quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Mantega: com recuperação econômica, Brasil terá novo ciclo de desenvolvimento

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou nesta segunda-feira (24) sua avaliação de que a economia brasileira está deixando a crise de forma antecipada e previu que o Brasil deve terminar o ano com de 600 mil a 800 mil novos empregos.

Em uma exposição sobre como o país enfrentou a crise econômica global, o ministro reafirmou que a economia brasileira estava bem preparada antes do abalo global e que por esse motivo o país é um dos primeiros a exibir uma recuperação.

"O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Já estamos deixando para trás os índices negativos de crescimento", afirmou Mantega durante abertura de um seminário econômico.

"Já estamos no limiar de um novo ciclo de desenvolvimento. Tivemos um ciclo de 2003 a 2008 e estamos preparados para outro", disse o ministro, acrescentando que apenas 32% da população brasileira sentiram os efeitos da crise.

De acordo com o ministro, a inflação este ano ficará abaixo do centro da meta do Banco Central, que é de 4,5% e tem margem de tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Ele também afirmou que déficit nominal no final do ano será de 2,2% ou 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Mantega disse ainda que o Brasil está entre os países que menos precisaram gastar em pacotes de estímulo econômico para sair da crise e citou o volume das reservas internacionais para exemplificar a recuperação da economia. Segundo ele, o país entrou na crise com US$ 250 bilhões em reservas internacionais e este mês chegou a US$ 213,7 bilhões.

O ministro também voltou a creditar a expansão do crédito por parte dos bancos públicos como fator importante para ajudar o país a sair da crise, na contramão dos bancos privados, que, segundo o ministro, "foram conservadores" na oferta de crédito.

"Se não fossem os bancos públicos, a recuperação da economia brasileira teria sido muito mais demorada", afirmou.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

“Belchior apareceu”

O meu lugar é onde você quer que ele seja não quero o que a cabeça pensa quero o que alma deseja


Não foi muita surpresa para mim, essa “incerta” como disse que faria o próprio Belchior a “um amigo seu” (e acho que não era o analista) divulgada amplamente na mídia desde o domingo 23 de agosto. O nosso genial cantor, compositor, poeta, calígrafo, dentre outras peripécias “rapaz latino americano,” não de caso pensado, sem exigir de mente tão irônica e irreverente, “cortante como uma faca” bom comportamento, na verdade não desapareceu e sim apareceu.

Até que fim. Ufa! Justiça seja ou sendo feita?A matéria foi gerada pela sua ausência óbvia da “alucinação do dia-a-dia” marcada por centenas de shows (para o nosso deleite), vida agitada e intensamente produtiva. Diante desse “procura-se” quase que desesperado do nosso “abandonador, réu confesso de lares” me atrevo a escrever sobre seu aparecimento e nunca paradeiro. Alguém se atreveu a ir além do “shopping Center” ou procurá-lo no “escuro do cinema”?

Não me atreverei a localizá-lo, “neste presente instante”, pois “não gosto que me sigam” já disse certa vez nosso rebelde e com muita causa “lido e corrido” que foi e é nos cabarés da vida, no “vivenciar o sol e não o dia ou a lua e não à noite”. Não nos preocupemos “o anjo do senhor de quem nos fala o livro santo não o convidou para uma cerveja”. Quero nestas linhas mal traçadas, pelo menos colaborar mui humildemente, pois “conheço o meu lugar” a não deixar que eles “cantem vitória e levem flores para cova do inimigo”. Ajudar na retratação “do nosso marginal bem sucedido” é o mínimo que posso fazer com Belchior. Voz vinda da alma que nos antecipou em seu lirismo único, sofisticado, simples, profundo, elegante, filosófico e “cantado pelo povo” “o cheiro da nova estação” sem nunca querer ser “voz única do que é novo”.

Por dever de ofício e ao propor ao então vereador professor Pinheiro hoje nosso vice-governador, que solicitasse a Augusta Câmara Municipal de Fortaleza que outorgasse o título de seu cidadão ao nosso rapaz “latino-americano” me “aproximei de Belchior”. Como admirador profundo da sua produção cultural e não como fã. Já ouvi irônica e dura resposta a uma “carta” de alguém que assim se reivindicou. Acho justo, portanto ajudar, não no “procura-se” ao Sr. Antonio Carlos Gomes Belchior Fonteneles Fernandes, mas no fazê-lo presente em quem ou aonde não o encontrávamos e deveria estar.

Preconceito, desconhecimento ou pelo tratamento “quase honesto” dado pela nossa grande mídia, enfim, de fato havia para sermos justos, uma injustiça a obra extraordinária do cearense Belchior, reparada por caminhos não muito floridos por “Ypês” ou “gente jovem, consciente reunida” na matéria de um desse domingos em um programa de variedades da maior emissora de TV do país. Foi na base de certo sensacionalismo apelativo peculiar a nossa mídia, “cumprindo o seu dever, defendendo seu amor e nossas vidas”. Por caminhos tortos, talvez tenha se escrito realmente certo. Vamos aguardar um pouco mais.

Juntando sonhos, sons, abraços e canções, estou atrevidamente com um projeto de escrever uma biografia do rebelde em questão nesta missiva. Sem dúvida "procura-se" ou “encontra-se” Belchior será um capítulo muito especial deste livro, de muitas aventuras, lirismo, poesia e genialidade.

Nada de caso pensado, bater perna no mundo faz parte da alma libertada conquistadas por artistas e experimentadores. De alguma maneira, por caminhos inesperados o “sumiço” o reconduziu para "ilustres desconhecedores" ao patamar de onde nunca saiu para quem o acompanha. Sua produção artística, sem comparar “com um ou outro” gênio da nossa MPB (“quem dera fosse eu, um Chico, um Gil, um Caetano cantaria todo ufano os anais da Guerra Civil”). Cada um com seu canto, no "seu espaço e canto".

Belchior está (e de fato esse reconhecimento o é devido) no seleto grupo dos maiores cantores, compositores, poetas e intelectuais da língua portuguesa e do mundo latino. Chico, Gil e Caetano, extraordinários e não menos geniais explodiram durante o auge da ditadura. Belchior um pouco depois, nos seus estertores a volta do exílio e a abertura. Não há descrição mais profunda deste tempo com cheiro de “coisas novas” e algumas velhas ameaças autoritárias, no seio do que “novo que sempre vem”. Os antecessores foram legitimamente sem exageros (tentei explicar um dos motivos acima) mitificados e cultuados, devidamente por justiça permaneceram na mídia por vários motivos, para além do desqualificante “souberam cavar mais espaço”. Justiça com eles. Inegavelmente “bárbaros”. Injustiça com o nosso querido e não menos “bárbaro goliardo” sobralense (teria nascido em Coreáu? “Pouco me importa, não eu não sou do sertão dos esquecidos”), literalmente cidadão do mundo.

A sensação de muitos era revelada na pergunta feita a mim e a muitos que acompanham a carreira de Belchior, ele parou de produzir? Só tem esse pouco mais de 30 clássicos (como se fosse pouco diante do massacre do “lixil cultural S.A”). Nunca em tempo algum., Belchior não para, recordista disparado de shows no país, musicou divinamente em tempo recente 33 poemas de Drummond, compôs “bossa em palavrões” uma obra de arte, passeou na MPB de Marina a Chico Buarque, Roberto Carlos em “Vício Elegante” (pioneiro em regravar “bregas cults” com Aparências, bem antes de Caetano revisar Fernando Mendes).

Boicote, preconceito, mas que estamos nos referindo a um gênio e de uma obra genial que não deixa nada a desejar aos aqui citados e tantos outros, não podemos ter dúvida. Sem comparar qual é o melhor, ou escolher o “número um” em um mundo de bilhões (lógica individualista que sustenta essa coisa absurda chamada capitalismo). Isso não existe, não falo aqui de preferências e sim de coerência, justiça e reconhecimento (coisas raras nesses dias de gente “sem pão e daqui a pouco sem circo”. Acho que para um setor de classe média virou “cult” e passou a ser “chiq”, mesmo sem conhecê-los profundamente, falar superficialmente e dizer que gosta dos gênios Chico, Caetano e Gil. O simbolismo verdadeiro de resistência a ditadura, a qualidade inegável de suas obras, a ocupação da mídia, tudo isso é legitimo e justifica a maior visibilidade do trio. O “desaparecimento” de Belchior foi injustificado. Bom ter “aparecido”, ‘viver o humor das praças cheias de pessoas” para inaugurar a vida inteiramente livre e triunfante.

Belchior filosoficamente canta a “solidão das pessoas nessas capitais”, as coisas mais profundas desse país, a volta do exílio, “flores de um “68” não realizado, a abertura política, o país que se avizinhava pós-ditadura, o sexo (Sensual), imortalizada por Ney Matogrosso. Conhecem? Os dramas dos retirantes, da juventude, dos indígenas, os dramas nas grandes cidades, o homossexualismo (De primeira grandeza), os dramas e as paixões populares e a violência da noite e a barbaridade neoliberal (Bahiuno) com 500 de quê? Tudo novo e fantasticamente elaborado com a colaboração dos gênios da literatura universal e da alma portuguesa. Por favor, não me venha com o simplório e já batido “ele não tem produzido nada novo”. Já pensou. De fato ele não é xodó da grande mídia que hoje diz e dita o que é “novo e bom”. Estamos em maus lençóis. É melhor ser “fora da lei e procurado” mesmo.

A outro fator importante em que acho residir um pouco de não ser Belchior um dos “queridinhos” dos donos da nossa mídia por democratizar-se permanentemente. O “rapaz latino” continuou áspero com a “ordem”, sem parentes importantes e sempre lembrando “a inexistência dos sertões”. Os outros também, mas bem menos. De todos de maior expressão do que chamamos de MPB ele continuou nas letras e na forma de agir rebelde, quase um alternativo cantando bem menos nas maiores e mais caras "casas de espetáculos" do Brasil e muito mais em "primeiros de maio", presídios, pequenos festivais de músicas, calouradas ou em cima de uma “Kombi” em Sobral.

Continuar “com o pé na estrada”, a ausência de superprodução e a manutenção de shows públicos ou a preços populares, em qualquer “buraco” para alguns incautos o tirou a aura de gênio, para uma legião incontável de fãs o tornou mesmo que ele não tenha a intenção (acho que talvez não tenha tido mesmo) o ultimo bastião dos que não “passaram a viver e ser os mesmos que os seus pais,” uma espécie de ultimo rebelde da MPB. Acho isso fantástico. Como vive no capitalismo vende sua força de trabalho ganha seu dinheiro, se desgasta inevitavelmente “com um ou com outro” pela mistura inevitável dos negócios com artista. Infelizmente tem que ter a parte comercial e dinheiro tem a “pintura do diabo”. Talvez bater duro e insistentemente em alguns daqueles mais radicais contemporâneos de sua geração, que iriam mudar o mundo numa fração de segundos e logo, logo preferiram “vender a alma ao diabo”, “voltando pra casa para contar o seu vil metal”, tenha custado muito caro ao nosso rapaz latino-americano.

Portanto Belchior foi encontrado, ou melhor, reencontrado ainda “canta e requebra’ nos palcos pelo Brasil e no mundo afora em uma performance única , lírica, poética, popular e filosófica ao mesmo tempo. O Brasil que tanto canta em sua tropicalidade e vigor poético volta-se para ele, procura-o e o reencontra, como eterno estudante, pronto para novas “loucuras, chicletes e som”, com a “voz ativa”, sabendo “de que lado nasce o sol” pra viver “tudo outra vez” e restabelecendo seu lugar no pathernon dos grandes nomes da Musica Popular Brasileira. E não esqueçamos “as lágrimas dos jovens são fortes como um segredo podem fazer renascer um mau antigo”. Pois: “A voz resiste. A fala insiste: você me ouvirá. A voz resiste. A fala insiste: quem viver verá”.

Berzoini: O PT não trata a ética como se fosse uma questão isolada da política

O presidente do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), reafirmou em entrevista ao jornal O Globo de domingo (23), a respeito dos últimos acontecimentos envolvendo o Senado, que o partido fez o que era certo no Conselho de Ética.


“O PT não trata a ética como uma questão isolada da política”, afirmou Berzoini, que acusou a oposição de tentar estabelecer no episódio um conflito político entre o PT e o PMDB.

Leia a íntegra da entrevista:

O Globo: Qual o balanço da crise no Senado e no PT?

Ricardo Berzoini: Foi um episódio difícil porque a bancada no Senado estava com uma visão muito focada no fato em si, desconhecendo a importância de analisar essa questão em um aspecto mais amplo, não verificando que a oposição vinha numa tática de tentar estabelecer um conflito político entre o PT e o PMDB no Senado. Até acreditando que o o Conselho de Ética teria condição de fazer um debate sobre essa questão de maneira isenta. Na verdade, o Conselho de Ética é um foro político e a votação demonstrou isso.O PT fez o certo no Conselho de Ética. O PT não errou.

O Globo: Mas o PT não acabou caindo na armadilha, já que, certamente, entrou em conflito com o eleitorado que defende a ética na política?

Ricardo Berzoini: O PT defende a ética mas não trata a ética como se fosse uma questão isolada da política. Defendemos investigações no Ministério Público, na Polícia Federal, no Judiciário, que são instrumentos institucionais.Quando se concentra a investigação no Parlamento é porque se quer fazer disputa política.Quando se ignora irregularidades graves cometidas por outros senadores e se concentra só no presidente da Casa é porque se quer fazer disputa política.

O Globo Como o PT vai explicar isso ao eleitor?

Ricardo Berzoini: É óbvio que é um debate que temos que fazer com a sociedade. Não é um debate que está feito, que está tranquilo. Ou a gente enfrenta ou a gente se acovarda. E na política quem se esconde normalmente perde. Quem enfrenta tem chance de ganhar.

O Globo Então a questão é ganhar?

Ricardo Berzoini: Não. A questão é não cair em armadilha e facilitar o trabalho da oposição. Não reconheço no DEM, que está na 1ª Secretaria (da Mesa do Senado) há 14 anos e diz que não sabe dos atos secretos, autoridade política para fazer essa investigação.Não reconheço no PSDB, que nas CPIs do Proer e do Banespa agiu para não ter investigação, autoridade política. Reconheço no Ministério Público.

O Globo: Muita gente diz que o PT trocou a ética pelo pragmatismo.

Ricardo Berzoini: Eu seria favorável a uma CPI para apurar o conjunto da obra no Senado. Por que a oposição não aceita? Porque, com uma CPI, certamente não conseguiriam pôr o foco só no presidente do Senado.Os atos secretos envolvem mais de 40 senadores dos mais variados partidos. O PT não abandonou a ética. Mas o PT, no governo, precisa ter clareza de qual é o espaço para a defesa da ética. Certamente, não é no Conselho de Ética do Senado. A simplificação só interessa a quem não quer investigar em profundidade. O PT não pode ser ingênuo e entrar nesse joguete.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sumiço do Belchior

Fidel bem. Que bom. Saúde e paz Comandante. Boa forma em foto recente com Rafael Correa.

Fanzendo justiça com a poesia.

CANÇÃO DE OUTONO

Canção de Outono
Cecília Meireles

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles