terça-feira, 23 de junho de 2009

O trabalho continua para desespero de uma minoria .













Ao todo, cerca de 340 obras foram executadas no primeiro mês de serviços da Operação.

Importantes corredores de transporte da cidade, as avenidas Dedé Brasil, Duque de Caxias, Leste-Oeste (Presidente Castelo Branco) e Perimetral são exemplos de locais que recebem intervenções da Operação Tapa-Buracos. Além desses locais, as ruas do entorno da Praça Portugal e o calçadão da Beira-Mar também foram beneficiados. Ao todo, cerca de 340 obras foram executadas no primeiro mês de serviços da Operação. Entre os serviços estão recuperação de pavimento e reparos no sistema de drenagem, realizados pelas Secretarias Executivas Regionais (SERs), além da produção e da aplicação de massa asfáltica, executadas pela Usina de Asfalto de Fortaleza. No total, a Usina já produziu e aplicou cerca de 7 mil toneladas de asfalto.

Os moradores de pelo menos seis bairros na área da Regional I, Monte Castelo, Moura Brasil, Vila Velha, Barra do Ceará, Álvaro Weyne e Carlito Pamplona já foram beneficiados com a Operação. Os trabalhos melhoraram a qualidade de vias importantes como a Dr. Themberge, Av. Tenente Lisboa, Av. Pasteur, Av. Radialista Lima Verde, entre outras. A Leste-Oeste está sendo recuperada ao longo de toda sua extensão, beneficiando 73 mil usuários das 10 linhas de ônibus que circulam diariamente na avenida. No bairro Vila Velha, a parede de um canal que cedeu com as fortes chuvas está sendo refeita, beneficiando 40 mil moradores do bairro.

A Regional II também deu prioridade a obras significativas para a população, como reforma de paralelepídedo das ruas no entorno da Praça Portugal. O calçadão da avenida Beira Mar, também palco de visitação para fortalezenses e turistas, recebeu reformas em seu piso, em frente à feirinha, um de seus pontos mais movimentados. Essa área também passa por reformas no aterro e construção de muro de contenção para evitar nova destruição do piso pela água.

Entre os principais locais de serviços executados na Regional III durante o primeiro mês da Operação estão locais de grande extensão e por onde passam linhas de ônibus: Rua Santo Amaro, entre Franco Rocha e Pernambuco, na divisas dos bairros Pici e Jóquei Clube; Rua Maria José Teixeira com Rua José Goiânia, no Quintino Cunha; e Rua Tenente Lauro, no Jóquei Clube.

Na Regional IV, os bairros de Fátima, Itaoca, Montese, Itaperi, Serrinha, Demócrito Rocha, Damas e Parangaba já receberam intervenções. Antigos pontos de alagamentos como os da Rua José Euclides, no Bairro de Fátima, foram solucionados com a limpeza de bocas de lobo em quase toda a extensão da rua. Grandes corredores de transporte coletivo como a Rua Alberto Magno, no Montese, também já foram beneficiados, melhorando o deslocamento dos usuários das 12 linhas de ônibus que passam pelo local.

Na Regional V, um importante trabalho vem sendo feito no Conjunto Ceará: trata-se da reforma da pavimentação em paralelepípedo da Avenida Central, no trecho compreendido entre as avenidas I e J. A via, uma das principais do Conjunto Ceará. As equipes da Operação Tapa-Buracos continuam trabalhando ainda na Avenida Central, realizando consertos de microdrenagem e pavimentação.

Umas das primeiras obras realizadas pela Operação Tapa-Buracos na área da Regional VI foi a recuperação da Rua Santa Lucrecia, no bairro Paupina. A via, que ficou bastante desgastada, recebeu serviços de reforma da pavimentação e da drenagem, além de recapeamento asfáltico. A obra atendeu a demanda da comunidade que vinha enfrentando problemas de locomoção, já que a rua é passagem para a linha de ônibus Paupina e para a Topic 03 (transporte alternativo). Outro importante trecho recuperado pela Operação foi a Avenida Jornalista Tomaz Coelho, em Messejana, localizada no entorno do Terminal.

Para esta quinta semana, os principais bairros a serem atendidos pela Operação Tapa-Buracos em cada Regional são:

Regional I - Barra do Ceará, Ellery e Jardim Iracema
Regional II - Aldeota, Meireles e Papicu
Regional III - Antônio Bezerra, Henrique Jorge e Pici
Regional IV - Bairro de Fátima, Itaperi e Montese
Regional V - Conjunto Ceará, Genibaú e Granja Portugal
Regional VI - Curió, Parque Manibura e Passaré

Previdência Social tem arrecadação recorde em maio

O Ministério da Previdência divulgou nesta terça-feira (23) que a arrecadação real previdenciária atingiu R$ 14,4 bilhões em maio, maior resultado mensal da série histórica. O volume é 1,6% superior ao de abril. Em relação a maio de 2008, houve alta de 8%.

"Esta é a maior arrecadação mensal na série histórica, desde julho de 1994", disse o ministro da Previdência, José Pimentel. A comparação desconsidera os meses de dezembro, influenciados pelo 13º salário.

O resultado favoreceu a queda do déficit previdenciário em maio. A diferença entre a arrecadação e as despesas no mês passado somou R$ 2,739 bilhões, redução de 12,1% em relação a abril, quando o saldo ficou negativo em R$ 3,118 bilhões, e de 5,6% frente os números de maio de 2008, com saldo negativo de R$ 2,903 bilhões.

O resultado da Previdência em maio apontou ainda queda nas despesas de 0,9% na comparação com abril. Segundo o ministro, o resultado é reflexo da retomada do mercado de trabalho. O custo foi de R$ 17,1 bilhões contra R$ 17,2 bilhões em abril. Já na comparação com maio de 2008, as despesas aumentaram 5,5%.

O destaque foi o resultado na área urbana que apresentou saldo positivo de R$ 214 milhões. "Começamos a acumular recursos para cobrir os benefícios no final do ano", reforçou o ministro.

No acumulado do ano, a Previdência arrecadou R$ 66,673 bilhões, uma elevação de 6,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
Previsões

A previsão do governo é que as contas previdenciárias continuem em trajetória de equilíbrio, ou seja, de aproximação entre a arrecadação e as despesas da Previdência. A avaliação está baseada na retomada do crescimento nos números do emprego formal, embora ele ainda não seja observado na indústria, principal geradora de empregos.

“Não há previsão de piora para a Previdência devido ao aumento do estoque de empregos formais. [...] A indústria de transformação foi de um cenário de demissões para estabilidade, representando melhora”, disse o secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer.

O ministro da Previdência acrescentou que, em junho, o resultado deve englobar o aumento de 131 mil novas vagas formais de emprego, mantendo a tendência de alta na arrecadação.

Araguaia: Petista quer convocar Curió para depor em audiência pública

O vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM), deputado Pedro Wilson (PT-GO), pretende convocar o ex-deputado Sebastião Curió Rodrigues de Moura (Major Curió), para depor em audiência pública sobre o massacre militar de camponeses durante a Guerrilha do Araguaia, em 1970. Major Curió comandou o massacre contra civis e deve explicar sua participação no episódio que até hoje não tem respostas concretas quanto ao desaparecimento e morte de militantes e camponeses locais.

Curió deu entrevista ao jornal Estado de S. Paulo sobre o tema neste final de semana. Na matéria ele afirma que 41 guerrilheiros, e não 25, foram vítimas da repressão militar. E fora isso, ele teria documentos importantes sobre o episódio.

“Curió pode ser uma pista segura para avançar nas investigações deste episódio que envergonha a nação. É importante que um dos principais agentes fale sobre o que de fato aconteceu e espero que ele confirme e amplie as informações que temos, já que Curió tem documentos importantes, talvez até sigilosos sobre este massacre”, disse o deputado Pedro Wilson.
Guerrilha

A Guerrilha do Araguaia aconteceu nas proximidades do rio de mesmo nome, na divisa dos estados do Pará, Maranhão e Tocantins. A iniciativa foi do partido PC do B que visava derrubar a ditadura por meio de uma revolução.Versões afirmam que o Exército teria descoberto sobre a guerrilha, passando a perseguir os envolvidos e resultando em desaparecimentos, torturas e mortes não explicadas até hoje.

Testemunhas que afirmam que agentes do governo da época detém informações sigilosas que poderiam elucidar mais casos de mortes e desaparecimentos, serão ouvidas pela CDHM.“A luta é esclarecer não só o caso dos desaparecidos da região, como de todo o Brasil. Tanto as Forças Armadas quanto outros envolvidos na ditadura militar, falam que não existem mais arquivos, quando é óbvio que existem. Estes são os mais importantes” declarou Pedro Wilson. Na audiência, serão abertos arquivos importantes da ditadura militar, autorizados pela Secretaria Especial de Direitos Humanos e do Ministério da Justiça.

Segundo o deputado, mais dezesseis pessoas que não constavam como desaparecidas foram adicionadas à lista. Pedro Wilson – que também preside a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos - diz que além das testemunhas, jornalistas e familiares serão chamados à comissão afim de que a situação seja esclarecida principalmente aos parentes, os maiores interessados do tema.

Entrevista com Marta Suplicy

Marta: é preciso desconstruir o mito de bom gestor do PSDB

A ex-ministra e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy deu entrevista para dois jornais da região do ABC nas quais defendeu que o PT tenha candidato próprio ao governo do Estado de São Paulo em 2010. Perguntada se este candidato poderia ser ela, Marta descartou a hipótese, disse apoiar Palocci como candidato e afirmou que prefere se candidatar ao legislativo. Segundo o ex-prefeita, para derrotar os tucanos em São Paulo, é preciso desconstruir o mito de bom gestor do PSDB.


As entrevistas foram publicadas no mesmo dia que a direção estadual do PT se reuniu para discutir a estratégia petista para 2010 em São Paulo.


Da reunião, saiu a decisão de criar uma comissão para dialogar com partidos da base aliada sobre as eleições de 2010. A ideia é tirar da "informalidade" o debate sobre a campanha e chegar a um nome de consenso para disputar o governo paulista, segundo o presidente estadual da sigla, Edinho Silva.


Farão parte da comissão os líderes das bancadas petistas na Câmara e no Senado e o presidente do diretório paulista. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, será convidado a compor a comissão.


O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) tem sido apontado como um nome que poderia obter o consenso entre os partidos da base para disputar as eleições em São Paulo. “Vamos dialogar com partidos da base aliada, inclusive ressaltamos que o Ciro é uma liderança que todos nós respeitamos, o PT tem um grande respeito pelo Ciro, já havia dito isso na semana passada e hoje fortalecemos essa posição. Queremos conversar com o PSB, bem como com todos os partidos da base aliada”, disse Edinho Silva.

"O centro da nossa tática é a construção da candidatura da Dilma em São Paulo”, ressaltou, referindo-se à provável candidatura da ministra Dilma Roussef (Casa Civil) à Presidência da República.


Nas entrevistas que concedeu, a ex-prefeita Marta Suplicy concorda com a posição da direção partidária. Segundo ela, sua principal tarefa política no momento é a fazer a campanha de Dilma no Interior.


Veja abaixo as principais declarações de Marta Suplicy nas entrevistas que concedeu aos jornais Diário do Grande ABC e ABCD Maior.


Sobre a provável candidatura de Dilma Roussef à presidência:

"A maioria aos companheiros partidários falam mais em conjuntura econômica, projetos estruturantes, eu falo em continuação do projeto Lula por meio de uma mulher diferente como a Dilma. O presidente sabe que teve uma questão peculiar, de entender que é uma mulher com perfil totalmente diferente que pode fazer a diferença no Brasil de hoje. Ela tem uma história, lutou contra a ditadura, tem uma vida pessoal interessante, uma mulher que tem posição de luta, é de esquerda. E ao mesmo tempo é completamente diferente dele, porque é mulher, tem outra formação, outra cultura, outro preparo. Está preparada para o futuro, para o século 21. Porque daqui a 30 anos não estaremos mais trabalhamos do jeito que a gente trabalha. A Dilma tem a competência de vislumbrar esse novo rumo".


Sobre ser candidata ao governo paulista:



"Vou disputar, só não sei para qual cargo: senadora ou deputada federal. Para o governo do Estado apoio o (deputado federal Antônio) Palocci (PT-SP). Vai depender da conjuntura, do partido e da candidatura majoritária (à presidência), que é a que estou mais interessada, pois a prioridade é a Dilma. Acho que nunca tive isso na vida, ter a oportunidade de escolher."


Sobre a eventual candidatura de Ciro Gomes em São Paulo:



"A candidatura do Ciro apareceu do nada. A gente está falando de um nome e esquecemos do partido PSB, que em São Paulo apoia o Serra. Como teremos candidato nessas condições? Se conseguir que o PSB seja enquadrado por uma candidatura da Dilma, agregando outras forças, acho que o PT pode até considerar. Mas me parece distante".


Sobre a importância do PMDB:



"O peso do PMDB é fundamental. Temos de mantê-lo como aliado nacional. Já em São Paulo, é ruim não termos o PMDB. Aqui o PT é mais fechado e essa permanência de poder do PSDB, aliada à Prefeitura paulistana, coloca mais dificuldade ainda para termos esse partido conosco".



Sobre o governo tucano de José Serra:



"Uma coisa que o Ciro faria bem (risos) é desconstruir o mito de bom gestor do PSDB, que é muito mau administrador. Se formos ver o transporte, não evoluiu do jeito que poderia. Na Habitação, com o poderio econômico do Estado não houve avanço. Em menos de dois anos o Serra teve três secretários de Educação. No desenvolvimento da indústria, não houve nenhuma ação contundente para incentivar a permanência o setor produtivo no Estado. O Rodoanel, uma bela proposta, só saiu do papel quando o governo federal entrou com recursos. Em São Paulo tem de fazer as melhorias."


"(O Serra) contingenciou (reteve os recursos) todos os projetos sociais. Em relação aos carros, só agora reduziu o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço). Demorou! Só deu resposta por causa da pressão. Fico perguntando: onde estão os investimentos da Nossa Caixa, os investimentos do governo de São Paulo? São Paulo é o Estado mais rico do Brasil. O que poderia estar fazendo? Na Educação você só vê esse vexame que nós paulistas temos de enfrentar, de estarmos em uma posição horrorosa no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Na Saúde, só vemos escândalos, de falta de atendimento. O Transporte, não vou nem falar. São 16 anos de tucanato em São Paulo. O metrô começou, no final dos anos 1960, junto com o da Cidade do México, que hoje tem uma rede com 240 quilômetros, enquanto o de São Paulo tem apenas 60. E isso foi construído antes de os tucanos entrarem."



Sobre o governo do prefeito Gilberto Kassab:

"Na primeira gestão Serra-Kassab (prefeito e vice da Capital, 2007- 2008), poderia ter organizado muita coisa, principalmente na área de transporte. E quando vejo o nada que foi feito e o trânsito que o cidadão enfrenta, fico muito triste. Fizemos corredor de ônibus, chegamos ao bilhete único e agora regredimos. Não há gestão, o trânsito não flui, a CET não conversa com a SP Trans e não há controle. É uma incompetência muito grande, porque há recurso. É um governo que não faz enfrentamento. Quando se faz corredor de ônibus, existe dificuldade. O comércio reclama, causa transtorno. E aí, para eles, é melhor não fazer".


Fontes: Diário do Grande ABC e ABCD Maior

Na contra mão do Continente.

Popularidade de Alan García cai após conflito com indígenas

A popularidade do presidente peruano Alan Garcia caiu nove pontos porcentuais, segundo pesquisa divulgada neste domingo (21), devido a seu desempenho frente ao conflito na selva, que deixou pelo menos 33 mortos após confronto com manifestantes indígenas.
A sondagem da Ipsos Apoyo, publicada no diário "El Comercio", revelou que apenas 21% da população aprova a gestão de Garcia, contra 76% que desaprovam (3% dos entrevistados não manifestaram uma posição).
A popularidade do presidente cai há três meses seguidos e já é a menor desde dezembro de 2008. Cerca de 57% da população considera Garcia responsável pela morte dos policiais e nativos nos confrontos ocorridos em 5 de junho na Amazônia peruana, quando a polícia expulsou os nativos que bloqueavam uma rodovia em Bagua, a norte de Lima.
"O conflito na selva representa a pior crise política sofrida pelo governo em seus quase três anos", afirmou Alfredo Torres, diretor da Ipsos.

Ministério da Cultura é contra cortar conexão de quem faz download 'ilegal'

O Ministério da Cultura (MinC) se manifestou contrário ao projeto de lei que pretende punir quem faz download e compartilha conteúdo protegido por direito autoral de forma 'ilegal' na internet. O projeto foi apresentado no início deste mês pelo deputado Geraldo Tenuta Filho (DEM-SP), conhecido como Bispo Gê Tenuta.
Se aprovado, os provedores de acesso serão obrigados a identificar os infratores e, na primeira ocorrência, notificar o usuário por e-mail. Caso aconteça de novo, a mesma atitude deverá ser tomada, dessa vez sinalizando a ocorrência de um crime. A partir daí, o acesso seria suspenso de três a seis meses. Em uma sexta violação, o serviço é cancelado. Ainda de acordo com o documento, o usuário não será isento da cobrança do serviço durante o período em que a conexão estiver interrompida.
O projeto de lei é inspirado em uma decisão da Assembleia Nacional da França com os mesmos objetivos, que aconteceu em maio passado. No entanto, menos de um mês depois, a medida foi suspensa pela corte francesa — justificando que ela violava, entre outros, o direito do livre discurso.
Por fere uma série de outros direitos, principalmente o do consumidor, o projeto de lei também corre o risco de nem sair do papel no Brasil. ''Sabemos que serão apontadas inconstitucionalidades no projeto'', reconhece o deputado conservador. ''Mas acreditamos que será, pelo menos, uma maneira de começarmos a discutir novas maneiras de ver o direito autoral na internet'', completa. Por enquanto, nenhum deputado manifestou interesse em apoiar o projeto de lei.

O que diz o MinC

Para José Vaz, coordenador da Diretoria de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura, o projeto parte de uma perspectiva meramente repressiva, que fere os direitos individuais e a neutralidade da tecnologia. ''Vemos que a sociedade encara o direito autoral de uma maneira que vai totalmente na contramão dessa ideia”, diz Vaz
Segundo ele, “é só observar a eleição do partido pirata [Pirate Bay] para o Parlamento Europeu e o número de pessoas que admitem fazer download ilegal”. Uma pesquisa da Futuresource Consulting apontou que oito em cada dez consumidores de Grã-Bretanha, Alemanha, Estados Unidos e, inclusive, França admitem fazer download ilegal de vídeos na internet.
Para José Vaz, as discussões devem se focar na mudança das práticas sociais, no modelo de negócios e na maneira como as gravadoras encaram a internet. ''Não podemos negar que existe um problema em relação ao direito autoral. No entanto, é nítido também que a indústria musical está pagando o preço pela sua inércia'', completa.

Indústria lucrativa

De acordo com um estudo divulgado por economistas da Harvard Business School, o compartilhamento de arquivos pela internet não atrapalha a produção criativa. Desde 2000, por exemplo, a indústria fonográfica duplicou sua produção — e o lucro dos artistas com shows, por exemplo, cresceu. O que caiu foram as vendas de gravações.
Um ponto interessante da pesquisa é que a indústria fonográfica ainda lucra, mas o dinheiro é mais bem distribuído: enquanto as gravadoras sofrem, outras empresas relacionadas ao mundo musical e reprodutores musicais aumentam os lucros.
Na última sexta-feira (18), uma americana foi condenada a pagar quase US$ 2 milhões pelo download ilegal de 24 músicas, no único caso que terminou em julgamento nos Estados Unidos. Outras 29.999 denúncias já foram apresentadas pela Associação da Indústria de Gravação dos EUA contra pessoas acusadas de baixarem conteúdo ilegal.

Toda genialidade de Pablo Picaso.

E mais. Aliança prioritária com o povo.

"Para vencer as eleições de 2010, o PT construirá uma ampla aliança, com base em um programa de governo e compromissos políticos com o país, uma aliança que se consagre nas urnas e que se reafirme na condução do governo. Buscaremos todos os partidos que apóiam o governo Lula para debater este programa, bem como as alianças estaduais e a nacional no primeiro e no segundo turno. Reafirmamos a prioridade estratégica de nossa aliança com o povo, com a intelectualidade progressista, os movimentos sociais e os partidos de esquerda".

Trecho da resolução politica aprovada no último Diretório Nacional do PT aprovada semana passada.

Não basta eleger. Tem que avançar mais para a esquerda

"Eleger Dilma é condição necessária, mas não suficiente, para conseguirmos aprofundar as mudanças iniciadas desde 2003. Além de vencer a eleição presidencial, precisamos formar uma forte base de governadores petistas e governadores aliados e uma base parlamentar coesa, à altura dos desafios e da confiança do povo brasileiro. Precisamos, em especial, aumentar o número de mandatos vinculados à esquerda, motivo pelo qual nossa disposição de construir alianças não significa que o PT abra mão de seu papel político."

Trecho da resolução política do últimom Diretório Nacional do PT relizado na semana passada

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Curió abre o bico e diz que Exército assassinou 41

Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, o oficial vivo mais conhecido do regime militar (1964-1985), abriu ao jornal paulistano O Estado de S.Paulo o seu lendário arquivo sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-1975).
Os documentos, guardados numa mala de couro vermelho há 34 anos, detalham e confirmam a execução de adversários da ditadura nas bases das Forças Armadas na Amazônia. Dos 67 integrantes do movimento de resistência mortos durante o conflito com militares, 41 foram presos, amarrados e executados, quando não ofereciam risco às tropas.
Até a abertura do arquivo de Curió, eram conhecidos 25 casos de execução. Agora há 16 novos casos, reunidos a partir do confronto do arquivo do major com os livros e reportagens publicados. A morte de prisioneiros representou 61% do total de baixas na coluna guerrilheira.
Uma série de documentos, muitos manuscritos do próprio punho de Curió, feitos durante e depois da guerrilha, contraria a versão militar de que os mortos estavam de armas na mão na hora em que tombaram. Muitos se entregaram nas casas de moradores da região ou foram rendidos em situações em que não ocorreram disparos.
Os papéis esclarecem passo a passo a terceira e decisiva campanha militar contra os comunistas do PCdoB — a Operação Marajoara, vencida pelas Forças Armadas, de outubro de 1973 a janeiro de 1975. O arquivo deixa claro que as bases de Bacaba, Marabá e Xambioá, no sul do Pará e norte do Estado do Tocantins, foram o centro da repressão militar.

Descrições

O guerrilheiro paulista Antônio Guilherme Ribas, o Zé Ferreira, teve um final trágico, descrito assim no arquivo de Curió: “Morto em 12 de dezembro de 1973. Sua cabeça foi levada para Xambioá”. O piauiense Antonio de Pádua Costa morreu diante de um pelotão de fuzilamento em 5 de março de 1974, às margens da antiga PA-70. O gaúcho Silon da Cunha Brum, o Cumprido, entrou nessa lista. “Capturado” em janeiro de 1974, morreu em seguida. Daniel Ribeiro Calado, o Doca, é outro da lista: “Em julho de 1974 furtou uma canoa próximo ao Caianos e atravessou o Rio Araguaia, sendo capturado no Estado de Goiás”.
Só adolescentes que integravam a guerrilha foram poupados, como Jonas, codinome de Josias, de 17 anos, que ficou detido na base da Bacaba, no quilômetro 68 da Transamazônica. Documento datilografado do Comando Militar da Amazônia, de 3 de outubro de 1975, assinado pelo capitão Sérgio Renk, destaca que Jonas ficou três meses na mata com a guerrilha, “sendo posteriormente preso pelo mateiro Constâncio e ‘poupado’ pela FORÇA FEDERAL devido à pouca idade”.
Curió permitiu o acesso do Estado ao arquivo sem exigir uma avaliação prévia da síntese, das conclusões e análises dos documentos. Ele disse que essa foi uma promessa que fez para si próprio. Passadas mais de três décadas, a história da terceira campanha ainda assusta as Forças Armadas: foi o momento em que os militares retomaram as estratégias de uma guerra de guerrilha, abandonadas havia mais de cem anos.
“Até o meio da terceira campanha houve combates. Mas, a partir do meio da terceira campanha para frente, houve uma perseguição atrás de rastros. Seguíamos esse rastro duas, três semanas”, relata. “A terceira campanha é que teve o efeito que o regime desejava.”
Um dos algozes do movimento armado na Amazônia, ele mantém um costume da época: não se refere aos guerrilheiros como terroristas, como outros militares. “Em hipótese alguma procuro denegrir a imagem dos integrantes da coluna guerrilheira, daquela juventude”, diz. “O inimigo, por ser inimigo, tem de ser respeitado.”
Ele ressalta que, como um jovem capitão na selva, tinha ideal: “Queria ser militar porque queria defender a pátria, achava bonito. Alguns guerrilheiros tinham os mesmos ideais que nós. Mas nossos caminhos eram diferentes. Eu achava que o meu caminho era o correto. Eles achavam que o deles era o correto. Não eram bandidos, eram jovens idealistas”.
No livro A Ditadura Escancarada, o jornalista Elio Gaspari diz que “a reconstrução do que sucedeu na floresta a partir do Natal de 1973 é um exercício de exposição de versões prejudicadas pelo tempo, pelas lendas e até mesmo pela conveniência das narrativas”. E emenda: “Delas, a mais embusteira é a dos comandantes que se recusam a admitir a existência da guerrilha e a política de extermínio que contra ela foi praticada”.

Motim

Essa política de extermínio fica um pouco mais clara com a abertura do arquivo de Curió. Pela primeira vez, a versão militar da terceira e decisiva campanha é apresentada sem retoques por um participante direto das ações no Araguaia.
Curió esteve envolvido no motim contra o presidente Geisel (1977), no comando do garimpo de Serra Pelada (1980-1983), na repressão ao incipiente Movimento dos Sem-Terra no Rio Grande do Sul (1981) e à frente de uma denúncia decisiva no processo de impeachment de Fernando Collor (1992).
O arquivo dá indicações sobre a política de extermínio comandada durante os governos de Emílio Garrastazu Medici e Ernesto Geisel por um triunvirato de peso. Na ponta das ordens estiveram os generais Orlando Geisel (ministro do Exército de Medici), Milton Tavares (chefe do Centro de Inteligência do Exército) e Antonio Bandeira (chefe das operações no Araguaia). Curió lembra que a ordem dos escalões superiores era tirar de combate todos os guerrilheiros. “A ordem de cima era que só sairíamos quando pegássemos o último.”
“Se tivesse de combater novamente a guerrilha, eu combateria, porque estava erguendo um fuzil no cumprimento do dever, cumprindo uma missão das Forças Armadas, para assegurar a soberania e a integridade da pátria.”