sr. Presidente, como assinala Afonso Romano de Sant’Anna: "Estão matando nossas fìlhas e mulheres e acompanhamos pasmos o enterro das vizinhas; sem contar as que abortam nos subúrbios e se enterram em ensangüentados panos menstruais... Estamos matando nossas filhas, mães e irmãs; como sempre derrubamos negras nos celeiros e índias na floresta; em Nova York estupramos 45 por hora num sufoco de abatidas gazelas; nos subúrbios de São Paulo e nas favelas do Rio já não há contas, mas se pode ouvir no amanhecer a enorme grita das reses pelo alarido dos jornais".
Falo da violência que promovemos, mas será preciso evitar um mal-entendido: não é só violento aquele que mata ou estupra; afinal, há modos mais caseiros de assassinato e formas mais suaves de exterminio. Os antigos floricultores japonenes e chineses descobriram métodos de produzir amendoeiras, paineiras, e outras árvores imensas e frondosas em pequeninos arbustos de 20 cm que se usa como enfeite para a alegria das visitas. O método oriental é sofisticado; vai aos poucos podando as raízes e os galhos e colocando a árvore em recipientes cada vez menores, até que conseguem a miniatura final. Muitos, entre nós, tornaram-se especialistas neste método e souberam transformar algumas mulheres em objetos de poucos centímetros de estatura moral e física. Sentem-se bem assim, afirmam, como bibelôs da altura de um liliput na nossa terra de homens-Gulliver. Todos estes crimes são seculares e não podem ser esquecidos nem perdoados. Nada do que se diga ou escreva será forte o suficiente nem tão importante a ponto de apagar do cérebro dos vivos a tradição de tantas gerações mortas no pesadelo antifeminista. Já na antigüidade clássica, o pensamento de Platão, que havia situado a mulher entre os homens e os animais, revelava, ameaçador, a tradição posterior. Para o célebre filósofo grego "os homens covardes que foram injustos durante sua vida seriam muito provavelmente transformados em mulheres quando reencarnassem". Já nesta época, encontraremos a origem da expressão "paterfamilias" que era equivalente a "dominus", da mesma forma como "familiaris" queria dizer o mesmo que "servus". A mulher grega - sem sonhos, só presságios - já está enclausurada no gineceu e em nada participa da vida política e cultural da pólis. Prevalece e regra formulada pelo próprio Sócrates: "aos homens a política, às mulheres a casa".
Na tradição filosófica mais significativa a exclusão das mulheres permaneceu como um tema recorrente, atingindo em cheio mesmo a obra de gigantes do pensamento como Kant e Hegel. Para Nietzche, que chegou a recomendar o chicote para aquele que desejasse ir ao encontro de uma mulher, ela significava tão-somente o brinquedo mais perigoso do homem. Este deveria ser educado para a guerra e, aquela, para a recreação do guerreiro. Opiniões deste tipo podem ser selecionadas infinitamente em reflexões tão díspares como aquelas que separam Proudhon de Shopenhauer; ou Rousseau de São Tomás de Aquino. Este último, por exemplo, afirmou: "A mulher é um ser acidental e falho. Seu destino é o de viver sob a tutela do homem. Sobre si mesma ela não tem autoridade alguma. Por natureza a mulher é inferior ao homem em força e dignidade e por natureza lhe está sujeita, pois no homem o que domina, por sua própria natureza, é a facilidade de discernir, a inteligência".
A lembrança de São Tomás nos é particularmente significativa, pois revela uma tradição teológica que jamais encontrou dificuldade em amparar-se em textos bíblicos. A começar pelo mito da criação, encontraremos no Gênesis o símbolo mais evidente do papel secundário atribuído à mulher. Eva não surge senão de uma costela de Adão, e é por conta de sua imprudência que se comete o "pecado original", aterrorizante invenção religiosa que nos pretende fazer a todos portadores de uma culpa incontornável. Mal magnífico, prazer funesto, a mulher foi por nós acusada de ter introduzido o pecado, a desgraça e a morte. Pondora grega ou Eva judaica ela cometeu a falta primeira ao abrir a urna que continha todos os males ou ao comer do fruto proibido. O homem procurou um responsável para o sofrimento e o malogro e encontrou a mulher. Como não temer um ser que nunca é tão perigosos como quando sorri? É o apóstolo São Paulo quem sacramenta a exclusão em Corintios, capítulo II, versículo 9: "não foi o homem, evidentemente, que foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem". E, em outra passagem, com a exclusão ganhando força normativa: "que as mulheres sejam submissas a seus maridos como ao Senhor, com efeito, o marido é o chefe de sua mulher, como Cristo é o chefe da Igreja. Ele o Salvador do corpo. Ora, a Igreja se submete a Cristo, as mulheres devem, portanto, e da mesma maneira, submeterem-se, em tudo, a seus maridos" (Efésios capítulo 5, versículo 22). Por tudo isto, pode-se situar a reação de Tertuliano que dirigindo-se às mulheres diz: "Tu deverias usar sempre o luto, estar coberta de andrajos e mergulhada na penitência a fim de compensar a culpa de ter trazido a perdição ao gênero humano; mulher, tu és a porta do diabo, foste tu que tocaste a árvore de Satã e que, em primeiro lugar, violaste a Lei Divina".
Invectivas como esta se encontram de forma abundante em toda uma literatura sacra que prepara as condições para um dos fenômenos mais terríveis da história da cristandade: o período de caça às bruxas. O aspecto da mulher é belo, reconhecia-se, mas sua companhia podia ser mortal. Sua sexualidade, em torno da qual já se havia cavado um fosso, passava a ser doravante associada a atributos infernais. O ciclo para a diabolização da mulher estava fechado. Desde sempre imperfeita e perigosa, a mulher possuía menos fé, por natureza. Aliás, assinala-se, deriva desta convicção o vocábulo "feminina" que vem de "Fé" "mina" ; ou simplesmente," menos fé". Calcula-se que no espaço de três séculos - de 1450 a 1750 - pelo menos 60 mil mulheres foram queimadas como feiticeiras. Para variar, tais táticas tinham sustentação bíblica: em João, capítulo 15, versículo 6, pode-se ler: "Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora à semelhança do ramo e secará: e o apanham, lançam no fogo e queimam". E, igualmente, em Êxodo, 22-18, onde se assinalou: "A feiticeira, não deixarás viver".
Mas quem eram estas bruxas que mandamos queimar em praças européias para o riso e o temor das concorridas audiências? Mulheres comuns que não se adaptavam aos critériosmasculinos de piedade; parteiras e curandeiras que detinham um saber não-oficial; velhas de comportamento exótico, esposas infiéis, adolescentes consideradas estranhas, qualquer uma que, por qualquer motivo, ameaçasse a vigência de um padrão de conduta.
Ocorre, Sr. Presidente, que muitas outras bruxas se seguiram. A História está povoada delas. Bruxas como Olympe de Gouges que, em plena Revolução Francesa, publicou, parao escárnio geral, a "Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã". Sua declaração partia do seguinte principio: "Se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, também lhe deve ser dado o direito de subir à tribuna". No que toca ao cadafalso, seu direito foi respeitado. Olympe de Gouges morreu guilhotinada em novembro de 1793. E houve as bruxas inglesas como Flora Tristan que, testemunha do desenvolvimento industrial do Século XVIII, ergueu a sua voz para denunciar o regime de servidão ao qual estava submetida a classe operária e, particularmente, as mulheres operárias. Dela, o poeta poderia dizer que seu coração pairava sobre as fábricas qual gigantesca maçã. Flora morreu esgotada aos 41 anos de idade dizendo: "O que significa amar? Amar é escolher. Para amar é preciso ser livre". Já na outra vertente do Século, outra bruxa, Louise Michel lhe responde afirmando: "Escravo é o proletário e escravomais que todos é a mulher do proletário". Deportada para a Nova Caledônia depois da Comuna de Paris, e enfrentando a ira dos dominadores, Louise Michel nos lega a sua maior esperança dizendo:" Tomem nossos destinos esfacelados e façam deles uma aurora". Ninguém, talvez, em nosso século, assumiu tão radicalmente a tarefa quanto Rosa Luxemburgo. Bruxa revolucionária, Rosa almejou a aurora de uma sociedade socialista e libertária enfrentando, à sua direita, a política reformista da social-democracia e, à sua esquerda, as tendências burocráticas e totalitárias que a História veria se realizar tragicamente. Ao exemplo de tantas outras feiticeiras, Rosa teve seu destino esfacelado por mãos assassinas e masculinas, como tiveram na América Latina e no Brasil tantas outras bruxas como Olga Benário Prestes, entregue à Gestapo pelo Senhor Getúlio Vargas; ou como as centenas de companheiras que conheceram a fúria e a humilhação da tortura nos porões imundos da ditadura militar.
Sr. Presidente, acredito que as feministas sejam, por excelência, as bruxas da modernidade. É verdade que já não lhes preparamos fogueiras, mas é igualmente certo que nossa sociedade encontra-se verdadeiramente ardendo em preconceitos. Quantos de nós, homens e mulheres, imaginam-se "modernos" para, ato contínuo, sustentar o tabu medieval da virgindade? Quantos, efetivamente, definem-se como "democratas" para, no mesmo instante, negar ao outro os valores da moral sexual que exercitam?
Estas e muitas outras questões foram trazidas à discussão por um "incomodativo" discurso: o discurso feminista cuja força maior reside no fato de que é impossível se inquietar com ele sem que nos inquietemos conosco mesmos. E inquieto deve estar o Poder Legislativo do Rio Grande do Sul, quando se descobre quase inteiramente masculino. A presença nesta Casa, da garra e da coragem da Deputada Jussara Cony, bem como a determinação da Deputada Regina Rossignollo reflete, em sua proporção dramática, os obstáculos colocados a todas as mulheres para que se movimentem na esfera pública. O fenômeno não é estadual, mas assinala-se, reveste-se em nosso Estado de uma particular agudeza. Por certo, nossa herança cultural tem algo a nos dizer sobre esta exclusão, tanto quanto um determinado gauchismo que por aqui se cultua e que imaginou poder reservar às mulheres o papel de "prendas".
Por tudo o que já foi dito, que este 8 de março revigore a mais radical das feitiçarias: aquela que se verifica quando os amantes se enredam nos mais generosos sentimentos; e que as bruxas deste tempo e dos tempos que virão, possam prosseguir com seus mistérios, possam aperfeiçoar suas fórmulas e poções para que, um dia, todos sejamos permanentemente "encantados".
Muito obrigado.
Marcos Rolim fez esse dircuso na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Exercia o mandato de deputado estadual pelo PT naquela ocasião.
08-03-1991
sábado, 6 de março de 2010
Nota de João Vaccari em repúdio a matéria mentirosa da "Veja"
Vaccari repudia matéria antiética de Veja
Nota à imprensa
A respeito de matéria publicada pela revista Veja desta semana, esclareço:
1. Presidi a Bancoop de 2005 até a semana passada, quando me desliguei da cooperativa para assumir minhas funções como Secretário de Finanças e Planejamento do PT;
2. Nunca houve nenhum tipo de acusação contra mim e não respondo a nenhum processo, civil ou criminal
3. Em relação à investigação envolvendo a Bancoop, sempre nos colocamos à disposição das autoridades, agindo com total transparência, disponibilizando documentos e fazendo os esclarecimentos necessários à Promotoria e aos cooperados.
4. Repudio o tipo de jornalismo antiético praticado por Veja, que diz ter passado seis meses “investigando” o caso e em nenhum momento procurou ouvir a mim ou a Bancoop.
João Vaccari Neto
Secretário de Finanças e Planejamento do PT
sábado, 27 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Dr. Rosinha: Uma história, um partido
Os fatos podem ser mais ou menos relevantes. Podem entrar ou não para a história de um país. Mas, de alguma forma, entram sempre na história de vida das pessoas que deles participaram.
Muitos participam dos fatos e, depois, sequer são citados quando a história é contada. São anônimos perante a história, mas o fato não é anônimo para as suas vidas. Todos têm uma história para contar, uma parte da história, às vezes mínima, sobre sua participação.
Contam, assim, "uma história". E aqui vai uma breve história de um fato que entrou para a história do Brasil.
Até 1980, eu não militava em nenhum partido político. Militava no movimento em defesa da saúde pública e pelos direitos dos médicos residentes. Militava junto aos movimentos sociais de Curitiba. Fazia palestras sobre saúde e direitos de cidadania.
Final da década de 1970. Surge o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes) e o Reme (Movimento de Renovação Médica). Participo de ambos e, como resultado, sou escolhido presidente do Cebes, núcleo de Curitiba, e eleito como suplente para a diretoria do Sindicato dos Médicos do Paraná.
Na mesma época, há grande agitação política e social no Brasil, contra a ditadura militar. No seio dessa mesma agitação, começa o debate sobre a criação de um partido político de esquerda. Participo desse debate entre os militantes do movimento da saúde pública, que já na época discutia a implantação de um sistema único de saúde.
Cria-se em Curitiba e no país um movimento "pró-PT". Tomo ciência da reunião que estava sendo preparada para São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1980. Um dos critérios para participar era ser dirigente de alguma entidade de caráter social, e eu presidia o Cebes. Após algum debate e reflexão, candidatei-me a ir para a reunião.
De Curitiba saiu um ônibus, com pouco mais de 30 pessoas, além de alguns automóveis. Fui de carro, com o advogado Luiz Salvador. Se não me falha a memória, era uma Brasília azul. Para não cometer injustiça e omissões, não citarei o nome dos paranaenses que conhecia ou que conheci depois e que lá também estavam.
No dia 10 de fevereiro de 1980, há 30 anos, o PT ganhava vida e começava a entrar e a criar a história do nosso país. E eu comecei a vida política partidária e a ter uma história para contar.
Não há espaço aqui para relatar tudo o que carrego daquele dia. Mas posso registrar que havia, no olhar de todos os presentes no Colégio Sion, líderes ou não, o brilho da esperança de construir um novo país. Com a participação efetiva dos trabalhadores, sob o marco do socialismo, palavra que, naquele momento, de ditadura, não poderia estar escrita. Construir uma força política organizada e autônoma, com a participação de trabalhadores e trabalhadoras. Enfim, um partido de massas.
Participei de todas as fases de construção do PT, que, aliás, não foram fáceis: filiar pessoas para legalizar o partido; eleição de 1982, com o voto vinculado, cujo resultado gerou uma crise no partido; perseguição a militantes com demissões ou não contratação para trabalhar. Superamos os obstáculos com muita solidariedade.
Ao comemorar 30 anos de PT, posso dizer que me orgulho por ter participado dessa história, e de ter uma história para contar. Posso afirmar que, em parte, o Brasil é o que é hoje graças ao Partido dos Trabalhadores. Não nego a história dos outros, mas foi o PT o principal partido a sair às ruas para exigir a democratização do país, e o primeiro a levantar a bandeira da eleição direta para presidente.
O PT conseguiu dar voz e vez aos explorados e oprimidos. E é do PT o presidente que faz hoje o melhor governo da nossa história. E este é apenas um fragmento de uma grande história, ainda em curso.
Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR).
O PT tem lado e sabe o que o quer para o Brasil, diz Lula na posse do novo DN
O ato ocorreu na noite desta sexta-feira (19), dentro da programação do IV Congresso realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, quando foram empossados o novo presidente José Eduardo Dutra e os 81 membros do novo DN .
Lula lembrou os momentos difíceis vividos pelo partido em três décadas de existência e destacou que a firmeza ideológica faz com a militância petista supere o "medo de turbulências". "O nosso partido tem lado e sabe o que quer para o Brasil. Nestes 30 anos nós construimos o maior paradigma de esquerda existente em um país democrático. Aprendemos a construir uma convivência democrática interna e hoje praticamos essa convivência com outras forças políticas aliadas", disse o presidente.
Ele destacou ainda as disputas internas do PT como um exemplo para o mundo. "A grande virtude do PT é o debate de idéias na disputa interna entre as várias correntes do partido e esse aprendizado precisa ser socializado e repartido pelo mundo", afirmou Lula
Lula reforçou também a importância do PT para a integração política na América Latina. "É importante que a gente faça no próximo período uma amarração com partidos e movimentos sociais de países latinoamericanos para que possamos ter uma verdadeira integração, política e ideológica. Existem duas coisas que eu quero fazer após deixar a presidência: trabalhar fortemente por essa integração e atuar para uma integração maior da América Latina com a África", enfatizou.
Primeiro presidente da história do PT, Lula finalizou sua fala saudando o novo presidente José Eduardo Dutra: "Vocês todos vão se orgulhar muito deste companheiro na presidência do partido".
Também o vice-presidente José de Alencar participou da cerimônia que contou ainda com a presença de ministros petistas, parlamentares, lideranças políticas de partidos aliados, além dos 1.350 delegados e delegadas participantes do Congresso e demais militantes petistas.
Alencar também deixou uma bela mensagem à militância petista e afirmou que o PT é "uma escola política de comportamento admirável". Ao mencionar a ministra Dilma Rousseff, que será indicada neste sábado (20) como pré-candidata do PT à Presidência da República, ele afirmou que a sua principal qualidade é a grande bravura e que a ministra tem todas as qualidades para assumir a presidência do país.
O deputado federal Ricardo Berzoini, que deixa a presidência do partido, fez um resgate histórico das dificuldades e vitórias políticas vividas pelo PT nos seus 30 anos de história e convocou a militância para enfrentar o grande desafio de dar continuidade à luta em 2010.
O presidente empossado, José Eduardo Dutra, fez um discurso emocionado durante o ato de posse. "Eu assumo o compromisso de não ser o presidente da tendência A, B ou C, mas sim como presidente de todo o conjunto do partido", afirmou. REle fez uma homenagem a todos os presidentes da história do PT mencionando os estilos, os desafios e a contribuição política de cada um deles, de Lula a Berzoini, passando por Olívio Dutra, Rui Falcão, Luiz Gushiken, Tarso Genro, José Dirceu e José Genoíno.
Dutra também destacou as tentativas dos adversários em tentar destruir o PT. "Eles não conseguiram acabar com a nossa 'raça' porque a nossa raça é forjada no suor de milhões de trabalhadores de todas as regiões do país, na luta dos seringueiros da Amazônia, no sangue derramado por Chico Mendes e de milhares de companheiros que dedicaram a sua vida à causa da liberdade, pela democracia e ao socialismo", ressaltou.
Ele encerrou sua fala reafirmando que o PT irá eleger em 2010 a primeira mulher presidente da República da história do Brasil.
O encerramento do ato de posse foi coroado com a chegada de um grande bolo simbólico em homenagem aos 30 anos do partido e todos os presentes cantaram Parabéns pra você juntamente com o presidente Lula e os convidad
Mensagem ao IV Congresso Nacional do PT
O Partido dos Trabalhadores, em seus trinta anos de existência, jamais ocupou um papel tão decisivo para a renovação da esquerda mundial quanto agora. E, desta forma, precisa compartilhar uma profunda reflexão, em escala global, com todos aqueles movimentos e partidos que identificam o futuro da democracia com o futuro do socialismo. Isto implica em conceber o PT como partido que governa, nas condições e limites do presente, e que transforma a sociedade ao governar, mas, implica, igualmente, em reafirmá-lo como um partido de luta e de movimento por uma sociedade diferente da sociedade desigual em que vivemos. Portanto, implica em conceber o PT como um partido que faz da sociedade civil o seu espaço de construção democrática de uma nova sociedade que supere as intensas desigualdades, e de um novo Estado comprometido intensamente com a sociedade, afastando-se da concepção de Estado a serviço dos seus detentores e das elites econômicas e sociais. Por isso é que reafirmamos a nossa natureza de partido socialista, construtor de uma nova democracia, participativa, republicana, plural, e de uma nova sociedade mais igualitária e mais harmônica com a natureza.
Eleger Dilma e aprofundar a Revolução Democrática
A unidade do partido em torno da candidatura da companheira Dilma Rousseff será o momento mais elevado da nossa convergência militante, e poderá levar a primeira mulher à presidência da República. Um novo governo do PT será a continuidade das transformações econômicas e sociais iniciadas pelos dois governos do presidente Lula, e uma oportunidade para avançarmos naquelas áreas nas quais ainda não realizamos plenamente nosso projeto histórico, superando limites que em oito anos ainda não pudemos superar. Consolidar nossos laços com o movimento social e amplas parcelas da população são tarefas indissociáveis da eleição da companheira Dilma.
O aprofundamento da Revolução Democrática e a continuidade das transformações em curso na América do Sul relaciona-se intimamente com nossa vitória. A esquerda brasileira deve caminhar unida neste embate contra as forças neoliberais e conservadoras nas eleições de outubro. Eleger uma bancada na Câmara e no Senado ainda mais forte e governadores afinados com nosso projeto nacional também é uma tarefa central para o partido nas eleições deste ano.
Incorporar à estratégia do PT novos setores sociais
Os movimentos sociais tradicionais de luta pela terra, por moradia, lutas dos trabalhadores, das fábricas e dos demais setores assalariados por melhores condições de vida e salário constituem, não somente bases sociais decisivas para estas mudanças mais profundas que almejamos, mas também uma importante base política para a sustentação material de um novo modelo econômico, que considere a grande importância e o potencial do nosso mercado interno.
Mas, o PT precisa incorporar à sua estratégia os novos setores sociais que viram em nossos governos a perspectiva de realização de antigas e históricas aspirações, em especial aquela larga parcela da sociedade, diferente do proletariado e dos setores que se articulam nos chamados movimentos sociais, que não tem formas próprias de organização para defesa de seus interesses, e que espera de um Estado protetor a superação de suas dificuldades e sua inclusão social. Por isso, não é de se estranhar que sua identidade tantas vezes se deu, e em certas circunstancias ainda pode se dar, com os representantes da direita conservadora e autoritária na política brasileira. Consolidar nestes setores a mesma identidade com as idéias básicas do PT, que se obteve nos movimentos tradicionais organizados, eis um dos grandes desafios da atualidade.
Também o PT precisa incorporar à sua estratégia não só os novos e novíssimos movimentos sociais, como também as novas redes de solidariedade e informação que fluem pela internet. Além disso é necessário que o partido se dedique a compreender as demandas das novas classes de trabalhadores – classes médias e também de baixos rendimentos – que emergem de forma cada vez mais potente, por fora do sistema produtivo tradicional.
Trata-se de englobar, portanto, mais além dos trabalhadores assalariados tradicionais, o novo mundo do trabalho, autônomo juridicamente, mas dependente, que surgiu e vêm crescendo nos últimos trinta anos, inclusive, as novas categorias de trabalhadores da vanguarda tecnológica, cujas formas de inserção nos serviços e na produção, originam um novo mundo do trabalho. Esta tarefa encontra-se no centro da estratégia de um partido mergulhado nas preocupações do tempo presente.
Para isto, nosso partido deve recriar sua vida interna, sua gestão administrativa interna, suas práticas no governo, e, também, criar novos processos de formação da sua opinião dirigente, ciente de uma nova sociedade no seu entorno.
Assim, para o desenvolvimento econômico nacional, deve considerar em sua estratégia, as novas formas de produzir da economia solidária, o papel destacado das micro e pequenas empresas, os novos grupos empresariais que perseguem os mercados com responsabilidade ambiental, em especial, aqueles vinculados à produção e a pesquisa para a produção de energia limpa, a comunidade científica e tecnológica que produz novos conhecimentos e inova o fazer. Todos estes segmentos podem ser integrados positivamente num projeto de nação, cujo novo conteúdo só pode ser realizado a partir de uma interdependência cooperativa com soberania, a par da universalização do acesso à educação de qualidade e do acesso à cultura com seu profundo sentido emancipador. Indispensável que, nesta disputa para a construção de um projeto nacional o país possa contar com grandes empresas públicas, com avançados centros de pesquisa, e com associação de empresas e centros públicos de pesquisa com empresas privadas brasileiras, que fortaleçam a economia nacional no cenário global.
Uma esquerda renovada
A renovação da utopia socialista neste inicio de século demanda ainda um esforço permanente em favor da renovação da política. A reinvenção de uma moral política adequada a uma ética universal, com base nos princípios de justiça, igualdade, liberdade, democracia e república, que alimente as grandes transformações no século 21, é um dos grandes desafios da esquerda mundial hoje, que ainda não superou a chamada “crise das ideologias” do final do século passado.
Mesmo diante da avassaladora crise que se abateu sobre a economia global, a esquerda no mundo não foi capaz de passar à ofensiva, a partir da reconstrução de um projeto histórico das maiorias. Honrosas exceções têm sido o Brasil e parte da América Latina, ainda que a esquerda tenha experimentado um importante revés, recentemente, no Chile.
A renovação da política, em nosso país, passa pelo enfrentamento radical das raízes históricas do patrimonialismo, do clientelismo, do messianismo e do populismo, que ainda incidem sobremaneira na conduta de nossas elites políticas. Qualquer partido estará sujeito a sucumbir diante da poderosa força de atração que possui nossa ultrapassada estrutura política, erguida para assegurar os grandes interesses e bloquear as alternativas de poder democrático. Portanto, uma profunda reforma política será decisiva, na esteira da legitimidade política construída com mais uma vitória nacional com a companheira Dilma.
Renovar a política é também renovar os políticos e, neste sentido, o reencontro do PT com as aspirações da juventude brasileira é um passo decisivo. Mas este reencontro somente será possível se recuperarmos, com força, a idéia de que uma conduta ética, republicana, democrática não somente é possível, como também urgente. E não será preciso aqui ressaltar o quanto uma pratica política renovadora nos dias atuais se combina, organicamente, com o respeito ao meio ambiente e a defesa do planeta e da sustentabilidade de seus recursos naturais.
A reação ao 3º Programa Nacional de Direitos Humanos reacende o debate acerca de um amplo conjunto de bandeiras históricas de nosso partido que, em muito, tem a contribuir com a renovação do pensamento e da prática política da esquerda neste início de século. O debate aberto pela SEDH e conduzido corajosamente por nosso companheiro Paulo Vanucchi, não deve esgotar-se nos termos apresentados pela Conferência Nacional de Direitos Humanos. É preciso aprofundar ainda mais os temas propostos e não sucumbir às pressões que visam bloquear, de forma autoritária, o debate democrático na sociedade.
Reformar o PED para renovar o PT: a nossa Reforma Política
Temos hoje no partido, senão um consenso, ao menos, uma ampla maioria em torno da idéia de que o atual modelo do PED se esgotou. Sem perder a essência democrática da consulta direta aos militantes do partido, é preciso reorganizar o atual modelo de disputa, sob o risco de cristalizarmos internamente os mesmos vícios do sistema político tradicional que pretendemos transformar.
Desta forma, a Mensagem ao Partido pretende, neste Congresso, abrir um debate franco com as demais posições do partido visando a elaboração de bases para uma “Reforma Política interna”.
Em nossa opinião, esta reforma passa necessariamente pela sustentação da concepção de partido que está presentes nos princípios fundadores do PT e que precisam ser atualizados, e na reafirmação do papel de cada filiado/a na construção da história, valorizando a individualidade como momento de liberdade, que não pode, no campo das ideias e opiniões, ser submetida a pressões materiais, morais, ou políticas.
A democracia no PT começa com a garantia de igualdade dos seus filiados, tornando-se uma vontade coletiva que se realiza pelo convencimento, pelo argumento, pela mobilização consciente. O PT abomina qualquer medida ou procedimento que coisifique as pessoas e as reduzam a instrumentos de perpetuação de poder ou de privilégios. O PT deve ser reafirmado, e este é um de seus princípios fundadores, como uma associação livre de homens e mulheres, conscientes e comprometidos com a universalização de direitos e que luta contra qualquer tipo de opressão e manipulação, seja a que título for.
Como contribuição para uma reforma mais ampla pensamos que é necessário um posicionamento do Congresso em relação a pelo menos 3 aspectos:
- garantir crescimento das filiações com o simultâneo fortalecimento do PT: a filiação é um compromisso com o PT, por isso será precedida de formação e expressa aceitação dos direitos e deveres do filiado/a;
- garantir a independência do PT: nosso partido é sustentado principalmente pelo esforço organizativo e financeiro dos seus filiados, o que torna a participação e a contribuição financeira princípios e compromissos fundamentais da construção partidária socialista;
- garantir o PED como momento decisivo da democracia partidária: no qual a soberania de cada filiado/a seja respeitada, assim como o pluralismo, as regras contidas no Código de Ética (vedação de qualquer mecanismo de tutela de chapa ou de governos sobre filiados), criação de “instância eleitoral específica” e definição prévia do colégio eleitoral.
Entre as várias medidas necessárias estão: a adoção de um tipo de financiamento público das campanhas do PED, um fundo que garanta condições mínimas de igualdade para as chapas e candidaturas concorrentes; que as chapas e candidaturas passem a prestar contas publicamente e registrar doações individuais e que estas sejam reguladas; garantir como tarefa afeta aos organismos partidários facilitar o acesso dos filiados/as aos locais de votação, afastando a prática clientelista do transporte de eleitores pelas chapas. Um partido de massas e popular como o PT deve, de fato, enfrentar este debate e equacionar temas deste tipo que estão se manifestando hoje como elementos de distorção da democracia interna. O que não podemos é ignorar a questão e deixar que o poder econômico, o poder dos governantes e relações clientelistas regulem as relações partidárias.
É também necessária a instituição de uma Comissão Superior Eleitoral, composta por militantes experimentados, com mandato mais longo do que o das direções partidárias. Esta é uma necessidade imperiosa de um partido que pretende institucionalizar suas praticas democráticas. Não é razoável que as comissões eleitorais, que decidem sobre o interesse das chapas em disputa, sejam compostas da mesma forma que as instâncias de direção. É preciso um órgão atemporal, para resolução de litígios, com imparcialidade e acúmulo necessário ao bom funcionamento de nossa vida democrática.
São estas contribuições que a Mensagem ao Partido vem apresentar neste 4º Congresso, ciente dos imensos desafios que se apresentam neste ano de importantes definições para o futuro do Brasil e da América Latina.
Viva o PT!
Brasília, 19 e 20 de fevereiro de 2010.