terça-feira, 18 de agosto de 2009

Antonio Carlos no Twitter

Queridos leitores e leitoras estamos também no Twiter para postagens rápidas, conto com a participação de vocês em mais essse espaço de interação. O blog continuará na ativa com textos mais longos, imagens e matérias de maior densidade.
Um grande abraço

www.twitter.com/antonioptfs

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ferrão e a série D.

Podem me questionar. Como que nutres simpatia por um time e és duro com ele assim? Amar é também reconhecer os limites das coisas que gostamos para que elas possam avançar e melhorar quando possível. O Ferrão pode ser campeão da série D? Pode. Essa não é a questão. O nível é tão baixo que se classificar( passando sufoco) como fez na primeira fase e perder para o Sergipe (como perdeu) na estréia da segunda (daqui para frente só mata-mata) é um absurdo. O time não passa a confiança necessária para o torcedor que ama, mas não se engana.
As coisas poderiam ser diferentes. Vencer com três gols de diferença no jogo de volta, ou nos pênaltis, tudo é possível, mas poderia ser mais tranqüilo, podemos sim ser campeões aos troncos e barrancos, óbvio, mas poderia e pode ser diferente.
Chegar a esse grau de dificuldade para mim é um absurdo. Não estou dizendo que por ser série D é uma moleza. Os que estão ali se igualam, caso contrário, não estariam na mesma competição. Esses altos e baixos não correspondem à história e ao tamanho do Ferroviário. Um pouco mais de planejamento, um time melhor e ousadia da diretoria o Ferroviário seria campeão da serie D. Vou mais longe, o Ferrão tem história e torcida para ser campeão da serie C, subir é conseqüência. Nossa torcida precisa de um titulo de campeão. Se o Icasa relaxar e achar que só ir para a segunda é mais importante que o titulo da série C estará cometendo um erro crasso. Voltando para o Ferrão, o time é limitado, não sobra com os adversários (características de time de futuro ou que vai chegar lá, vide Icasa) o treinador é fraco. e a diretoria não ousou.
Pode ainda o time "coral" ser campeão, arrasar o Sergipe domingo vindouro, arrebentar ?Pode, claro que pode. No futebol uma vitória histórica impulsiona conquistas históricas. Isso é a exceção e não a regra. Para mim e vexatório não ficar entre os quatro e pior ainda, caso aconteça rodar logo na segunda fase. Tem dificuldades, tem um grupo de abnegados etc,etc,etc isso não é desculpa, são abnegados, são importantes são, mas falta ousadia, visão e planejamento.

domingo, 16 de agosto de 2009

Sustentação dos times dos "clubes" de futebol.

O futebol profissional no Brasil deve ser bancado pela iniciativa privada e os sócios dos clubes. Nunca fui muito simpático (salvo algumas exceções) mesmo em pequenas cidades de o poder público ajudar times profissionais de futebol. Parcerias com empresas privadas patrocinadoras, feito com seriedade podem render bons frutos. Há picaretagens e falta de planejamento, mas poderia ser algo sério e produtivo para partes envolvidas Me estranha a chacota e a bazofia pelo fato do Ferrão ter ido a Sergipe de ônibus. Essa é a realidade do Ferroviário de centenas de clubes pelo Brasil, que não montam times competitivos, não planejam e não compreenderam que o futebol virou uma indústria. Outra coisa ridícula foi à desqualificação feita da série D pela rede Globo no seu noticiário noturno, muita gente ri, sai repetindo sem saber o que acontece. É o que chamamos de alienação. Voltaremos a esse tema. Boa sorte Icasa, boa sorte Ferrão. Fortaleza é bom ficar alerta.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

30 anos da Democracia Socialista e do Jornal Em Tempo serão celebrados na Câmara Municipal



O mandato do vereador Ronivaldo Maia (PT) promove nesta sexta-feira, 14, sessão solene

em homenagem aos 30 anos da Democracia Socialista, tendência interna do Partido dos Trabalhadores; e do jornal Em Tempo, um marco nas publicações alternativas de resistência à ditadura militar no Brasil.

O deputado estadual Raul Pont (PT-RS), um dos fundadores do PT, atual dirigente nacional da tendência e também um dos idealizadores do Em Tempo receberá homenagem da Câmara Municipal. Ele vai representar a militância espalhada por todo o País que, ao longo de trinta anos, tem contribuído para a história do PT e para as esquerdas brasileiras através de conquistas como o “direito de tendência interna”, a representação proporcional das correntes na direção do Partido e a presença de, no mínimo, 30% de mulheres nas direções partidárias.

Em momentos de luta contra a ditadura militar, o Jornal Em Tempo teve um importante papel de propagar ideais de um novo modelo de sociedade e passou a ser a principal expressão da Democracia Socialista.

Além do vereador Ronivaldo Maia, também integram à Democracia Socialista no Ceará a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins e o deputado federal Eudes Xavier.

SERVIÇO

Sessão solene em homenagem aos 30 anos da Democracia Socialista e do Jornal Em Tempo

Homenageado: Dep. Estadual Raul Pont (PT-RS)

Data: Sexta-feira, 14 de agosto

Local: Plenário da Câmara Municipal de Fortaleza

Hora: 14h30

Inauguração do Cuca é adiada.













A nova data, sugerida pelo Palácio do Planalto, será 10 de setembro, com presença do Presidente.

A inauguração do Centro Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (CUCA), da Regional I, foi adiada para setembro. A solenidade que aconteceria no próximo dia 21 foi alterada por conta de uma mudança na agenda do Presidente Lula, que cancelou sua visita ao Ceará, onde participaria de outros eventos. A nova data da inauguração do Cuca Che Guevara, sugerida pelo Palácio do Planalto e acordada pela Prefeitura de Fortaleza, será dia 10 de setembro, com a presença confirmada do Presidente.

Lula recebe Zelaya para discutir Honduras e Brasil reitera condenação ao golpe

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, discutirá nesta quarta-feira (12), em Brasília, a situação de seu país com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo informou hoje o Itamaraty. Ao anunciar o encontro, o Ministério de Relações Exteriores reiterou a condenação do governo brasileiro ao golpe que derrubou Zelaya e insistiu que o presidente seja reempossado "de modo incondicional e no mais breve prazo possível".

O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), solicitou ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), gestões para que Zelaya compareça ao plenário a fim de conhecer todas as moções e medidas de solidariedade aprovadas pela Casa contra o golpe em Honduras, ocorrido no dia 28 de junho. “Acho que é uma manifestação nossa consistente contra o golpe em Honduras, e é importante para a democracia e para o mundo a Câmara receber o presidente Zelaya”.

A própria bancada do PT, em nota assinada pelo líder, já condenou “de forma veemente” o golpe de Estado levado a efeito pelas Forças Armadas de Honduras contra o governo de Zelaya. Na nota, a bancada do PT expressou que a única forma de superar a crise hondurenha reside na devolução do poder ao presidente legítimo; também manifestou apoio à diplomacia brasileira e dos demais países latino-americanos que se negaram a reconhecer um governo originário de um golpe de força.

O governo brasileiro, conforme observou o Itamaraty em nota oficial nesta terça-feira, apoiou todas as resoluções da Organização dos Estados Americanos, as declarações do Mercosul, da União das Nações Sul-americanas (Unasul) e do Grupo do Rio, “na perspectiva de um retorno pacífico e imediato do Presidente Zelaya”.

Desde que foi deposto por militares e enviado a Costa Rica em 28 de junho, Zelaya tem tentado retornar ao seu país. Embora o golpe tenha sido condenado por todo o continente e por organismos internacionais, o governo de fato liderado pelo presidente Roberto Micheletti não cedeu às pressões crescentes para permitir o retorno de Zelaya. O atentado à democracia em Honduras recebeu o repúdio unânime de todas as nações do mundo, inclusive dos Estados Unidos.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Lei transforma trabalhadores de escolas em educadores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (7) lei de autoria da senadora Fátima Cleide (PT-RO) que torna profissionais de escola servidores da educação básica devidamente habilitados. A medida atende longa reivindicação da categoria, estimada em mais de 1 milhão de trabalhadores nas escolas públicas - merendeiras, secretária escolar, vigias, atendentes em bibliotecas etc.

"É uma vitória importante. Estamos resgatando da invisibilidade trabalhadores pouco valorizados no espaço escolar. Muitos não têm sequer o ensino fundamental completo. Agora, é preciso que os gestores compreendam a importância de apoiar a qualificação, a habilitação desses trabalhadores. É um passo a mais na direção da educação pública de qualidade", diz a senadora Fátima.

Lula reafirma importância do papel do Estado na economia e na promoção social

Ao participar na noite de quarta-feira (5) da abertura do Simpósio Internacional sobre Desenvolvimento Social, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a importância do fortalecimento do papel do Estado na economia e na promoção do bem estar social.

Lula afirmou que foram os governos que salvaram o mundo da crise econômica internacional. “Na hora que o alicate apertou, quem teve a confiança do povo e quem teve que fazer intervenção na economia foi exatamente o Estado, que foi desacreditado durante tanto tempo pelo Consenso de Washington, pelas políticas neoliberais”, afirmou.

O presidente das República disse ainda em seu discurso que o povo brasileiro foi um dos responsáveis para que a crise não causasse os mesmos danos que causou nas economias de outros países. “Aqui no Brasil, quem sustentou a crise econômica para não causar o estrago que a crise causou noutros países foi o povo brasileiro consumindo e o Estado brasileiro investindo”, disse. E ironizou, em portunhol, os empresários estrangeiros que se queixam da elevada carga tributária no Brasil.

“Quem vem aqui pedir para a gente ter uma carga tributária pequena são os empresários dos países que têm a maior carga tributária do mundo e o maior Estado de bem estar social do mundo”, disse Lula. “Um país que tem uma carga tributária de apenas 10% ou 8% não pode fazer política social porque o Estado não existe”, completou.

Lula destacou a importância do simpósio internacional iniciado hoje para compartilhar com outros países a experiência brasileira em políticas sociais. “As experiências do Brasil serão muito úteis a outros países desde que tenham ajuda financeira”, disse. O presidente chegou a sugerir que cada nação rica do mundo se disponha a “adotar” um projeto de desenvolvimento para algum país da África. “Se a gente não fizer isso, essa crise econômica, do jeito que está, pode até diminuir, mas os países que eram pobres vão ter mais problemas daqui para frente”, afirmou.

O Simpósio Internacional sobre Desenvolvimento Social vai até sexta-feira (7) e tem como principal objetivo analisar os avanços e os desafios dos países emergentes na superação da pobreza e da desigualdade.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Lideranças destacam importância da CUT para os trabalhadores e a nação

Na noite desta terça-feira (4), em São Paulo, foi realizado o ato de abertura política do 10º Congresso Nacional da CUT.

“Muitos já comentaram hoje sobre a grandiosidade desse plenário. Mas quero dizer que grande é o orgulho de organizarmos um Congresso de tamanha representatividade. É o 10º Congresso, um momento histórico que marca uma vez mais nossa característica de poderoso instrumento de organização dos trabalhadores e trabalhadoras e de suas lutas”, saudou o presidente da Central, Artur Henrique, ao falar após as várias lideranças sindicais, de governo, de partidos e de movimentos sociais que compareceram ao ato de abertura e que manifestaram seu apoio, admiração e companheirismo à CUT e a cada um dos delegados e delegadas de todas as regiões do País.

Na noite de abertura, o CONCUT já havia recebido o cadastro de 2.461 delegados, sendo que 40% são mulheres.Artur pautou sua fala pelos desafios imediatos que a conjuntura traz para a CUT. “Podem ter certeza de que desse Congresso sairão decisões como a ação política de nossa Central em defesa da democracia e do governo eleito de Honduras, uma moção de repúdio à repressão que o governo da Coréia do Sul tem feito sobre os movimentos grevistas e, sem dúvida, iremos às ruas já no próximo dia 14, na Jornada Nacional Unificada de Lutas, em várias cidades do País, para exigir a aprovação da redução da jornada de trabalho”, garantiu, em referência à mobilização com as centrais e os movimentos sociais na próxima semana, no mesmo dia em que a projeto de redução da jornada deve ir à voto na Câmara dos Deputados.

Artur destacou ainda a luta por um novo modelo agrário no Brasil, que combata o latifúndio e o agronegócio e fortaleça a agricultura familiar, e a luta imediata pelo fim dos leilões das jazidas de petróleo, em defesa da Petrobrás e de uma nova lei que garanta a soberania nacional sobre o pré-sal, como exemplos de ações para o próximo período.

Antes de Artur encerrar o ato, coube ao ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, transmitir as palavras do presidente Lula aos trabalhadores: “O presidente me pediu para dizer a vocês que ele tem um reconhecimento imenso por tudo que a CUT fez e faz por este país, não só na defesa dos direitos dos trabalhadores, mas de toda a nação. Se a CUT não tivesse lutado para impedir a privatização do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobrás, não estaríamos enfrentando a crise como agora. Não fossem os bancos públicos, o país teria quebrado.” Dulci destacou ainda o papel propositivo da Central. “A política de valorização do salário mínimo, de financiamento da agricultura familiar, de reajuste da tabela do imposto de renda para os assalariados e do crédito consignado foram propostas da CUT. A Central manteve a autonomia e a independência durante o governo Lula, criticando quando achava necessário, mas também apontando caminhos para o país”.

A Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não compareceu por problemas de agenda, mas enviou um vídeo onde saudava o eixo do 10º CECUT. “O desenvolvimento com trabalho, renda e direitos são também os princípios empregados pelo governo Lula para estabelecer uma política de transferência de renda que permitiu a criação de 10 milhões de empregos.” Terminou aplaudida de pé e sob gritos de “olé, olé, olé, olá, Dilma, Dilma”.
O ex presidente da CUT-SP e atual deputado federal pelo PT-SP, Vicentinho, citou memoráveis ações da Central Única dos Trabalhadores, entre elas, a recente mobilização em favor da redução da jornada sem redução de salário. “Tenho certeza que no próximo dia 14 de agosto veremos mais manifestações que ressoarão no parlamento e permitirão ao trabalhador brasileiro ter direito ao lazer, à vida e à dignidade”, acredita. Aprovada na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, a PEC 231/95 precisa ser aprovada nos plenários da Câmara e do Senado para diminuir a jornada de 44 para 40 horas semanais.

Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que a simples redução seria capaz de criar 2,5 milhões de novos empregos no país. O também ex-presidente da CUT-SP e atual vice-presidente nacional do PT, Jorge Coelho, alertou que as conquistas da CUT nos últimos 26 anos, resultam em maiores responsabilidades. “Daqui para frente temos muito mais motivos para lutar. Ano que vem avançaremos no projeto político de formação de uma sociedade mais igualitária e socialista. Precisamos continuar sonhando e construindo essa nação”, afirmou.
Coordenador do 10º CONCUT, o secretário geral da Central, Quintino Severo, lembrou que dos 2.461 delegados eleitos em todo o país, 40% são mulheres, que se somam para fortalecer a luta por um novo modelo de desenvolvimento e um Brasil mais justo. “Com expressiva representatividade e participação, este será o Congresso da reafirmação da unidade da nossa Central, que é a maior do Brasil e a quinta maior do mundo”, acrescentou Quintino.

Outras manifestações

João Pedro Stédile, da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), saudou “a solidariedade da classe trabalhadora urbana, sem o que o movimento, nascido no processo de luta e mobilizações de massa, não existiria”. “Mais do que irmãos de berço, somos companheiros de longa trajetória de luta”, lembrou Stédile, frisando que a hora é de somar contra o colonialismo do século 21. “Aqui estão reunidas as forças populares mais representativas, que precisam estar mobilizadas contra os que querem continuar mamando nas tetas do dinheiro público para recompor as suas taxas de lucro, contra os que querem se apropriar dos nossos recursos naturais, que estão de olho no nosso pré-sal”, acrescentou.

Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, ‘a unidade das centrais sindicais, que tem sido determinante para enfrentar a crise mundial, precisa ser ainda mais fortalecida. Não podemos brincar em serviço: ou reelegemos o projeto ou pagaremos caro pelo retrocesso”.

O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, lembrou o conjunto de ações unitárias desenvolvidas pelas centrais, como a luta pela ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT, pela redução da jornada de trabalho e contra a terceirização. “Agora, vamos à luta para que as riquezas do pré-sal fiquem com o povo brasileiro”, frisou.

Segundo o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, ao unificarem suas ações, “as centrais têm dado sustentação a políticas de inclusão social, dando o seu apoio à construção de um Brasil para os brasileiros, para uma verdadeira revolução dos trabalhadores”.

Na avaliação do secretário geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), “a unidade de ação demonstrada pelas centrais, acima das diferentes ideologias de cada uma, aponta que este é um caminho acertado”. “Comprometidos com as causas populares, garantimos mais investimentos nas questões sociais”, acrescentou.

Em nome da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), Edson França, da Unegro, sublinhou que a CUT vem jogando um papel fundamental no desenvolvimento e crescimento da articulação das entidades populares, “que tem protagonizado avanços mais profundos na sociedade brasileira a partir da mobilização por soberania, democracia, desenvolvimento e mais direitos”.

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, denunciou que os mesmos meios de comunicação que serviram aos adoradores do deus mercado e do neoliberalismo, agora se voltam contra os movimentos sociais, “pois querem acabar com as políticas sociais e os direitos”.

“A mídia sabe que somos uma força mobilizadora, que não estará à disposição da direita”, frisou.A dirigente da Marcha Mundial de Mulheres, Sônia Coelho, defendeu a urgência da “sustentabilidade da vida humana, com o fim da miséria e da desigualdade”.

O coordenador da Central Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), Victor Báez, lembrou aos presentes que o Brasil, quando ratificar as Convenções 151 e 158 da OIT “dará importante exemplo para o mundo no combate à crise”.

O secretário-geral adjunto da Central Geral dos Trabalhadores (CGT) de Honduras, Jose Maldonado, agradeceu o calor da solidariedade dos congressistas, do povo e do governo brasileiro contra os golpistas, e destacou que a somatória de manifestações “representa forte estímulo” para que seu povo continue mobilizado para garantir o retorno do presidente eleito, Manuel Zelaya.

A abertura do evento terminou ao som da Internacional, entoado pelos milhares de delegados e por representações de mais de 40 países.Leia também matéria sobre a homenagem a José Olívio, patrono do Congresso, acesse este link:
http://www.cut.org.br/content/view/15960/

CUT (www.cut.org.br)

Dilma em Washington: a manchete que a imprensa escondeu

Publicado no Observatório de Imprensa
Imagine o seguinte acontecimento: dois ministros de Estado de um grande país latino-americano – um deles candidato a presidente nas próximas eleições – viajam a Washington para um fórum econômico de cúpula que reúne os assessores para Segurança Nacional dos EUA, Jim Jones, e o para Assuntos Econômicos Internacionais, Michael Froman, além de 20 representantes de algumas das maiores empresas e grupos financeiros dos dois países, como Coca-Cola, Motorola, Cargill e Citibank. O presidente norte-americano Barack Obama decide prestigiar o evento, dele tomando parte por cerca de meia hora.
À saída, não apenas o ministro-candidato anuncia o "forte apoio" de Obama à intensificação do comércio entre os dois países e ao combate mútuo ao protecionismo, mas o próprio presidente dos Estados Unidos, que a princípio não deveria se pronunciar (na verdade, sequer costuma participar de reuniões desse tipo), faz questão de dar uma declaração, na qual enfatiza a importância da relação bilateral entre os dois países.
Desnecessário dizer que, em linguagem diplomática, o "gesto espontâneo" de Obama tem significado claro: sinaliza a primazia do tal país latino-americano como parceiro regional. Como a confirmar tal significado, ato contínuo o influente Council on Foreign Relations divulga nota em que sugere olhar o tal país latino-americano "como intermediário em questões de segurança regional", pois ele "está aprendendo a equilibrar diplomacia comercial e política de modo sem precedentes".
No dia seguinte, obviamente, o assunto domina as manchetes dos grandes jornais e é explorado à exaustão pelo noticiário televisivo do país latino-americano. Nas edições imediatamente seguintes, economistas, cientistas políticos e experts em profusão debatem as implicações, imediatas e a médio prazo, do encontro de cúpula em Washington, avalizado por ninguém menos do que o presidente da (ainda) maior potência mundial.
A imprensa descompromissada
Acontece que o país latino-americano em questão é o Brasil, um lugar em que a imprensa, em sua maioria, tem simplesmente abdicado de seu papel de informar e questionar, preferindo agir como partido político. Para piorar, liderou a missão brasileira em Washington a ministra-candidata Dilma Rousseff, contra quem até fichas policiais falsas foram utilizadas na tentativa de infamá-la. Portanto, ao invés de manchetes, esquálidos parágrafos; no lugar de debates, um epifânico silêncio. A se basear na "grande imprensa" nativa, é quase como se os desdobramentos surpreendentemente positivos do Fórum de CEOs Brasil-EUA da segunda-feira, 1 de julho, não tivessem ocorrido.
Mas, além da imprensa norte-americana – que publicou dezenas de artigos e análises sobre o encontro –, boa parte da mídia internacional demonstrou-se muito mais atenta ao caso, fornecendo até detalhes do evento e estendendo a cobertura aos encontros de Dilma com o secretário do Tesouro norte-americano, Tim Geithner, com o assessor econômico de Obama, Larry Summers, e com o secretário de Comércio, Gary Locke, este ocorrido no encontro entre as Câmaras de Comércio dos dois países, pela ministra
coordenado.
A imprensa latino-americana, em especial, revelou-se muito mais interesse do que os jornais brasileiros. O DiarioCritico, do México, publica uma alentada reportagem , com farta informação e direito a foto da ministra; o Buenos Aires Herald chega a ser mais específico, assinalando que "os CEOs recomendaram que os EUA eliminassem suas tarifas para importação do etanol, mudança que beneficiaria o Brasil, mas que enfrenta grande oposição dos plantadores de milho norte-americanos". De acordo com a agência de notícias Ansa Latina , um porta-voz norte-americano teria declarado que "Washington e Brasília nunca tiveram uma relação tão `forte´ e que isso se deve à afinidade de opiniões entre os mandatários".
A declaração de Dilma Rousseff de que ambos países devem trabalhar com "ênfase especial" em áreas relacionadas a biocombustíveis e cooperação científica e tecnológica foi destacada em matéria do site Mendonza On Line , que também ouviu o secretário de Comércio Locke. Ele, por sua vez, ressaltou a "sociedade" entre os dos países, em particular para incentivar investimentos privados no Haiti e em várias nações africanas. Até a imprensa de países que não estão sequer na esfera geopolítica do tema, como França e Alemanha, deram mais atenção à cúpula do que a imprensa brasileira. O site informativo francês Autorecrute salientou na cobertura que "O comércio bilateral entre Estados Unidos e Brasil aumentou para 63,4 bilhões de dólares em 2008". Pelo jeito, atingimos um ponto em que, por vezes, devido a interesses essencialmente políticos, a mídia mundial interessa-se mais por questões brasileiras do que a própria mídia nativa...
Desinteresse ostensivo
No Brasil, o desinteresse foi ostensivo, Nos jornalões, nenhuma manchete de capa. Fotos? A única que este observador deve a oportunidade de ver – autêntica, e não referente ao encontro anterior entre Obama e Dilma, em que a ministra era parte da entourage de Lula, e que foi utilizada para ilustrar diversas matérias internacionais – estava, um tanto surpreendentemente, no portal Yahoo. O Estado de S.Paulo e os menos prestigiados Diário do Comércio e Correio do Povo ainda produziram uma matéria de uma lauda cada um, escondidas longe das manchetes.

A cobertura mais ardilosa foi, uma vez mais, da Folha de S.Paulo, que se valeu de um expediente editorial que se tem tornado recorrente no jornal quando quer "esconder" uma notícia: utilizar títulos que simplesmente não permitem ao leitor correlacioná-los ao tema que tratam. Desta vez, a titulagem não dá a mínima margem para que o leitor adivinhe que a matéria é sobre o evento de comércio binacional: "Petrobras pode assumir todos os blocos do pré-sal, diz Dilma". O texto do usualmente bem informado e
eclético Sérgio Dávila é um primor de dissimulação e contradições. Vejamos:
À tarde, enquanto o grupo se reunia na sala do assessor de Segurança Nacional obamista, James Jones, o presidente Barack Obama apareceu no local. Segundo relatos, ele foi simpático, mas protocolar. Perguntou aos empresários as principais dificuldades nas relações bilaterais. Disse que o país era parceiro estratégico não só em questões bilaterais mas também em regionais e globais e ressaltou a intenção de aprofundar a colaboração em biocombustíveis, na ajuda à África e ao Haiti e no combate à mudança
climática."
Relevemos que "assessor de Segurança Nacional obamista" e "assessor de Segurança Nacional dos EUA" – como a imprensa internacional se refere ao ocupante do cargo – sugerem coisas e posições hierárquicas consideravelmente diferentes, e que a duvidosa primeira denominação não permite, a priori, afirmar que Jones "ocupa uma das posições mais poderosas no país", como atestou, quando da nomeação de Jones, a Time
Magazine .
A denominação oficial do cargo é National Security Adviser, e não inclui, é claro, nenhuma referência a Obama. Parece-me lícito deduzir que seu ocupante, embora naturalmente nomeado pelo presidente, serve contratualmente ao país. O que vocês acham?
Boa vontade analítica
Como mais uma demonstração de boa vontade analítica, participemos também, como faz o colunista, da brincadeira de fazer de conta que Obama "apareceu" no local. Afinal, é divertido supor que o presidente dos EUA gosta de enlouquecer sua entourage e o Serviço Secreto, improvisando seus atos a todo momento.
Agora, a sério, vamos à pergunta que não quer calar: Obama teria sido "simpático, mas protocolar"? A descrição da performance do presidente norte-americano no encontro, perpetuada no próprio texto de Dávila, contradiz a afirmação que o jornalista faz na abertura do parágrafo. Senão, vejamos: um dos homens mais poderosos do mundo adentra, alegadamente por vontade própria, uma reunião de cúpula, enche os empresários de perguntas, ressalta a intenção de aprofundar colaboração com o Brasil em nada menos do que quatro áreas estratégicas e faz ainda questão de afirmar (em público, o que a matéria omite) que o país é "parceiro estratégico não só em questões
bilaterais mas também em regionais e globais" – e tudo isso é ser protocolar? O que o colunista esperava, que Obama sapecasse uns beijos na Dilma?
A Folha oferece, ainda, uma sub-retranca que, uma vez mais, repete o truque da titulagem dissimulatória, dessa vez não permitindo sequer que se deduzisse qualquer interação com entes diplomáticos brasileiros: "Empresário dos EUA condenam tarifa ao etanol".
Mesmo na blogosfera a cobertura foi decepcionante, a ponto de Luís Nassif transformar em post o comentário do internauta Clovis Campos protestando: "Nenhuma informação em lugar nenhum". Nos 42 comentários que se seguem ao post, nenhum link para blog sobre o tema, com a exceção óbvia dos para-oficiais (intitulados "os amigos do presidente Lula" e, falta de imaginação, "os amigos da presidente Dilma"). No restante da blogosfera, há reproduções de despachos de agências e das matérias citadas acima, mas se encontram – com o perdão do trocadilho – virtualmente ausentes textos críticos. O Blog Por Simas ao menos conseguiu difundir a lista das empresas brasileiras que tomaram
parte do encontro, ausente das reportagens: "Gerdau, Vale, Embraer, Coteminas, Odebrecht, Votorantim Participações, Sucocítrico Cutrale, Camargo Côrrea, Stefanini IT Solutions e Banco Safra".
Ciclo de omissões
É lícito lembrar, ainda, que esse ciclo de omissões ocorreu no meio de uma semana particularmente pobre de grandes assuntos, na qual, estivesse o jornalismo brasileiro funcionando em condições normais de temperatura e pressão, tais fatos diplomático-comerciais teriam tudo para ser manchete dos grandes jornais, com destaque para a tradicional fotografia dos protagonistas se cumprimentando – afinal, trata-se, no mínimo, de um momento histórico para o comércio entre os dois países.
Como explicar essa omissão da mídia ante um fato notório por si mesmo e que fornece tantos elementos para a discussão das relações Brasil/EUA e do realinhamento geopolítico do país em relação ao continente americano?
Há três hipóteses principais:
1. O fato não é relevante a ponto de merecer a devida atenção de nossa mídia, ocupada com denúncias mais sérias;
2. Nossa mídia é incompetente, e não foi capaz de avaliar a importância de um encontro de cúpula entre a nata do empresariado norte-americano e brasileiro com a alta burocracia dos dois países, nem de apurar que o presidente dos EUA participaria do encontro e a seu respeito se pronunciaria publicamente, conferindo-lhe importância diplomática incontestável;
3. Nossa mídia deliberadamente boicotou o evento por motivações políticas, preferindo omitir de seus leitores informações de extrema relevância para o futuro do país. Por quê? Por ser este comandado por uma ministra que é a principal opção eleitoral das forças políticas as quais, como se partido político fosse, essa mesma mídia tem sistematicamente repelido.

Passado condena grande imprensa
Vamos por eliminação: os caros leitores que têm fresca na memória as reportagens de capa (e com direito a fotos) dos grandes jornais com Pedro Malan e Armínio Fraga – de sobretudo, é claro – se reunindo com algum sub do sub do sub em Washington, que proliferaram durante as presidências de Fernando Henrique Cardoso, sabem que, devido ao número e à patente das autoridades envolvidas, o Fórum dos CEOs, vitaminado pela participação do presidente dos EUA é, comparativamente, muito mais importante. Mesmo porque significa o estabelecimento das bases para o redesenho das relações
comerciais Brasil-EUA e o aval deste à estratégia de reposicionamento geopolítico do Brasil em relação ao resto do continente. Portanto, descartemos a hipótese 1.
Sobram, portanto, duas hipóteses, que não oferecem elementos para serem categoricamante descartadas a priori: a incompetência de nossa mídia ou sua omissão por razões político-eleitorais. Minha impressão pessoal é que, a despeito do atraso técnico e dos seguidos episódios de violação da ética jornalística (que não deixam de ser uma forma particularmente nociva de incompetência), esta última não é tão grave em nossa imprensa a ponto de ignorar um fato diplomático de primeira grandeza.
Mas deixo aos leitores a tarefa de julgarem por si mesmos, oferecendo, em contrapartida a tão dilacerante esforço, sábias reflexões do jornalista Perseu Abramo acerca da omissão na mídia, que ele interpreta como estratégia primordial dos grandes grupos de imprensa para desinformar e, assim, manipular o leitor/espectador. Em trecho citado no blog do de Altamiro Borges , trata-se, segundo Abramo, de "um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade. Esse é um padrão que opera nos antecedentes, nas preliminares da busca da informação, isto é, no `momento´ das decisões de planejamento da edição, naquilo que na imprensa geralmente se chama de pauta... O padrão da ocultação é decisivo e definitivo na manipulação da realidade: tomada a decisão de que um fato `não é jornalístico´, não há a menor chance de que o leitor tome conhecimento de sua existência por meio da imprensa. O fato real é eliminado da realidade, ele não existe".
Se por leniente incompetência ou se por má-fé eleitoreira, o fato é que a cobertura acanhada e des-hierarquizada do encontro de Dilma e Obama, além de manter desinformado o público leitor que a mídia tem por obrigação informar, é indicadora de um estado de coisas e de uma perspectiva futura temerária.
Pois, se para episódios aparentemente menos consequentes envolvendo Dilma Rousseff o método adotado foi esse – transformar uma possível manchete em um fato menor, quase um não-fato -, tem-se uma idéia do que pode vir a acontecer quando os ânimos se acirrarem ao longo do pedregoso caminho que leva às eleições de outubro do ano que vem.